sexta-feira, 8 de maio de 2026

O Rufar dos Tambores que Ecoa Ancestralidade: O Renascer do Sagrado no Ilê Magbá Biolá

 



Por: Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

No último dia 02 de maio, as ruas de Águas Claras foram preenchidas por um magnetismo que transcende o visível. Sob o céu que abraça o Distrito Federal, o Ilê Magbá Biolá abriu suas portas para uma celebração que não foi apenas um rito, mas um manifesto de resistência, amor e pertencimento. O toque em homenagem a Ogun, Oxóssi e Iemanjá reuniu a comunidade em torno do axé, reafirmando que a religiosidade afro-brasileira é, acima de tudo, uma celebração da vida e da continuidade.

A cerimônia, conduzida com maestria e doçura por Mãe Ruth Ty Ogun e Mãe Dìjé Ty Nanà, sob a orientação zelosa de Pai Ricardo de Omolú - Ilê Onì Bó Ará Ikò , foi o cenário de um encontro potente com o Sagrado. Em cada cântico e em cada movimento do Xirê, sentia-se a presença vibrante dos Orixás, guiando seus filhos por caminhos de cura e luz.


Ciclos de Vida e Consagração: Os Homenageados

O toque teve um significado profundo ao celebrar marcos espirituais importantes (Oduns) na caminhada de três iniciados, simbolizando o amadurecimento e a renovação de votos com a divindade:

  • Divino Ty Ogun: Celebrou seu Òdun Mèje (7 anos), um ciclo de consolidação e confirmação de seu caminho sob a proteção do ferreiro dos Orixás.

  • Yárobá Zúlmira Inez Ty Iemanjá: Comemorou seu Òdun Érinlá (14 anos), uma trajetória de águas profundas, acolhimento e sabedoria dedicada à Mãe de todos os Orís.

  • Letícia de Oxóssi: Festejou seu Odú Metá (3 anos), o florescer de uma jornada marcada pela busca e pela precisão do caçador.


Uma Teia de Afeto e Autoridade Religiosa

A força do evento também se manifestou na presença de figuras ilustres da comunidade religiosa. O Ilê Magbá Biolá tornou-se o ponto de convergência para diversas autoridades, com destaque para a participação do Coletivo das Iyás do DF. A presença dessas lideranças femininas trouxe um peso ancestral ao ambiente, reforçando o papel fundamental das mulheres na preservação e transmissão dos saberes de matriz africana.

Foi um momento de "aquilombamento" urbano. Entre o som do adarrum e o cheiro das comidas rituais, o que se viu foi o fortalecimento de uma rede de apoio e fé que resiste às adversidades do tempo e do preconceito.

"Celebrar o Orixá é celebrar a nossa própria existência. Quando Ogun abre os caminhos, Oxóssi nos traz a fartura e Iemanjá nos acalma a alma, entendemos que nunca estamos sós."


Fé, Empoderamento e Identidade

Mais do que um evento religioso, o toque do dia 02 de maio foi uma demonstração de orgulho identitário. Ver o branco imaculado das vestes contrastando com o brilho dos fios de conta é um lembrete visual da nobreza das nossas raízes.

O Ilê Magbá Biolá, sob a regência de suas matriarcas e a sabedoria de Pai Ricardo, entregou à comunidade não apenas uma festa, mas uma dose renovada de esperança. Saímos de lá com a certeza de que o axé está vivo, pulsante e pronto para enfrentar os desafios, sempre sob a proteção dos deuses que dançam entre nós.

Que a força de Ogun, a astúcia de Oxóssi e o colo de Iemanjá continuem a abençoar esta casa e todos os seus filhos. Axé!


Que o axé seja multiplicado.

Axé!

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