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segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Raízes que Unem: Encontro entre Lula e Tinubu celebra laços históricos e culturais entre Brasil e Nigéria com presença simbólica do Coletivo das Iyás/RENAFRO-Centro-Oeste

                 

Por: Ògan Assogbá Luiz Alves

Brasília, 25 de agosto de 2025 – Em um gesto carregado de simbolismo histórico e cultural, o Palácio do Planalto recebeu, nesta quinta-feira, a visita de Estado do Presidente da República da Nigéria, Sua Excelência Bola Ahmed Tinubu, recebido com honras de chefe de Estado pelo Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro, marcado por protocolos solenes e diálogos estratégicos, teve um momento de profunda ressonância simbólica com a presença das integrantes do Coletivo das Iyás/RENAFRO-Centro-Oeste, representantes vivas da ancestralidade africana que atravessou o Atlântico e se firmou no solo brasileiro.

A cerimônia teve início com a tradicional subida da rampa do Palácio do Planalto, onde o Presidente nigeriano foi saudado com calor por Lula, em um aperto de mãos que ecoou como um abraço entre irmãos de um mesmo tronco histórico. Vestido com trajes tradicionais nigerianos, Tinubu desfilou ao lado de Lula, que usava terno escuro e gravata verde e amarela, em direção ao Parlatório, onde as tropas militares do Exército Brasileiro realizaram um desfile em honra ao chefe de Estado convidado — um gesto de respeito institucional que, neste contexto, ganhou contornos de reconhecimento mútuo entre nações irmãs.

Após a revista às tropas, os líderes se reuniram em caráter privado no interior do Palácio. Em sua fala posterior ao encontro, o Presidente Lula destacou a urgência de fortalecer as relações comerciais entre Brasil e Nigéria, dois gigantes do hemisfério sul com potencial estratégico em áreas como agricultura, energia, indústria e tecnologia. “A Nigéria é um dos maiores parceiros naturais do Brasil na África. Temos raízes comuns, temos história compartilhada, e agora precisamos construir um futuro comum”, afirmou Lula, reafirmando seu compromisso com o multilateralismo como caminho para a paz e o desenvolvimento global.

Mas foi no almoço de boas-vindas, servido em clima de cordialidade diplomática, que o evento tocou o âmago da memória afro-brasileira. Pela primeira vez em uma cerimônia oficial de Estado no Planalto, integrantes do Coletivo das Iyás/RENAFRO-Centro-Oeste foram convidadas a participar como representantes da espiritualidade e da cultura afrodescendente no Brasil. Vestidas com roupas tradicionais —, as Iyás (mães espirituais de terreiros de matrizes africana) ocuparam um lugar de honra entre autoridades brasileiras e nigerianas.A presença delas não foi mero detalhe protocolar. Foi um ato político e simbólico de reparação histórica. As Iyás representam a continuidade viva das tradições religiosas iorubás, que sobreviveram à escravidão, à perseguição e ao esquecimento imposto pela colonização. Hoje, são guardiãs de saberes ancestrais, curandeiras, líderes comunitárias e defensoras dos direitos dos povos de terreiro. Sua presença ao lado do Presidente da Nigéria — um homem cujo sobrenome, Tinubu, tem raízes iorubás e cuja linhagem é ligada à antiga cidade de Abeokuta — fez ecoar, em silêncio eloquente, a jornada de milhões de africanos arrancados de suas terras e forçados a cruzar o Atlântico.

“É um momento de emoção profunda”, disse uma das representantes do coletivo presente. “Ver um presidente nigeriano sendo recebido com respeito aqui, e nós, mães de santo, sentadas à mesma mesa, é um sinal de que nossas raízes estão sendo respeitadas. Nós somos a Nigéria que ficou, a Nigéria que resistiu, a Nigéria que rezou e que nunca esqueceu.”

A RENAFRO (Rede Nacional de Afro-Religiões), por meio de seu núcleo Centro-Oeste, tem atuado com força na defesa dos direitos das religiões de matriz africana, combatendo o racismo religioso e promovendo políticas de inclusão. A convocação para este evento histórico é vista como um reconhecimento institucional dessas lutas.

O encontro entre Lula e Tinubu vai além da diplomacia econômica. Ele toca na memória coletiva de um povo. Segundo dados históricos, cerca de 40% dos africanos trazidos à força para o Brasil durante o período colonial eram provenientes da região que hoje corresponde à Nigéria, sobretudo do povo iorubá. É desse povo que também vêm as bases do candomblé, da umbanda, do vocabulário, da culinária, da música e da espiritualidade que hoje fazem parte do DNA brasileiro.

Com este gesto, o governo brasileiro não apenas fortalece laços diplomáticos, mas **reconhece publicamente a dívida histórica com a África** — e, sobretudo, com as comunidades afro-brasileiras que mantiveram vivas as tradições africanas contra todos os ventos.

Ao final do almoço, enquanto os líderes trocavam presentes — entre eles, uma peça de arte iorubá e um quadro com motivos do cerrado brasileiro —, uma Iyá fez uma breve oração em iorubá, pedindo proteção para os dois países e harmonia entre os povos. Um momento breve, mas carregado de poder: a ancestralidade abençoando o futuro.

Entre acordos comerciais e discursos de cooperação, o que mais tocou o coração do povo brasileiro foi ver mães de santo, herdeiras da Nigéria ancestral, sentadas à mesa do poder. Um encontro de Estados, sim. Mas, acima de tudo, um encontro de almas.

Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

Axé!

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terça-feira, 22 de julho de 2025

Fogueira de Xangô no Ilé Așé Jagun Onigbejá Ti Oșun. Uma Celebração de Fé, Resstência e Sabores Ancestrais

 


Por: Ògan Assogbá Luiz Alves PROJETO ONÍBODÊ 

Águas Lindas de Goiás — No último domingo, o terreiro Ilé Așé Jagun Onigbejá Ti Oșun, sob a direção da querida Mãe Vilcilene, reuniu filhos, filhas e amigos de santo em uma das celebrações mais aguardadas do calendário afro-religioso: a tradicional fogueira de Xangô. O evento, marcado por cantos, danças e a energia contagiante do orixá da justiça, foi mais do que um ritual — foi um manifesto de resistência cultural e um banquete para os sentidos.  

O Toque do Rei: Justiça e Firmeza

Como sempre acontece nos toques dirigidos por Mãe Vilcilene, a cerimônia foi uma experiência única. O salão, decorado com as cores vibrantes de Xangô, recebeu os convidados com a majestade digna de um rei. Os atabaques ecoaram os cânticos em iorubá, enquanto os ogãs e as ekedjis entoavam pontos que invocavam a força e a imparcialidade do "Alafim" (grande governante).  












"Pedimos a Xangô que a injustiça não nos alcance". Em tempos de intolerância e ataques às religiões de matriz africana, a fogueira simbolizou não apenas a devoção, mas também a resistência de um povo que mantém viva sua ancestralidade.  

A Mesa Farta: Sabores que Honram o Orixá


Xangô, conhecido por seu paladar exigente, ofereceu aos presentes uma farta mesa de bolos e doces à base de milho e mandioca — ingredientes sagrados na culinária afro-brasileira. O amalá (comida ritual do Orixá) foi oferecido e servido pelo próprio Orixá, em uma celebração que uniu o espiritual ao material. Nas Religiões de Matrizes Africana "A comida é oferenda, mas também é afeto".

Acolhimento e Alegria: A Marca do Ilê Jagun Dan-Bará  



Quem conhece o Ilé Așé Jagun Onigbejá Ti Oșun. sabe: a casa é sinônimo de acolhimento. Mãe Vilcilene e seus filhos receberam a todos com o amor e a alegria que são marcas registradas do terreiro. Entre abraços, sorrisos e a energia contagiante dos tambores, os presentes lembraram que, na roda de Xangô, ninguém fica de fora.  




Ao final da noite, com as chamas da fogueira ainda crepitando, ficou claro: a festa não foi apenas para o Orixá, mas para toda uma comunidade que, através da fé, reafirma sua existência e sua cultura. Como diz um antigo adágio nagô: Xangô não dorme, ele vigia — e no Ilê Jagun Dan-Bará, seu fogo continua aceso.  

Após os atos religiosos foi servido um maravilhoso jantar, marca registrada de Mãe Vilcilene e de todos seus filhos e filhas.

De

Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

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quinta-feira, 17 de julho de 2025

Na calada da noite, Câmara Federal aprova o retrocesso ambiental mais grave da história do Brasil: a chamada "PL da Devastação

Por Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

Imagens gerados por I.A por Ògan Assogbá Luiz Alves


Brasília – Em uma sessão realizada na noite desta quinta-feira (04), longe dos holofotes e sob o manto do silêncio, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que promete marcar negativamente para sempre a história ambiental do Brasil. Batizada por especialistas e ativistas como “PL da Devastação”, a proposta abre caminho para um aumento exponencial no desmatamento, fragiliza as leis ambientais existentes e dá sinal verde para o avanço irrestrito da boiada — literalmente. Aprovado com votos de parlamentares ligados ao agronegócio e ao setor madeireiro, o texto da PL revoga dispositivos fundamentais do Código Florestal, flexibiliza regras de APPs (Áreas de Preservação Permanente), reduz punições a quem desmata ilegalmente e permite a regularização de terras griladas em Unidades de Conservação e Terras Indígenas já homologadas. Tudo isso em nome do chamado “desenvolvimento econômico”, mas com custos incalculáveis para o meio ambiente e para os povos tradicionais que vivem em harmonia com a natureza. 


O que está em jogo? 

 O novo texto da lei: - Permite o plantio de soja e pastagem em APPs ribeirinhas, áreas que antes eram intocáveis e serviam como barreiras naturais à erosão e poluição dos rios; - Libera o uso de agrotóxicos em zonas próximas a nascentes e cursos d'água, comprometendo a qualidade do recurso hídrico em escala nacional; - Reduz a obrigatoriedade de recomposição de áreas desmatadas ilegalmente, com anistias amplas para grandes infratores ambientais; - Facilita a legalização de terras em unidades de conservação e territórios indígenas já demarcados, colocando em risco não só a biodiversidade, mas também os povos originários que vivem nessas regiões.
 
Um passo gigantesco para trás 

 Essa aprovação é considerada pelos ambientalistas como o maior retrocesso ambiental desde o fim da ditadura militar. Enquanto o mundo pressiona por políticas de descarbonização e combate às mudanças climáticas, o Brasil escolhe acelerar a destruição de seus biomas — especialmente a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica. “Isso é uma catástrofe anunciada”, afirmam pesquisadores da USP. “Estamos assistindo à entrega deliberada de nossos recursos naturais em troca de ganhos de curto prazo. A partir de agora, o desmatamento vai explodir, e vamos ver os rios secarem, os solos perderem fertilidade e as chuvas se tornarem imprevisíveis.” 

Consequências imediatas e de longo prazo


 Os impactos dessa decisão serão sentidos em todo o país: - Avanço do desmatamento: estima-se que o ritmo de destruição na Amazônia possa aumentar em até 40% nos próximos dois anos; - Mudanças climáticas locais: com menos árvores, o regime de chuvas será severamente alterado, afetando a agricultura e a segurança hídrica.

Riscos à saúde pública

O aumento da poluição dos rios e do ar pode elevar os casos de doenças respiratórias e infecções gastrointestinais em comunidades ribeirinhas e urbanas.

 Impacto aos povos indígenas e de matriz africana: 
Com a facilitação da invasão de terras tradicionais, os povos originários enfrentarão ainda mais ameaças físicas e culturais. 

Comunidades de Povos Tradicionais e de Matrizes Africana

 A participação das Comunidades de Povos Tradicionais e de Matrizes Africana, tem papel fundamental nessa luta A aprovação da “PL da Devastação” não afeta apenas o meio ambiente físico, mas também o espiritual. Para as Comunidades de Matrizes Africana, especialmente aquelas que seguem religiões como o Candomblé e a Umbanda, a natureza é sagrada. As folhas, as águas, os ventos, as matas e os animais são elementos vivos e essenciais na comunicação com os Orixás. Como diz o provérbio sagrado: "Kò sí ewé, kò sí Òrìṣà!",  “Sem folhas, não há Orixá!” As folhas medicinais e rituais são a base das oferendas, banhos de ervas, encantamentos e rituais de cura. Sem florestas, sem rios limpos, sem matas preservadas, nossa religiosidade perde sua força e sua própria razão de ser. A devastação ambiental é, portanto, também uma forma de violência religiosa contra nosso povo. É imprescindível que terreiros, babalorixás, ialorixás, filhos e filhas de santo se unam à luta ambientalista. Não apenas pela causa ecológica, mas por nossa identidade cultural e espiritual. A defesa da natureza é a defesa da nossa fé. 

E agora, qual o próximo passo?


 O texto segue para o Senado Federal, onde enfrentará forte resistência de parlamentares ambientalistas e da sociedade organizada. Movimentos sociais já estão articulando ações judiciais e campanhas de pressão internacional contra a nova legislação. Organizações internacionais como WWF, SOS Mata Atlântica e Greenpeace condenaram a medida, alertando para o risco de sanções comerciais e suspensão de acordos de livre-comércio caso o governo federal sancione a PL. 

A hora é de luta 

Com essa aprovação, o Brasil perde não apenas parte de sua floresta, mas também seu prestígio global como guardião de um dos maiores patrimônios naturais do planeta. É um golpe direto contra as futuras gerações, contra os cientistas, contra os defensores do meio ambiente e contra qualquer tentativa séria de mitigar as mudanças climáticas. “Agora é que a boiada vai passar”, disse ontem um deputado ruralista durante a votação. Mas a sociedade brasileira não aceitará esse destino sem reagir — e as Comunidades de Matrizes Africana tem tudo a perder com essa destruição. A luta pelo futuro da natureza no Brasil começa agora. E ela precisa ter a força dos Orixás, o poder das folhas e a voz do povo negro. 

Este é um momento crítico. Acompanhe as próximas movimentações no Congresso e participe das mobilizações em defesa da Amazônia, dos biomas brasileiros e da nossa ancestralidade.

Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

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terça-feira, 8 de julho de 2025

A 5ª Quermesse de YAYÁ – Um Encontro de Cultura, Fé e Alegria

Por Ògan Assogbá Luiz Alves PROJETO ONÍBODÊ 

Fotos: divulgação 

No último sábado, o Núcleo Bandeirantes foi palco de uma celebração única que uniu a tradição das festas juninas ao espírito afro-brasileiro em uma explosão de alegria, amor e ancestralidade. A 5ª Quermesse de YAYÁ, promovida pela Casa Espírita Sociocultural Maria Conga da Cachoeira, reuniu centenas de pessoas para um dia cheio de cultura, música, comida e brincadeiras, transformando o ambiente em um verdadeiro templo de celebração da vida.

Uma Mistura de Tradições

A quermesse se destacou por sua capacidade de mesclar as raízes culturais brasileiras com as matrizes africanas, criando um evento que vai além do tradicional. Sob o comando da Mãe Fábiola D'Oxum, a organização soube harmonizar os elementos típicos das festas juninas – como comidas tradicionais, brincadeiras populares e ritmos animados – com a espiritualidade afro-brasileira, representada por uma casa onde se venera Òxum , Orixá da fertilidade, maternidade e sabedoria.

O local estava decorado com bandeirinhas coloridas, fogos de artifício e velas, simbolizando tanto a festividade junina quanto os rituais de honra aos Orixás. O clima era de pura alegria, com famílias inteiras reunidas para aproveitar cada momento da programação.

Comidas Típicas e Sabores Inesquecíveis

Como não poderia faltar em qualquer boa festa junina, os visitantes tiveram a oportunidade de saborear delícias tradicionais que encantaram todos os paladares. Pamonha, canjica, quentão, bolo de milho e outras iguarias típicas estavam disponíveis para quem quisesse experimentar os sabores da estação. Além disso, a venda de alimentos no local teve um valor simbólico, garantindo que ninguém ficasse de fora dessa experiência gastronômica.

Apresentações Culturais e Música Animada

O coração da festa pulava ao som dos ritmos animados de forró e xote, que marcaram presença durante todo o evento. O destaque especial foi para o show do cantor ISTÊNIO, que levou o público à loucura com  sucessos regionais e energia contagiante. Seus hits ecoaram pelo núcleo, envolvendo adultos e crianças em uma dança coletiva que refletia a essência da festa.

Além da música, houve apresentações culturais que celebraram a diversidade cultural brasileira. Danças folclóricas, performances musicais e até mesmo momentos de homenagem às matrizes africanas enriqueceram ainda mais a programação, mostrando que a festa não era apenas sobre entretenimento, mas também sobre resgate de identidade e valores ancestrais.

Brincadeiras e Diversão Para Todos

Para as crianças, a quermesse reservou um espaço especial cheio de atividades lúdicas e divertidas. Brinquedos tradicionais, pescaria e bingo foram algumas das atrações que conquistaram os pequenos, que saíram felizes com lembrancinhas e prêmios especiais. As novidades preparadas especialmente para a criançada garantiram que ninguém ficasse de fora da festa, tornando o ambiente ainda mais acolhedor e familiar.

Um Dia de Celebrar a Vida

A 5ª Quermesse de YAYÁ foi muito mais do que uma simples festa junina. Ela se transformou em um grande encontro de comunidade, onde a alegria reinou absoluto. Famílias, amigos e vizinhos se reuniram para compartilhar histórias, risos e emoções, construindo memórias que certamente serão lembradas por muito tempo.

O evento demonstrou que é possível celebrar a cultura popular brasileira de forma inclusiva e significativa, mantendo vivas as tradições enquanto resgata a importância das raízes africanas. A mistura de ritmos, sabores e cores criou um ambiente único, onde todas as gerações puderam se sentir parte de algo maior.

Até a Próxima Edição

Com a satisfação de ter realizado mais uma edição memorável, a Casa Espírita Sociocultural Maria Conga da Cachoeira já começa a planejar a próxima edição da Quermesse de YAYÁ. Para aqueles que não puderam comparecer, resta a esperança de que o próximo encontro seja ainda mais grandioso, repleto de surpresas e emoções.

Enquanto isso, os participantes deste ano guardam nos corações a lembrança de um dia em que a alegria, o amor e a ancestralidade se fundiram em perfeita harmonia, celebrando a vida em sua plenitude.

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quarta-feira, 2 de julho de 2025

Resistência, fé e protagonismo: um encontro que ecoa ancestralidade e políticas transformadoras

Por Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ 

Brasília amanheceu diferente. No coração da cidade, o auditório da sede nacional do IPHAN foi palco de um dos encontros mais emblemáticos da atualidade: o "Encontro Povos Tradicionais de Matrizes Africanas – Protagonismo Político e Cidadania Cultural", realizado ontem, foi mais que um evento — foi um rito de afirmação, pertencimento e luta coletiva.

Uma homenagem que transcendeu o tempo

O momento mais tocante do encontro foi a homenagem póstuma ao líder espiritual Bàbá Paulo IFÁTIDÉ IFÁMORÓTÌ DI ARÁ-ÌGBÀANÌ, cuja trajetória permanece como farol para os que caminham pela trilha da fé afro-brasileira. Ao evocarem sua memória, os presentes se emocionaram com relatos de sua incansável atuação em defesa das comunidades de terreiro, da liberdade religiosa e da valorização da cultura ancestral. Bàbá Paulo foi mais que sacerdote — foi agente político e espiritual, cuja voz segue ecoando mesmo após seu retorno ao Orun.

Territórios de fé e saberes reunidos


Com mais de mil participantes presenciais e virtuais conectados de diversos estados brasileiros, o encontro reuniu importantes autoridades afro-religiosas, lideranças comunitárias e representantes de entidades governamentais, como a Fundação Cultural Palmares, o Ministério da Cultura e a Ministra Substituta do TSE Dra. Vera Lucia Santana. O auditório vibrou com discursos potentes, cantos afro-sacros e declarações firmes em prol da inclusão e do respeito aos saberes dos povos tradicionais.

Monção pela reparação: o clamor do Abassá Tumba Jussara

Dentre os desdobramentos políticos do evento, foi redigida uma monção contundente exigindo providências imediatas do IPHAN quanto à reabertura do Abassá Tumba Jussara, Tradicional Casa Matriz com filiadas espalhadas em todo o Brasil e no exterior que se encontra interditado devido a problemas estruturais. A comunidade cobra urgência e respeito à funcionalidade espiritual e social que o templo representa, reforçando que não é apenas uma edificação — é um espaço de cura, ensinamento e conexão ancestral.

Empoderamento em movimento


Mais que discussões institucionais, o evento foi uma expressão viva do protagonismo político dos povos de matrizes africanas, que reivindicam com firmeza o direito de existir em plenitude cultural e espiritual. Cada fala foi um ato de resistência, cada presença, uma afirmação de que esses saberes milenares no continuam inspirando o Brasil que deseja ser mais justo, plural e inclusivo.

Este encontro reafirma que os terreiros não apenas guardam espiritualidade — eles geram cidadania, cultura, memória e transformação. Que a força de Bàbá Paulo siga nos guiando e que a luta por dignidade continue pulsando em cada toque de atabaque, em cada xirê, em cada voz que se levanta contra o apagamento.


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quinta-feira, 12 de junho de 2025

Sessão Solene na Câmara dos Deputados homenageia o Centenário de Nascimento de Mãe Stela de Oxóssi

Por Ògan Assogbá Luiz Alves/ PROJETO ONÍBODÊ 

Em uma cerimônia marcada pela emoção, reverência e reconhecimento histórico, a Câmara dos Deputados realizou nesta quintta-feira 12/06, uma Sessão Solene em homenagem ao centenário do nascimento de Mãe Stela de Oxóssi, uma das figuras mais importantes da história do candomblé no Brasil. O evento ocorreu no Plenário da Casa, em Brasília, e reuniu autoridades religiosas, políticas e representantes da comunidade afro-religiosa de todo o país.

A sessão foi uma iniciativa conjunta dos parlamentares baianos Jaques Wagner (PT-BA), Deputado Bacelar (PV-BA) e Deputada Lidice da Mata (PSB-BA), com o objetivo de lembrar e celebrar a vida e o legado de quem dedicou sua existência à preservação da cultura afro-brasileira e à defesa dos direitos das religiões de matriz africana.


A solenidade teve início com a execução do Hino Nacional Brasileiro, seguido pelo Hino do Ilê Opó Afonjá, terreiro dirigido por Mãe Stela em Salvador, , que sob sua direção se tornou um dos maiores centros culturais e religiosos do candomblé no Brasil.

Após as falas iniciais dos parlamentares organizadores, que destacaram o papel pioneiro de Mãe Stela como guardiã da tradição yorubá no Brasil e como símbolo de resistência contra o racismo religioso, foi exibido um vídeo emocionante produzido especialmente para a ocasião. O documentário reuniu depoimentos, imagens raras e registros históricos que ilustram a trajetória de Mãe Stela, à frente do Opó Afonjá e seu papel central na consolidação do candomblé como expressão cultural e religiosa de relevância nacional.

Um dos momentos mais simbólicos da cerimônia foi a obliteração do selo comemorativo lançado pelos Correios em homenagem à Matriarca do Candomblé Brasileiro. A ação foi conduzida por Paulo Henrique Soares, Superintendente dos Correios em Brasíl, que destacou a importância de eternizar a imagem e a memória de Mãe Stela nos anais da história postal brasileira.


Comovendo todos os presentes, Mãe Ana de Xangô, atual Iyalorixá do Ilê Opó Afonjá, compôs a mesa de honra e proferiu palavras carregadas de sabedoria ancestral e emoção. Em sua fala, ela relembrou a força espiritual e política de Mãe Stela, enfatizando que o legado dela não está apenas nos terreiros, mas também na luta constante por dignidade e visibilidade das religiões afro-brasileiras.

Também compuseram a mesa de honra a Ministra Margareth Menezes, do Ministério da Cultura, que ressaltou o papel fundamental da religiosidade na construção da identidade negra brasileira, assim como representantes dos Ministérios da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, que reafirmaram o compromisso do Estado em promover políticas públicas de proteção às comunidades tradicionais de terreiro. Presentes também os representantes da ATRACAR - Ògan Odé Somi e Mãe Déia Talamugongo, Ògan Assogbá Luiz Alves representando o FOAFRO-DF, o Coletivo DEFENSORES DO AXÉ e o PROJETO ONÍBODÊ.

A Sessão Solene não apenas celebrou uma vida extraordinária, mas também serviu como um importante ato de reparação histórica e reconhecimento institucional às religiões de matriz africana, tantas vezes marginalizadas e perseguidas ao longo da história do Brasil.




Ao final da cerimônia, ecoava entre os participantes a certeza de que Mãe Stela continua viva na memória coletiva, nas práticas rituais, na resistência diária de seus filhos e filhas, e agora, também, na história oficial do país.

Ficha Técnica da Homenagem:

- Evento: Sessão Solene em Homenagem ao Centenário de Nascimento de Mãe Stela de Oxóssi  

- Local: Plenário da Câmara dos Deputados, Brasília-DF  

- Data: 12 de junho de 2025  

- Promoção: Deputados Jaques Wagner (PT-BA), Bacelar (PV-BA) e Lidice da Mata (PSB-BA)  

- Presenças Destacadas: Mãe Ana de Xangô (Iyalorixá do Ilê Opó Afonjá), Ministra Margareth Menezes (Ministério da Igualdade Racial), representantes dos Ministérios da Igualdade Racial e Direitos Humanos  

- Destaque Especial: Lançamento do selo comemorativo pelos Correios


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