Por: Ògan Assogbá Luiz Alves/ PROJETO ONÍBODÊ
ÁGUAS LINDAS DE GOIÁS – O último domingo, 22 de março, não foi apenas mais um dia no calendário litúrgico para o povo de santo da região. O Terreiro de Pai Aguein tornou-se o epicentro de uma manifestação de fé que reverberou muito além de seus muros. Em um toque magistral dedicado a Oxalá, o Orixá da criação e da pureza, a comunidade testemunhou o que acontece quando a ancestralidade e o respeito à linhagem se encontram em harmonia.
A cerimônia foi marcada por um simbolismo profundo, reafirmando a força das religiões de matriz africana no coração do Brasil.
A Força da Linhagem e o Encontro de Axé
O ponto alto da celebração foi a condução conjunta do ritual. Pai Aguein, anfitrião e guardião da casa, dividiu o comando com sua Iyálorixá, Vilcilene de Jagum. A presença de Mãe Vilcilene, acompanhada de seus filhos de santo, trouxe uma camada extra de potência energética e fundamento ao toque.
Essa união entre o "filho" e sua "mãe espiritual" reforça o conceito de Egbé (comunidade/família), pilar fundamental da nossa religiosidade. Ver duas gerações de sacerdotes em perfeita sintonia é um lembrete vivo de que o axé não se perde, ele se expande e se fortalece através do respeito mútuo e da continuidade.
Águas Lindas sob o Alá Sagrado
Durante o toque, a atmosfera em Águas Lindas parecia transmutar. A energia de Oxalá — o Orixá Funfun (branco) — trouxe o silêncio necessário para a reflexão e o estrondo necessário para a limpeza espiritual.
"Não foi apenas um evento religioso; foi um ato de resistência e amor. Águas Lindas foi simbolicamente coberta pelo Alá Sagrado, o pano branco que protege, acolhe e traz o refrigério necessário para os dias de luta", destaca a nossa análise técnica.
O som dos couros não apenas marcava o ritmo, mas invocava a paz em um mundo que tanto precisa dela. Os filhos de Vilcilene de Jagum somaram-se aos filhos da casa e outros convidados, formando um mar de branco que dançava sob a regência da ancestralidade.
O Significado do Toque
Um toque para Oxalá exige precisão e uma postura de entrega total. No Terreiro de Pai Aguein, a energia vibrada não foi de passividade, mas de equilíbrio ativo.
A Presença: A elegância dos movimentos.
O Fundamento: A exatidão dos cânticos e ritmos.
O Resultado: Uma comunidade renovada e fortalecida pelo axé do pai da brancura.
Este domingo será lembrado como um marco de empoderamento espiritual, onde o sagrado africano ocupou seu lugar de direito: no topo, com dignidade e sob as bençãos do Alá de Oxalá.
Epa Bàbá!
Veja aqui algumas fotos: