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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

10° Encontro Inter-religioso no Ilê Oyá Bagã celebra resistência, ancestralidade e luta contra o Racismo Religioso

Por: Ògan Assogbá Luiz Alves

Nos dias 24 e 25 de janeiro, o Ilê Axé Oyá Bagã, localizado na Zona Rural do Córrego do Tamanduá, em Lago Norte, abre suas portas para mais uma edição do Encontro Inter-religioso  agora em sua décima edição. O evento, conduzido sob a liderança espiritual de Mãe Baiana de Oyá, marca não apenas uma década de diálogo inter-religioso, mas também os 10 anos do ataque incendiário que, em 2016, tentou apagar o sagrado espaço de culto e resistência afro-brasileira.

A história desse encontro nasce de um gesto simbólico e profundo: após o incêndio criminoso que destruiu parte do terreiro, o então Bispo de Brasília, sensibilizado com a violência sofrida pela comunidade, perguntou a Mãe Baiana o que poderia fazer. A resposta foi clara: “Traga uma muda de pau-brasil.” Daquela árvore plantada surgiu um novo tempo — um espaço vivo de encontro, escuta e convivência entre tradições religiosas diversas, consolidando-se como um dos mais importantes atos de resistência espiritual e cultural da capital federal.

Este ano, o tema central gira em torno da 10° Encontro Inter-religioso de Saúde Mental. A juventude está viva! Cura, ancestralidade e saúde mental., articulando ancestralidade, fé e bem viver. A programação se estende por dois dias de acolhimento, trocas e celebração, com a presença tradicional de lideranças religiosas de Brasília e Entorno, representando umbanda, candomblé, catolicismo, espiritismo, budismo, judaísmo, protestantismos e outras tradições.

No domingo inicia com rodas de conversa, seguidas pelo cortejo ritualístico de oferendas ao Caboclo 7 Flechas, figura Ancestral que encarna a proteção dos caminhos e dos povos da floresta. No domingo, após as mesas de abertura e debates, todos se reúnem em torno da já frondosa árvore de pau-brasil, símbolo da reconstrução e da união. Ali, em roda, discutem-se ações concretas contra todas as formas de racismo, com ênfase no combate ao racismo religioso, ainda persistente e violento no Brasil contemporâneo.

A cultura é protagonista em cada momento. A Feira Afro, presente durante todo o evento, valoriza a economia criativa de base comunitária. A roda de capoeira ecoa memórias de luta e liberdade, . O ajeum (almoço) comunitário, regado com sabores da culinária de terreiro, reforça o princípio da partilha, pilar fundamental da espiritualidade afro-brasileira. 


Mais do que um encontro, o Ilê Oyá Bagã se afirma como casa aberta, corpo coletivo e território de cura compartilhada. Neste 10º Encontro, o evento reafirma que a fé, quando tecida em rede, é antídoto contra o ódio e semente de um futuro mais justo, plural e compassivo.




Serviço:  

Ilê Axé Oyá Bagan | 10° Encontro Inter-religioso de Saúde Mental

A juventude está viva! Cura, ancestralidade e saúde mental.

Sábado, 24.01.26


Seminário | Ilê Axé Oyá Bagan de Portas Abertas: Musealização e Biointeração


10h | Mesa 1 - Inventário de plantas do Ilê Axé Oyá Bagan: extensão universitária, musealização e biointeração

11h15 | Mesa 2  - Confluências, saberes e atravessamentos no envolvimento do inventário de plantas do Ilê Axé Oyá Bagan

12h30 | Lançamento de livro

Inventário de plantas do Ilê Axé Oyá Bagan: musealização e biointeração 

13h | Ajeum 


Domingo, 25.01.26x

09h | Café da manhã | acolhimento de participantes e convidados

10h | Cortejo de berimbaus

Balaio Escola de Capoeira Angola (BECA) + Cortejo Caboclo 7 Flechas

10h30 | Mesa de abertura

11h30 | Roda de Conversa Inter-religiosa

Tema: Juventude Neurodivergente

13h30 | Almoço comunitário

Apresentação cultural: 

Martinha do Coco e Banda convidam: Nóz Marias

15h | Toque de Caboclo 7 Flechas

15h30 | Lanche da tarde

Durante todo o evento | Feira Afro


Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

Axé!

*APOIE, DIVULGUE E INCENTIVE O ONÍBODÊ (O PORTEIRO) por uma comunicação ANTI-FACISTA, ANTI-RACISTA e de apoio à Nossa Comunidade Negra e Afro Religiosa com doações a partir de R$25,00 (vinte e cinco reais)*

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sábado, 6 de dezembro de 2025

Encerramento do Projeto Kitanda do Saber celebra sabedoria Ancestral e protagonismo feminino na Casa Luz de Yorimá

Por : Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

Brasília, 6 de dezembro de 2025 A Casa Luz de Yorimá, na quadra 905 Norte, foi palco de uma celebração profunda e transformadora na noite desta sexta-feira. Sob a liderança de Mãe Leila de Oxóssí, o Projeto Kitanda do Saber chegou ao seu encerramento com uma cerimônia que marcou o fechamento de um ciclo e ao mesmo tempo reafirmou o compromisso com a preservação da cultura afro-brasileira, o fortalecimento da identidade negra e o protagonismo das mulheres.


Ao longo dos últimos meses, o projeto se consolidou como um espaço vivo de troca de saberes. Nele, religiosidade, educação popular, oralidade e arte se entrelaçaram para resgatar memórias, curar feridas históricas e fortalecer corpos e vozes. Cada encontro foi uma afirmação de existência, um ato de resistência cotidiana e um convite à reexistência.



O encerramento contou com a presença marcante do Coletivo Sambadeiras de Roda. Composto por mulheres negras que transformam a percussão em oração e a roda em altar, o grupo trouxe para o terreiro a força da Ancestralidade através do som dos tambores, do canto coletivo e da dança de roda. Sua apresentação não foi apenas performance. Foi convocação. Foi memória em movimento. Foi corpo que reza, que canta, que resiste.




Mãe Leila de Oxóssí conduziu o encontro com a autoridade espiritual e a ternura de quem entende que cuidar da comunidade é também cuidar do Sagrado. Em seu discurso, destacou que o projeto foi um ato de amor coletivo, um exercício de responsabilidade com as gerações passadas e futuras. Ela ressaltou que ali, meninas e mulheres encontraram espelhos — viram suas mães, avós, bisavós e, principalmente, viram a si mesmas refletidas na força do saber ancestral.




A noite seguiu com oferendas en forna de música, danças, afetos e um abraço coletivo que ecoou como símbolo de pertencimento e proteção. Em tempos de ataques à liberdade religiosa e à cultura negra, cada gesto ali realizado foi um ato político. Cada tambor foi um grito de existência. Cada palavra foi um ato de reparação.




Todos também ficaram maravilhados com as peças que estavam à venda no brechoó montado, lindas peças e todas muito bem apresentadas.


Aconteceu também a montagem de uma exposição fotográfica mostrando todos os eventos ocorridos durante esta etapa do projeto, dando a possibilidade de se ter uma noção da grandiosidade do mesmo e das atividades como: oficinas, contagem de histórias, danças, etc.



O Projeto Kitanda do Saber encerra sua primeira etapa, mas deixa um legado sólido. A semente foi plantada com cuidado, regada com fé e cultivada com coragem. E como ensinam as mulheres que constroem futuro com as mãos na terra e os pés na tradição, o que nasce da verdade não morre. Retorna. Cresce. Multiplica-se.

Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

Axé!

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domingo, 9 de novembro de 2025

Batalha de Conhecimento: Rap, Ancestralidade e Resistência Feminina no Terreiro Casa Luz de Yorimá

Por: Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

 
BRASÍLIA, 09/11/2025 – Em uma noite de sábado que harmonizou tradição e contemporaneidade, o Terreiro Casa Luz de Yorimá, na 509 Norte, foi palco de um evento histórico: a "Batalha de Conhecimento". Mais do que uma simples disputa de rimas, o encontro foi um ato político, cultural e espiritual, reunindo mulheres para reafirmar seu espaço de fala e poder dentro da cena do rap. O evento, realizado no dia 08 de novembro, teve a força ancestral das quitandeiras como tema central, criando um fio condutor entre o passado de luta e o presente de resistência.


Sob a organização da FUGAZZI, integrante do Coletivo ELAS NO MIC, a batalha trouxe para o centro do palco – ou melhor, para o centro do terreiro – algumas das vozes femininas mais potentes do rap do Distrito Federal e Entorno. O evento integra o PROJETO QUITANDA CULTURA E SABERES, uma iniciativa que, como o nome sugere, vai além do entretenimento, semeando conhecimento e colhendo saberes.

O tema "QUITANDA" foi escolhido com profundo significado. Longe de ser um mote qualquer, serviu como uma homenagem direta às mulheres negras quitandeiras que, durante o período escravocrata, transformaram a venda de produtos em uma estratégia de sobrevivência, sustento familiar e, crucialmente, na possibilidade concreta de comprar alforrias para seus entes queridos. Essas mulheres, com seus tabuleiros e cestos, foram as primeiras empreendedoras e gestoras de suas próprias vidas e destinos em um sistema designado para aniquilá-las.





Ao transportar essa simbologia para as rimas, as MCs resgataram essa narrativa de autonomia e resiliência. Os versos ecoaram a força dessas antepassadas, traçando paralelos entre a luta pela liberdade no passado e as batalhas contemporâneas por equidade de gênero, respeito e visibilidade dentro do hip-hop e da sociedade. A quitanda, então, se tornou uma metáfora poderosa para o comércio de ideias, a sementeira da palavra consciente e o sustento da cultura de resistência.

A localização do evento não foi aleatória. Ao trazer o Coletivo ELAS NO MIC para um terreiro de Umbanda no coração do Plano Piloto, Mãe Leila - Auracyara, idealizadora do Projeto Quitanda, enviou uma mensagem clara sobre a quebra de barreiras socioculturais. Em suas palavras, que ecoam como um princípio: "NOSSO PROJETO ROMPE MUROS INVISÍVEIS QUE EXISTEM ENTRE O CENTRO E A PERIFERIA."



Esta afirmação é fundamental. Ela desafia a geografia simbólica de Brasília, promovendo um diálogo urgente e necessário. O terreiro, espaço sagrado de resistência cultural e religiosa, abraça o rap, expressão artística nascida na periferia, criando um território comum de poder e identidade. É a periferia ocupando e ressignificando o centro, não através da força, mas através da cultura, da fé e do conhecimento.

O COLETIVO ELAS NO MIC cumpre um papel vital nesse ecossistema. Ao fortalecer a presença das mulheres na cultura urbana, o coletivo não apenas amplia a representatividade, mas também diversifica e enriquece a criatividade no rap e em todas as expressões periféricas. Elas não estão apenas ocupando um espaço que lhes foi negado; estão reformulando a própria narrativa do gênero, com suas próprias vozes, suas próprias histórias e sua estética singular.











A "Batalha de Conhecimento" no Terreiro Casa Luz de Yorimá foi, portanto, muito mais que um evento cultural. Foi um ritual moderno de afirmação. Um momento em que o tambor do terreiro encontrou a batida do rap, onde a força dos orixás se fez presente na potência das rimas, e onde o legado das quitandeiras ancestrais foi celebrado como a raiz de uma luta que continua viva, fértil e gerando novos frutos de liberdade.

 






Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

Axé!

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