Por [Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ
O som dos atabaques não apenas ecoava pelas paredes do terreiro; ele vibrava no peito de cada presente, anunciando que a noite era de vitória, de fundamento e, acima de tudo, de ancestralidade viva. O Ilê Axé Odé Erinlé dirigido por Pai Ricardo de Oxóssi vestiu-se de festa para celebrar os sete anos de iniciação de Ogunifé, um marco sagrado que o consagra agora como o mais novo Egbom da casa de Odé.
A celebração, conduzida com maestria pelo dirigente Pai Ricardo de Oxóssi, contou com o suporte fundamental de Omisilê (Pai Pequeno) e da Ajoyê Omilewa, reafirmando a estrutura de acolhimento e hierarquia que sustenta nossas comunidades. Mas o que se viu foi além do rito: foi um encontro de mundos que a força de Ogun, em sua forma humana, consegue unir.
Um Elo entre o Sagrado e o Social
Ogunifé é o "filho do ferreiro que temperou o mais forte aço", e essa têmpera reflete-se em sua trajetória. A sala estava repleta não apenas de irmãos de fé, mas de amigos que acompanham sua caminhada profissional e acadêmica. A presença de professores da UNB e representantes dos Ministérios da Igualdade Racial e do Meio Ambiente — onde Ogunifé prestou serviços relevantes — demonstrou que o Axé não está isolado da sociedade; ele ocupa espaços de poder, de intelecto e de transformação social.
A alegria era um sentimento coletivo. O clima de irmandade se manifestou na dedicação de cada filho da casa, que se revezou em escalas e horários de serviço para que nenhum detalhe faltasse. O sorriso no rosto de cada um era o reflexo do orgulho por ver um irmão alcançar a maturidade espiritual.
O Grito de Guerra e a Dança dos Orixás
O momento mais esperado paralisou o ambiente: a entrada do Filho do Homem que se veste de Mariiwo. Quando Ogun adentrou a sala, seu Ilá (grito) estrondoso não foi apenas um anúncio de presença, mas um manifesto de resistência: "Ainda estamos aqui!".
Ogun, o General de nossas lutas, mostrou que sob sua regência, a vitória é o único caminho. Ele não chegou só; trouxe consigo convidados e convidadas do Orun para o Run, abrilhantando a festa em uma dança de força e beleza que renovou o axé de todos os presentes. A cada movimento, Ogun confirmava que está conduzindo a vida de Ogunifé, dia após dia, para conquistas ainda maiores.
Comunidade, Cuidado e Conscientização
Após a intensidade espiritual, o corpo foi alimentado por uma feijoada indescritível, preparada com o carinho e o tempero de Ogun Tonã, outro filho do ferreiro.
Como Ògan Assogbá da casa, aproveitei este momento de união como tenho feito em diversas casas onde tenho ido, para reafirmar nosso compromisso com a ética e o respeito dentro das comunidades de terreiro. Durante a festividade, realizei a distribuição da cartilha "QUEM É DE AXÉ NÃO ASSEDIA!".
"É fundamental que nossos espaços de sagrado sejam também espaços de absoluta segurança e acolhimento, livres de qualquer forma de violência ou assédio."
A receptividade tem sido emocionante. Já temos diversas casas agendadas para nossas rodas de conversa sobre o tema. Afinal, ser de Axé é cuidar do outro. Você deseja realizar uma roda de conversa em sua casa? Entre em contato comigo e vamos fortalecer nossa comunidade juntos!
Que Ogun continue abrindo os caminhos de Ogunifé, o novo Egbom, com a força do aço e a justiça de sua espada.
Ogunhê!
Que o axé seja multiplicado.
Axé!
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