No coração pulsante de Brasília, terra onde o poder político se concentra e onde as decisões que moldam o país são tomadas, um encontro histórico aconteceu no Ilê Magbá Biolá, sob a direção das respeitadas Iyá Mãe Djé de Nanã e Iyá Mãe Ruth de Ogun. Lideranças Afro Religiosas da Capital Federal e do Entorno se reuniram em um ato de empoderamento coletivo, colocando em pauta não apenas suas demandas ancestrais, mas traçando novos caminhos para a participação política de suas comunidades no cenário eleitoral que se desenha.
A articulação do encontro foi conduzida por Mãe Baiana, que, em diálogo profundo com Ògan Assogbá Luiz Alves, construiu uma proposta audaz: trazer perspectivas renovadas para a comunidade afro religiosa diante do complexo tabuleiro político da região. O que se viu no Ilê Magbá Biolá foi muito mais do que uma reunião — foi a materialização do axé como ferramenta de transformação social.
A força da união: representatividade que ecoa
O encontro contou com a presença robusta de diversas organizações que compõem a trama viva da resistência afro religiosa no Distrito Federal:
RENAFRO-DF** (Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras)
FOAFRO-DF
PROJETO ONÍBODÊ
DEFENSORES DO AXÉ
Jovens de Axé da RENAFRO-DF**
Homens de Axé da RENAFRO-
Coletivo As Iyás do DF e Entorno
ATRACAR
Sociedade Civil Organizada
A pluralidade de vozes presentes — desde os jovens que carregam o fogo do axé até as matriarcas que preservam a sabedoria ancestral — demonstrou que o movimento afro religioso de Brasília está maduro para ocupar espaços de poder com a mesma determinação com que ocupa seus terreiros.
Das prioridades comunitárias à estratégia política: o axé como instrumento de cidadania
A pauta do encontro foi construída a partir das prioridades e demandas das comunidades. Longe de serem meros espectadores do processo político, as lideranças presentes assumiram seu papel de protagonistas, mapeando as necessidades concretas de seus terreiros, seus filhos e filhas de santo, e a população negra que sofre com o racismo estrutural e a intolerância religiosa. Entre as discussões ficou decidido a reestruturação do FOAFRO-DF e quanto instrumentos de luta no combate ao RACISMO RELIGIOSO.
A transição para a análise política da conjuntura atual foi natural. As lideranças debateram com rigor o cenário eleitoral, examinando os perfis dos pré-candidatos aos mandatos eletivos no próximo pleito. A proposta foi clara: compreender com profundidade quem são os políticos que se apresentam como representantes do povo, quais suas trajetórias, compromissos e, sobretudo, sua relação com as pautas afro, antirracistas e de respeito às religiões de matriz africana.
Não queremos mais ser apenas objeto de políticas públicas — queremos ser sujeitos que as concebem, exigem e fiscalizam, ecoou entre as conversas no terreiro.
Documento de posicionamento: o axé se torna palavra escrita
Das discussões surgirá um documento oficial que consolidará as decisões e posicionamentos do encontro. Este texto não será apenas um registro interno: será apresentado à Comunidade Afro Religiosa e a todos os interessados no fortalecimento da democracia participativa e na luta contra a intolerância religiosa.
O documento representa um marco. É a materialização do entendimento de que a espiritualidade afro não se separa da cidadania, e que o terreiro é também um espaço de formação política, de conscientização e de organização comunitária.
A confraternização: o axé que alimenta
Nenhum encontro de matriz africana estaria completo sem o momento de partilha. O almoço servido no Ilê Magbá Biolá foi gostoso e farto, fruto de uma colaboração coletiva onde cada participante trouxe um prato e bebidas. Mais do que alimentar o corpo, esse gesto simbolizou a essência do candomblé e das religiões afro-brasileiras: a comunhão, o compartilhamento, a reciprocidade.
Cada prato carregava histórias, sabores de diferentes terreiros, memórias afetivas e a resistência cultural que se mantém viva através da culinária sagrada e da comida de axé. A confraternização selou o compromisso: a luta política é também uma celebração da vida, da ancestralidade e da esperança.
O que vem por aí
O encontro no Ilê Magbá Biolá sinaliza uma nova fase para as lideranças afro religiosas de Brasília e entorno. Longe de se restringirem aos espaços de culto, elas se organizam para intervir ativamente no processo político, exigindo respeito, representatividade e políticas públicas que atendam suas demandas históricas.
Com o documento de posicionamento em construção e a mobilização das diversas frentes organizativas, o movimento afro religioso da capital federal se coloca como ator político indispensável para as eleições que se aproximam. O axé, que há séculos resistiu à escravização, ao racismo e à intolerância, agora também se organiza para conquistar espaços no Congresso Nacional, na Câmara Legislativa e nas câmaras municipais da região.
O Ilê Magbá Biolá, sob a guarda de Mãe Djé de Nanã e Mãe Ruth de Ogun, foi mais um terreiro neste dia: foi um parlamento de ancestralidade, onde o sagrado e o político se encontraram para traçar novos caminhos.
Axé às lideranças, axé à resistência, axé ao futuro que se constrói coletivamente.
Veja aqui as fotos do encontro.
Laroyê, Seu Tranca Ruas! Ora Yê Yê Ô, Oxum!
Que o axé seja multiplicado.
Axé!
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