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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Da Mata: Onde a Sua Fé Encontra o Sagrado.

 

A fé se manifesta de muitas formas, mas o respeito e a devoção são universais. Na loja Da Mata, se entende que cada caminho espiritual é único. Por isso, foi criado um espaço onde todas as crenças são bem-vindas e celebradas.

Seja você do Candomblé, da Umbanda, da Jurema ou do Ifá; devoto do Catolicismo, praticante de Cultos Tradicionais ou estudante do Esoterismo: lá você encontrará o que precisa para a sua conexão com o Divino.

Uma imensa diversidade de imagens, velas, defumadores, guias, ervas e paramentos. Tudo o que você precisa para fortalecer a sua espiritualidade, com a qualidade e o axé que você merece.

Feira Central (Próximo ao Shopping Águas Lindas) Alameda Goiás, 19 - Mansões Centro-Oeste.

Da Mata Artigos Religiosos: A diversidade que nos une, a fé que nos guia.




 

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

NOTA DE ALERTA: BEBIDAS ADULTERADAS NOS TERREIROS – UM PERIGO MORTAL QUE EXIGE ATENÇÃO IMEDIATA



Por: Ògan Assogbá Luiz Alves

Nos últimos meses, o Brasil tem sido palco de uma tragédia silenciosa, mas devastadora: a circulação de bebidas alcoólicas adulteradas, muitas delas contaminadas com metanol — substância altamente tóxica derivada do combustível —, que já ceifou vidas de forma cruel e evitável. Entre as vítimas mais recentes e emblemáticas está o cantor e compositor Gustavo Hungria, cantor de Hip_Hop, brasiliense de grande expressão nacional, cuja internação em estado grave chocou o país e expôs com urgência os riscos reais que rondam até mesmo os espaços sagrados da nossa religiosidade.

Nos terreiros de matriz africana, especialmente nas giras dedicadas a Exú — Orixá da comunicação, das encruzilhadas e dos caminhos —, é comum o uso ritualístico de bebidas alcoólicas como oferendas e elementos de conexão espiritual. No entanto, é fundamental compreender que o perigo não reside na prática religiosa em si, mas na má-fé e na ganância de criminosos que infiltram o mercado informal com produtos adulterados. Trata-se, portanto, não de uma questão espiritual, mas de um crime contra a vida.

A máfia do combustível, que desvia álcool industrial e o repassa como bebida, não escolhe vítimas: atinge a todos, inclusive àqueles que buscam proteção, axé e equilíbrio nos terreiros. Médiuns, filhos e filhas de santo, frequentadores e líderes religiosos precisam estar em alerta. A segurança começa na procedência. Antes de adquirir qualquer bebida alcoólica — mesmo que seja para uso ritual —, exija nota fiscal, verifique o rótulo, a embalagem original e, sempre que possível, compre de fornecedores confiáveis e legalizados.

Esse cuidado não é desconfiança; é respeito pela vida. É zelar pelo corpo que serve de templo para o Sagrado. É honrar os ancestrais garantindo que nossas práticas continuem vivas, seguras e legítimas.

Que o axé nos proteja, mas que a consciência nos guie. Sua vida é o maior oferenda que você pode fazer aos orixás.

Axé com responsabilidade. Axé com segurança. Axé com vida.

Ògan Assogá Luiz Alves

Representante do FOAFRO-DF, Projeto Oníbodê e Coletivo "Defensores do Axé"

Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

Axé!

*APOIE, DIVULGUE E INCENTIVE O ONÍBODÊ (O PORTEIRO) por uma comunicação ANTI-FACISTA, ANTI-RACISTA e de apoio à Nossa Comunidade Negra e Afro Religiosa com doações a partir de R$25,00 (vinte e cinco reais)*

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quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Bancada da Bíblia x Comunidade do Axé: A Guerra Legislativa Contra as Religiões de Matrizes Africana

 

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Por: Ògan Assogbá Luiz Alves 

Nos corredores do Congresso Nacional, uma guerra silenciosa é travada diariamente: de um lado, a chamada “Bancada da Bíblia”, composta majoritariamente por parlamentares evangélicos neo-pentecostais, que propõem leis para restringir sacrifícios animais, proibir cultos em áreas residenciais e enquadrar nossos rituais como “atos de magia negra”. Do outro, uma ala, formada por deputados e senadores simpatizante ou  aliados às religiões de matriz africana, que lutam por direitos, reconhecimento e proteção legal. Ate hoje a Comunidade Afro Religiosa não conseguiu eleger um deputado reconhecidamente do Axé! Inclusive o Estado da Bahia majoritariamente negro e berço da casas mais tradicionais de  Axé  e o Rio Grande do Sul Estado onde segundo pesquisas possui o maior número de casas de Axé de diversas raízes, entre elas o Batuque.


Em 2023, foram protocolados 17 projetos de lei com viés de intolerância religiosa — 12 deles por parlamentares da Frente Parlamentar Evangélica. Enquanto isso, a Frente Parlamentar em Defesa das Religiões de Matriz Africana luta para que  Laicidade do Estado seja respeitada e que não seja imposto um Estado teocrático no Brasil. Sempre nos falaram que religião é política não se misturam e só  nós acreditamos nisto e enquanto a Comunidade Afro Religiosa não mudar seu pensamento continuaremos ver crescer  nas casas de leis, desde as Câmaras de Vereadores até o Congresso Nacional as bancadas da biblia e todos sem exceção aprovando projetos de leis que cerceiam nossa liberdade de existir em nossa fé. Estamos nos aproximando de um ano eleitoral e muitos serão o que aparecerão se dizendo nossos aliados, mas que quando precisamos dos mesmos em nossas lutas nunca se fizeram presentes. Portanto é  preciso ficarmos atentos na próximas eleições, principalmente aos que chegarão com as soluções dos problemas que nunca viveram ou mesmo se interessaram. Precisamos começar a construirmos barreiras contra os oportunistas que só aparecem de quatro em quatro anos e apoiar de fato quem sempre esteve ao nosso lado na luta. Vejam quem esteve na luta, quem apoiou e principalmente quem pôs a carreira à tapa.

A VIDA NO AXÉ TAMBÉM É UM ATO POLÍTICO!

Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

Axé!

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terça-feira, 16 de setembro de 2025

ASE AJAGUNAN NASCE COMO RESISTÊNCIA E AXÉ NA TERRA DE ODISSÉIA

Por Ògan Assogbá Luiz Alves

Águas Lindas de Goiás — GO

Nos dias 06 e 07 de setembro de 2025, sob céu aberto e terra batida, pulsou forte o coração de Ketu em terras goianas. Nas Mansões Odisséia, distante dos grandes centros, mas profundamente conectada às raízes ancestrais, nasceu o Ilê Asé Oluwa Írin Ati Mimo ti Osogiyan — Ase Ajagunan, uma nova casa de Axé de raiz Opó Afonjá do Rio de Janeiro, agora plantada com força e fé no cerrado goiano.







A abertura do Ase Ajagunan — que em yorubá significa “O Poder dos Guerreiros” — foi conduzida com maestria por Pai Ricardo de Oxóssi, sacerdote experiente e guardião de tradições, que celebrou com lágrimos nos olhos e voz firme mais uma etapa da caminhada de seu filho espiritual: Babá Milá, agora à frente de sua própria casa, pronto para conduzir seus trabalhos, seus filhos e suas obrigações com a ancestralidade.






“Ver meu filho erguer seu Ilê é como ver uma árvore que plantei dar frutos para alimentar muitos. É orgulho, é responsabilidade, é Axé multiplicado”, declarou Pai Ricardo, cercado por ogãs, ekedis e filhos de santo que entoavam pontos e dançavam ao som dos atabaques.

A cerimônia contou ainda com a presença marcante de Pai Alan Baloni de Ogum, que chegou com sua corrente de guerreiros e guerreiras, trazendo bênçãos de ferro e fogo, e com representantes de outras casas de Águas Lindas — terra que, apesar das adversidades, tem se tornado um celeiro de resistência afro-religiosa no Entorno do DF. Também estiveram presentes lideranças da Comunidade Afro-Religiosa de Brasília e Territórios, da ATRACAR - GO reforçando a rede de irmandade que une terreiros além das fronteiras geográficas.








Mas o que mais tocou os presentes, tudo aconteceu ao ar livre, na terra nua, sem palcos, sem cercas, sem artifícios. Foi um retorno deliberado aos primórdios da nossa fé, quando nossos ancestrais, escravizados, só tinham o pátio das senzalas ou o meio das matas para celebrar seus Orixás. Muitas vezes escondidos, mas sempre resistentes. Sempre vivos.

Celebrar na terra é lembrar de onde viemos. É honrar os que dançaram escondidos, que cantaram baixinho, que invocaram seus Orixás mesmo com o chicote por perto. Hoje, dançamos abertamente. Mas não esquecemos: cada batida de atabaque é um grito de liberdade”.


O NASCER DE UMA CASA É UM ATO POLÍTICO

Não se engane: abrir um terreiro hoje — especialmente em regiões periféricas, onde o fundamentalismo avança como fogo em capim seco — é um ato de coragem. É resistência. É política. É dizer: estamos aqui. Não vamos embora. Não conseguirão nos calar.

O Ase Ajagunan nasce como um bastião de cultura, espiritualidade e memória. Nasce como um grito de existência num país que ainda tenta apagar nossa presença. Ser afro-religioso é ser resiliente. É carregar no corpo a dor da diáspora e transformá-la em dança, em canto, em oferenda. É saber que nossa força vem dos ancestrais, que nosso amor ao Sagrado é maior que qualquer intolerância.




Que Oxalá abençoe os caminhos do Ilê Asé Oluwa Írin Ati Mimo ti Osogiyan — Ase Ajagunan. Que Ogum abra seus caminhos. Que Oxóssi guarde sua entrada. Que Iansã varra toda energia contrária. E que Exu Oníbodê, o Porteiro, jamais deixe a intolerância cruzar seu umbral.

Axé pra quem merece.  

Resistência pra quem luta.  

E que o Ase Ajagunan prospere — hoje, amanhã e sempre.


ONÍBODÊ O PORTEIRO  

Onde o Axé entra e a intolerância não passa

Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

Axé!

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segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Raízes que Unem: Encontro entre Lula e Tinubu celebra laços históricos e culturais entre Brasil e Nigéria com presença simbólica do Coletivo das Iyás/RENAFRO-Centro-Oeste

                 

Por: Ògan Assogbá Luiz Alves

Brasília, 25 de agosto de 2025 – Em um gesto carregado de simbolismo histórico e cultural, o Palácio do Planalto recebeu, nesta quinta-feira, a visita de Estado do Presidente da República da Nigéria, Sua Excelência Bola Ahmed Tinubu, recebido com honras de chefe de Estado pelo Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro, marcado por protocolos solenes e diálogos estratégicos, teve um momento de profunda ressonância simbólica com a presença das integrantes do Coletivo das Iyás/RENAFRO-Centro-Oeste, representantes vivas da ancestralidade africana que atravessou o Atlântico e se firmou no solo brasileiro.

A cerimônia teve início com a tradicional subida da rampa do Palácio do Planalto, onde o Presidente nigeriano foi saudado com calor por Lula, em um aperto de mãos que ecoou como um abraço entre irmãos de um mesmo tronco histórico. Vestido com trajes tradicionais nigerianos, Tinubu desfilou ao lado de Lula, que usava terno escuro e gravata verde e amarela, em direção ao Parlatório, onde as tropas militares do Exército Brasileiro realizaram um desfile em honra ao chefe de Estado convidado — um gesto de respeito institucional que, neste contexto, ganhou contornos de reconhecimento mútuo entre nações irmãs.

Após a revista às tropas, os líderes se reuniram em caráter privado no interior do Palácio. Em sua fala posterior ao encontro, o Presidente Lula destacou a urgência de fortalecer as relações comerciais entre Brasil e Nigéria, dois gigantes do hemisfério sul com potencial estratégico em áreas como agricultura, energia, indústria e tecnologia. “A Nigéria é um dos maiores parceiros naturais do Brasil na África. Temos raízes comuns, temos história compartilhada, e agora precisamos construir um futuro comum”, afirmou Lula, reafirmando seu compromisso com o multilateralismo como caminho para a paz e o desenvolvimento global.

Mas foi no almoço de boas-vindas, servido em clima de cordialidade diplomática, que o evento tocou o âmago da memória afro-brasileira. Pela primeira vez em uma cerimônia oficial de Estado no Planalto, integrantes do Coletivo das Iyás/RENAFRO-Centro-Oeste foram convidadas a participar como representantes da espiritualidade e da cultura afrodescendente no Brasil. Vestidas com roupas tradicionais —, as Iyás (mães espirituais de terreiros de matrizes africana) ocuparam um lugar de honra entre autoridades brasileiras e nigerianas.A presença delas não foi mero detalhe protocolar. Foi um ato político e simbólico de reparação histórica. As Iyás representam a continuidade viva das tradições religiosas iorubás, que sobreviveram à escravidão, à perseguição e ao esquecimento imposto pela colonização. Hoje, são guardiãs de saberes ancestrais, curandeiras, líderes comunitárias e defensoras dos direitos dos povos de terreiro. Sua presença ao lado do Presidente da Nigéria — um homem cujo sobrenome, Tinubu, tem raízes iorubás e cuja linhagem é ligada à antiga cidade de Abeokuta — fez ecoar, em silêncio eloquente, a jornada de milhões de africanos arrancados de suas terras e forçados a cruzar o Atlântico.

“É um momento de emoção profunda”, disse uma das representantes do coletivo presente. “Ver um presidente nigeriano sendo recebido com respeito aqui, e nós, mães de santo, sentadas à mesma mesa, é um sinal de que nossas raízes estão sendo respeitadas. Nós somos a Nigéria que ficou, a Nigéria que resistiu, a Nigéria que rezou e que nunca esqueceu.”

A RENAFRO (Rede Nacional de Afro-Religiões), por meio de seu núcleo Centro-Oeste, tem atuado com força na defesa dos direitos das religiões de matriz africana, combatendo o racismo religioso e promovendo políticas de inclusão. A convocação para este evento histórico é vista como um reconhecimento institucional dessas lutas.

O encontro entre Lula e Tinubu vai além da diplomacia econômica. Ele toca na memória coletiva de um povo. Segundo dados históricos, cerca de 40% dos africanos trazidos à força para o Brasil durante o período colonial eram provenientes da região que hoje corresponde à Nigéria, sobretudo do povo iorubá. É desse povo que também vêm as bases do candomblé, da umbanda, do vocabulário, da culinária, da música e da espiritualidade que hoje fazem parte do DNA brasileiro.

Com este gesto, o governo brasileiro não apenas fortalece laços diplomáticos, mas **reconhece publicamente a dívida histórica com a África** — e, sobretudo, com as comunidades afro-brasileiras que mantiveram vivas as tradições africanas contra todos os ventos.

Ao final do almoço, enquanto os líderes trocavam presentes — entre eles, uma peça de arte iorubá e um quadro com motivos do cerrado brasileiro —, uma Iyá fez uma breve oração em iorubá, pedindo proteção para os dois países e harmonia entre os povos. Um momento breve, mas carregado de poder: a ancestralidade abençoando o futuro.

Entre acordos comerciais e discursos de cooperação, o que mais tocou o coração do povo brasileiro foi ver mães de santo, herdeiras da Nigéria ancestral, sentadas à mesa do poder. Um encontro de Estados, sim. Mas, acima de tudo, um encontro de almas.

Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

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domingo, 29 de junho de 2025

Toque em Homenagem a Zazy Celebra Justiça e Devoção no Abassá e Associação Vida Inteira

Por Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ 

Na noite de ontem, o Abassá e Associação Vida Inteira, sob a condução espiritual de Pai Francisco N'GUNZETALA, foi palco de um momento profundamente simbólico e carregado de espiritualidade: o toque em homenagem a N’Kisse Zazy, divindade reverenciada por seu domínio sobre o fogo da justiça. A cerimônia, de caráter íntimo, reuniu filhos, filhas e simpatizantes da casa para celebrar, agradecer e fortalecer os laços com o sagrado.

Ainda em processo de recolhimento após um ciclo de intensas atividades, o Abassá abriu suas portas para um ritual reservado, mas pulsante. Quem ali esteve pôde sentir a vibração arrebatadora que tomou conta do ambiente. O toque ecoou como prece e oferenda, reverberando nos corpos e corações dos presentes, que buscaram em Zazy a chama da proteção e o escudo contra as injustiças da vida cotidiana.

Para muitos, a ocasião foi também um reencontro com a própria fé e ancestralidade. Estar na presença de N'Kisse Zazy é mergulhar em uma energia que atravessa o visível, envolvendo a todos em um sentimento de acolhimento e força. A devoção que permeou cada cântico, cada batida do ingoma e cada gesto reverente era prova viva da permanência e potência das tradições afro-brasileiras.

Ao final da celebração, como é de costume nas casas de axé, um jantar foi servido aos presentes, reforçando os laços de comunidade e pertencimento. Mais do que uma simples refeição, foi um banquete de partilha, um momento para saborear a conexão entre o divino e o humano.

Mesmo em tom reservado, a homenagem reafirmou a importância de preservar espaços de culto como a Associação Vida Inteira, onde a fé, a cultura e a ancestralidade caminham lado a lado, mantendo viva a chama que Zazy representa: a do fogo que purifica e faz justiça.


Vale destacar também o lindo trabalho da casa com a comunidade ao redor que vai desde o acolhimento, aconselhamento, aulas de reforço, oficinas e atendimento espiritual. 

Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

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quinta-feira, 12 de junho de 2025

Sessão Solene na Câmara dos Deputados homenageia o Centenário de Nascimento de Mãe Stela de Oxóssi

Por Ògan Assogbá Luiz Alves/ PROJETO ONÍBODÊ 

Em uma cerimônia marcada pela emoção, reverência e reconhecimento histórico, a Câmara dos Deputados realizou nesta quintta-feira 12/06, uma Sessão Solene em homenagem ao centenário do nascimento de Mãe Stela de Oxóssi, uma das figuras mais importantes da história do candomblé no Brasil. O evento ocorreu no Plenário da Casa, em Brasília, e reuniu autoridades religiosas, políticas e representantes da comunidade afro-religiosa de todo o país.

A sessão foi uma iniciativa conjunta dos parlamentares baianos Jaques Wagner (PT-BA), Deputado Bacelar (PV-BA) e Deputada Lidice da Mata (PSB-BA), com o objetivo de lembrar e celebrar a vida e o legado de quem dedicou sua existência à preservação da cultura afro-brasileira e à defesa dos direitos das religiões de matriz africana.


A solenidade teve início com a execução do Hino Nacional Brasileiro, seguido pelo Hino do Ilê Opó Afonjá, terreiro dirigido por Mãe Stela em Salvador, , que sob sua direção se tornou um dos maiores centros culturais e religiosos do candomblé no Brasil.

Após as falas iniciais dos parlamentares organizadores, que destacaram o papel pioneiro de Mãe Stela como guardiã da tradição yorubá no Brasil e como símbolo de resistência contra o racismo religioso, foi exibido um vídeo emocionante produzido especialmente para a ocasião. O documentário reuniu depoimentos, imagens raras e registros históricos que ilustram a trajetória de Mãe Stela, à frente do Opó Afonjá e seu papel central na consolidação do candomblé como expressão cultural e religiosa de relevância nacional.

Um dos momentos mais simbólicos da cerimônia foi a obliteração do selo comemorativo lançado pelos Correios em homenagem à Matriarca do Candomblé Brasileiro. A ação foi conduzida por Paulo Henrique Soares, Superintendente dos Correios em Brasíl, que destacou a importância de eternizar a imagem e a memória de Mãe Stela nos anais da história postal brasileira.


Comovendo todos os presentes, Mãe Ana de Xangô, atual Iyalorixá do Ilê Opó Afonjá, compôs a mesa de honra e proferiu palavras carregadas de sabedoria ancestral e emoção. Em sua fala, ela relembrou a força espiritual e política de Mãe Stela, enfatizando que o legado dela não está apenas nos terreiros, mas também na luta constante por dignidade e visibilidade das religiões afro-brasileiras.

Também compuseram a mesa de honra a Ministra Margareth Menezes, do Ministério da Cultura, que ressaltou o papel fundamental da religiosidade na construção da identidade negra brasileira, assim como representantes dos Ministérios da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, que reafirmaram o compromisso do Estado em promover políticas públicas de proteção às comunidades tradicionais de terreiro. Presentes também os representantes da ATRACAR - Ògan Odé Somi e Mãe Déia Talamugongo, Ògan Assogbá Luiz Alves representando o FOAFRO-DF, o Coletivo DEFENSORES DO AXÉ e o PROJETO ONÍBODÊ.

A Sessão Solene não apenas celebrou uma vida extraordinária, mas também serviu como um importante ato de reparação histórica e reconhecimento institucional às religiões de matriz africana, tantas vezes marginalizadas e perseguidas ao longo da história do Brasil.




Ao final da cerimônia, ecoava entre os participantes a certeza de que Mãe Stela continua viva na memória coletiva, nas práticas rituais, na resistência diária de seus filhos e filhas, e agora, também, na história oficial do país.

Ficha Técnica da Homenagem:

- Evento: Sessão Solene em Homenagem ao Centenário de Nascimento de Mãe Stela de Oxóssi  

- Local: Plenário da Câmara dos Deputados, Brasília-DF  

- Data: 12 de junho de 2025  

- Promoção: Deputados Jaques Wagner (PT-BA), Bacelar (PV-BA) e Lidice da Mata (PSB-BA)  

- Presenças Destacadas: Mãe Ana de Xangô (Iyalorixá do Ilê Opó Afonjá), Ministra Margareth Menezes (Ministério da Igualdade Racial), representantes dos Ministérios da Igualdade Racial e Direitos Humanos  

- Destaque Especial: Lançamento do selo comemorativo pelos Correios


Que os orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

Axé!

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