quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Do Balcão da Feira para as Urnas: Águas Lindas Mostra que a Campanha do Segundo Turno se Faz com o Povo e para o Povo

Por Ògan Asogba Luiz Alves /PROJETO ONIBODÊ 

ÁGUAS LINDAS DE GOIÁS.  O calor do cerrado goiano invadiu a Feira Central na noite de quarta-feira, 7 de outubro de 2026. Mas o burburinho que tomou conta dos corredores entre bancas de verduras e barracas de pastel não era apenas sobre preço de tomate ou a movimentação do comércio. Era sobre o futuro do Brasil. E, mais especificamente, sobre como garantir que a classe trabalhadora de Águas Lindas tenha voz ativa na disputa que definirá os rumos do país no segundo turno.

O Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) de Águas Lindas de Goiás promoveu, naquela noite, uma reunião aberta com a comunidade para debater estratégias e ações de campanha pela reeleição do presidente Lula. O local escolhido não foi o auditório de uma sede partidária qualquer, mas o coração pulsante da cidade — a Feira Central, espaço onde a economia popular respira e onde a política precisa, necessariamente, aprender a falar a língua do povo.

E a resposta da comunidade foi à altura do chamado. Trabalhadores autônomos, donas de casa, jovens estudantes, aposentados e lideranças comunitárias lotaram o espaço destinado ao debate. A participação expressiva não apenas superou as expectativas da organização, como demonstrou que a militância petista em Águas Lindas não está disposta a assistir à disputa do segundo turno de camarote. Quer ocupar as ruas, as feiras, as portas de casa. Quer conversar, olhar no olho, reconstruir pontes.


O que estava em jogo: estratégia, escuta e mobilização


A pauta da reunião foi construída com os pés no chão da realidade local. Não se tratava de discurso vazio ou de retórica inflamada, mas de um plano de ação concreto, costurado a partir das necessidades e desafios que a militância identifica no dia a dia da cidade.

Entre os principais pontos debatidos, destacaram-se:


1. A ampliação da divulgação das conquistas dos direitos dos trabalhadores. Os participantes defenderam que não basta listar números ou citar índices macroeconômicos. É preciso traduzir cada conquista em linguagem acessível: o reajuste real do salário mínimo, a valorização da renda, a retomada de obras e investimentos que geram emprego e renda nos municípios. A ideia é que cada voluntário seja capaz de mostrar, com exemplos palpáveis, como as políticas do governo federal chegam ao bolso e à mesa do trabalhador de Águas Lindas.

2. A manutenção e a defesa intransigente dos programas sociais. O Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Mais Médicos, o Gás do Povo — programas que mudaram a vida de milhares de famílias na cidade — precisam ser apresentados não como favor, mas como direito. E, mais do que isso, precisam ser defendidos como conquistas que estão sob risco real caso o projeto adversário prevaleça nas urnas. A militância foi orientada a tratar cada programa como parte de um legado que não pode ser desmontado.

3. Novas formas de abordagem nas panfletagens. A reunião foi enfática: o panfleto sozinho não convence mais. É preciso estabelecer conexão. Os voluntários foram incentivados a adotar uma escuta ativa — perguntar, ouvir, entender a realidade de cada eleitor antes de apresentar propostas. A técnica do "boca a boca qualificado", que combina escuta e argumentação, foi apontada como a mais eficaz para conquistar corações e mentes neste segundo turno.

4. A busca pelos votos indecisos. O cenário político nacional ainda apresenta um contingente significativo de eleitores que não se sentem representados por nenhum dos projetos em disputa. A estratégia debatida em Águas Lindas passa por identificar esses eleitores e apresentar a eles não apenas propostas, mas uma visão de país: um Brasil que inclui, que investe em educação, saúde e infraestrutura, que valoriza o trabalho e a dignidade da população.

5. A reconquista de quem votou nulo ou se absteve no primeiro turno. Este foi um dos pontos mais sensíveis e estratégicos da reunião. Mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas ou anularam o voto no primeiro turno. Em Águas Lindas, essa realidade também se fez presente. A orientação é clara: não se trata de julgar, mas de acolher. Muitos desses eleitores se afastaram por descrença, por desinformação ou por dificuldades concretas de acesso à informação. O trabalho agora é reconstruir a confiança, mostrar que a política — quando feita com seriedade e compromisso — pode transformar vidas.

6. O engajamento de jovens e idosos na campanha. A reunião destacou a importância de integrar diferentes gerações na militância. Os jovens trazem a energia, a linguagem das redes sociais e a capacidade de dialogar com um eleitorado conectado. Os idosos trazem a memória, a credibilidade das lutas históricas e a confiança construída em décadas de relação com a comunidade. A combinação dessas forças foi apontada como essencial para uma campanha vitoriosa.

7. A conexão com o Diretório Nacional da campanha. Nenhuma campanha se vence isoladamente. Os participantes reforçaram a necessidade de manter um canal aberto e permanente com o Diretório Nacional do PT e com a coordenação da campanha de reeleição do presidente Lula. Isso significa alinhar discursos, compartilhar materiais, receber orientações estratégicas e, sobretudo, garantir que a realidade de Águas Lindas — com suas demandas específicas de cidade da periferia metropolitana — seja ouvida e considerada nas decisões nacionais.



A força que vem da base

O que se viu na Feira Central de Águas Lindas não foi apenas uma reunião de partido. Foi um ato de resistência democrática, de afirmação da política como ferramenta de transformação social. Enquanto o país se prepara para o segundo turno — marcado para o próximo dia 25 de outubro —, a militância petista da cidade demonstra que entendeu o recado das urnas: é preciso sair do comodismo, ocupar os espaços, dialogar com quem pensa diferente e, acima de tudo, não permitir que o medo ou a desinformação silenciem a voz do povo trabalhador.

A reunião terminou com uma convocação clara: cada participante se tornará um multiplicador. Cada conversa na fila do pão, cada roda de vizinhos, cada grupo de WhatsApp será espaço de debate e de mobilização. Porque a eleição não se decide apenas nos estúdios de TV ou nas bolhas digitais. Decide-se na feira, na porta de casa, no ponto de ônibus, no balcão do comércio.

Em Águas Lindas, a militância deixou claro: a campanha do segundo turno começou. E começou com o pé no chão, com a orelha atenta e com o coração na comunidade. Como resumiu uma liderança comunitária presente ao encontro: "Não estamos aqui para convencer ninguém com promessas vazias. Estamos aqui para lembrar o que já foi conquistado e para garantir que o povo continue sendo prioridade. O Brasil que queremos se constrói com a força de quem nunca desistiu."


A luta contina. E em Águas Lindas de Goiás, ela tem nome, rosto e voz!

Que o axé seja multiplicado.

Axé!

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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Axé na Roça, Força na Luta: A Noite que Fez Samambaia Reluzir em Julho

 


Fotos: Filhos do Templo Rosa Branca

O cheiro de milho assado e canela não serve apenas para despertar o apetite. Em Samambaia, no Distrito Federal, esses aromas carregam memória. No dia 18 de julho de 2026, um sábado que marcou o calendário da comunidade, o Templo Rosa Branca Terreiro de Umbanda se transformou em um farol de resistência cultural. Sob a liderança espiritual de Mãe Cícera de Oxum, a tradicional Festa Julhina provou que a alegria também é uma forma de luta.

Não foi apenas uma reunião social. Foi um ato de afirmação. O terreiro, conhecido por ser um espaço de acolhimento e cura, abriu suas portas para que a comunidade pudesse celebrar sua identidade sem máscaras. A tarde cedeu lugar à noite, mas a luz permaneceu. Não vinha dos postes da cidade, mas do brilho nos olhos de quem encontrou ali um refúgio seguro. Entre os presentes, destacava-se a presença firme de Mãe Baiana de Oyá, cuja energia ancestral parecia dialogar diretamente com cada sorriso trocado no salão.

A política também esteve presente, não como discurso vazio, mas como compromisso com a vida. Andrei Lemos, pré-candidato a deputado distrital e defensor incansável da saúde do povo de Axé, circulou entre as barracas de comida típica. Sua presença reforçou a necessidade urgente de políticas públicas que respeitem e protejam as tradições afro-brasileiras, estiveram presentes també: a pré-candidata ao Senado a Deputada Federal Érika Kokai e o pré-cadidato a Deputado Federal, Deputado Distrital Fábio Feliz.  Eles não estavam ali apenas para aparecerem. Estavam ali para ouvir, para sentir o pulso da comunidade que tanto defende nos corredores do poder legislativo.




As brincadeiras juninas ecoavam risadas genuínas. O jogo da argola, a pescaria, o correio elegante. Cada atividade era um pretexto para o encontro humano. As mesas transbordavam com pamonha, quentão, bolo de fubá e canjica. Alimentos que nutrem o corpo e a alma. Nos palcos improvisados, cantores locais entregaram suas vozes, transformando o ambiente em uma grande roda de samba e toada. A música não era apenas entretenimento. Era oração cantada. Era celebração da vida.







No centro de tudo, o casal Mãe Cícera e Dago. Eles não apenas organizaram o evento. Eles o viveram. Com uma simplicidade poderosa, receberam cada visitante como se fosse família. A tradição que construíram em Samambaia já não é mais apenas deles. Pertence àqueles que ali encontram paz, pertencimento e força. A festa julhina do Instituto Rosa Branca mostrou que a cultura afro-brasileira não sobrevive apenas na resistência silenciosa. Ela prospera na alegria compartilhada, no abraço apertado, no axé que circula livremente entre todos os presentes.

Enquanto a noite avançava sobre o DF naquele 18 de julho, o terreiro permanecia aceso. Não apenas pelas lâmpadas coloridas, mas pela chama da esperança que Mãe Cícera de Oxum e sua comunidade mantêm viva. Uma esperança que se alimenta de fé, de luta e, acima de tudo, de amor.





Que o axé seja multiplicado.

Axé!

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segunda-feira, 6 de julho de 2026

O Axé Ocupa a Prainha: Resistência, Saúde e Tradição na Praça dos Orixás


 

Por: Ógan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

Enquanto os olhos de grande parte do país estavam voltados para a tela da TV acompanhando o jogo da Seleção Brasileira, o verdadeiro gol de placa do domingo aconteceu às margens do Lago Paranoá. Homens e mulheres de axé, lideranças tradicionais e defensores dos direitos humanos se reuniram na Praça dos Orixás — carinhosamente conhecida como Prainha — para a primeira edição do Circuito Praça Afro Candanga. O encontro, realizado pelo Instituto Rosa dos Ventos, marca o início de uma ocupação mensal (sempre no primeiro domingo de cada mês) voltada para a revitalização, preservação e fortalecimento do único espaço público dedicado ao Sagrado de Matriz Africana e Ameríndia no Distrito Federal.

A existência da Prainha é um marco de resistência. Enquanto as religiões cristãs contam com uma Praça da Bíblia em praticamente todas as Administrações Regionais do DF, o povo de terreiro dispõe de apenas esse território para suas manifestações coletivas. Ainda assim, o local sofre com constantes ataques de intolerância religiosa e com a omissão do poder público. Por isso, o Circuito nasce com a premissa de que o território é vivo, e que a saúde integral da nossa comunidade brota do respeito à tradição e da força dos nossos passos ancestrais.

Vozes de Axé e Alianças Políticas

A mesa de conversa, mediada com sensibilidade pela Ekédjí Stéfane, reuniu referências fundamentais do nosso território. Compuseram o debate: Mãe Baiana (representando a Renafro Nacional e Centro-Oeste),  Tata Kanamburá (Maracatu Boi Brillante), Mãe Vilcilene de Jagun (Coletivo das Iyás do DF) e o Ògan Assogbá Luiz Alves (FOAFRO-DF, Projeto Oníbodê e Coletivo Defensores do Axé).

Em uma costura firme de ideias, a comunidade debateu a urgência de políticas públicas eficazes e a resolução de problemas históricos que afetam os povos tradicionais da região. A força do encontro atraiu caravanas e representantes de Planaltina de Goiás, Samambaia, Paranoá, Águas Lindas de Goiás e diversas outras localidades do DF e Entorno.

O clamor da comunidade também foi ouvido por esferas institucionais. Representantes do Governo Federal estiveram presentes para colher as demandas e prioridades do segmento. No campo da política local, o espaço recebeu o pré-candidato ao Governo do DF, Leandro Grass, e o pré-candidato a Deputado Distrital Andrey Lemos — este último, um homem negro, ativista da saúde da população de terreiro e que carrega a responsabilidade e a vivência de ser um Ògan. Ambos foram escutar, de peito aberto, os anseios de uma comunidade que cansou de ser invisibilizada.

Cultura que Cura

Como o axé não se faz sem o corpo que dança e a voz que canta, a tarde foi coroada com a apresentação cultural do grupo Sambadeiras de Bimba, sob a regência firme e encantadora de Mãe Betinha de Oxum. O som do couro e o movimento das saias lembraram a todos os presentes que a nossa cultura é a nossa maior salvaguarda.

O Circuito Praça Afro Candanga fincou sua bandeira: a Prainha é nossa, é sagrada, e continuará sendo solo de troca, cura e resistência. Que venha o próximo primeiro domingo de agosto!


















Que o axé seja multiplicado.

Axé!

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