Por Ògan Assogbá Luiz Alves Brasília, DF — Fevereiro de 2026
Sob a bênção das árvores centenárias e o canto sagrado dos pássaros que guardam a memória da terra, o Quilombo Mesquita, nas cercanias de Brasília, pulsou na última semana com a força ancestral do Axé. Ali, entre raízes expostas e chão batido por gerações de resistência, o Grupo Cultural Rum Black realizou ensaio histórico — não apenas uma preparação para as festas do Rei Momo, mas um ato de reexistência que transformou o espaço em templo vivo da cultura de matriz africana.
Comandados por Pai Ògan Cezinha de Xangô — cada batida firme no timbal ecoa a justiça do orixá das pedreiras — e sua companheira Luanda de Oxum, cuja doçura dourada fluía nos movimentos como as águas doces da cachoeira, o grupo dançou, cantou e respirou em uníssono. Não havia ensaio técnico ali; havia encontro. Encontro de corpos que carregam a memória do tambor, de vozes que entoam toques como prece, de pés que batem na terra não como coreografia, mas como diálogo com os ancestrais.
"O Axé não se ensaia — ele se recebe", afirmou Pai Cezinha entre um toque ancestral e outro, enquanto os atabaques vibravam em frequência capaz de mover até as folhas das arvores. E foi exatamente isso que se viu: uma energia positiva tão densa que parecia visível — um manto dourado envolvendo cada participante, cada criança que corria entre os dançarinos, cada idoso que balançava o corpo na cadência do ijexá.
Em meio à efervescência rítmica, um gesto de profunda conexão com a terra: Lidi, simpática agente ambiental e guardiã das plantas do espaço, regava mudas de ervas sagradas — alecrim, espada-de-ogum, manjericão — que serão distribuídas durante o evento como bênção verde. Ali, religiosidade e ecologia se fundiam: cuidar da terra é cuidar do Orixá; plantar é rezar com as mãos.
Ao final do ensaio, momento de responsabilidade social e ética comunitária: Ògan Assogbá Luiz Alves distribuiu exemplares da cartilha "QUEM É DE AXÉ NÃO ASSEDIA!", material educativo que circulará em todas as atividades do grupo. A iniciativa reforça um princípio ancestral esquecido por muitos: quem carrega Axé carrega também respeito, limites e zelo pelo próximo — especialmente pelas mulheres, crianças e vulneráveis nos espaços religiosos e culturais.
O Rum Black leva para as ruas não apenas dança, mas uma proposta de existência: a cultura afro-brasileira como força transformadora, como política de corpo, como resistência alegre. Sua apresentação na próxima segunda-feira (16), em Valparaízo de Goiás — GO, durante as festividades do Rei Momo, será mais que espetáculo: será manifesto vivo de que o carnaval, em suas origens, é território sagrado da negritude.
Enquanto os tambores esfriavam, o canto de um sabiá fechou o encontro. Naquele quilombo, por algumas horas, o tempo dobrou: passado, presente e futuro se encontraram na batida do mesmo tambor. E o Axé — esse fogo que não queima, mas ilumina — seguiu viagem, pronto para incendiar as ruas com a chama da ancestralidade em movimento.
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Serviço
-Apresentação do Grupo Cultural Rum Black Quando:** Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Onde: Desfile de Carnaval de Valparaíso de Goiás — GO
Destaque: Distribuição de mudas de ervas sagradas durante o cortejo
Contato: Luanda 61 98369-3697
Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união.
Axé!
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