Por Ògan Assogbá Luiz Alves / PROJETO ONÍBODÊ
No último sábado, dia 07 de março, o Ilê Asé Odisséia Odé Erinlé se transformou em um verdadeiro epicentro de espiritualidade, resistência cultural e celebração da ancestralidade africana. Sob a firme e respeitada liderança de Pai Ricardo de Oxóssi, o terreiro situado em Águas Lindas de Goiás recebeu fiéis, autoridades religiosas e comunidade para um Toque em Homenagem a Oxalá — o Orixá da criação, da paz e do véu branco que simboliza a pureza espiritual.
Um Ritual de Amor e Comprometimento Sagrado
Desde os primeiros atabaques ressoarem, ficou evidente que aquela tarde e noite seriam marcadas por algo além do comum. O Toque não foi apenas uma celebração litúrgica; foi uma demonstração visceral de amor, carinho e comprometimento absoluto com o Sagrado. Cada batida, cada cantiga, cada oferenda preparada com esmero falava de uma devoção que transcende o tempo e conecta gerações.
Pai Ricardo de Oxóssi, reconhecido por sua sabedoria e zelo na preservação das tradições yorubás, conduziu os rituais com a autoridade de quem carrega o Asé legítimo e a humildade de quem sabe que está apenas cumprindo sua missão na Terra. Sua liderança reflete anos de dedicação ao culto e ao fortalecimento da religiosidade afro-brasileira na região Centro-Oeste.
Egbomys Penélope Oxalufã e Rose de Oxalufã: Novos Caminhos no Asé
Um dos momentos mais emocionantes da noite foi a realização das satisfações pelas Egbomys Penélope Oxalufã e Rose de Oxalufã — ritual fundamental no Candomblé onde os iniciados apresentam-se aos seus Orixás, reafirmam seus compromissos espirituais e selam sua pertença à comunidade religiosa.
Para ambas, o ato representou não apenas uma obrigação ritualística, mas uma confirmação poderosa de sua entrada definitiva para a família do Asé Odé Erinlé. Com os olhos marejados de emoção e vozes firmes na entoação dos cantos sagrados, Penélope e Rose demonstraram que o caminho do Axé é construído diariamente através do serviço, do respeito e da entrega ao sagrado.
"A satisfação é o momento em que o filho ou filha de santo se apresenta de corpo e alma para seu Orixá. É um reencontro, uma renovação de votos, uma afirmação de que escolhemos este caminho e somos escolhidos por ele, Eu não gosto de utilizar o termo "OBRIGAÇÃO" por entender que tudo que é obrigatório nem sempre é satisfatório ou espontâneo" explica Ògan Assogbá Luiz Alves - fotojornalista, fotodocumentarista e afro religioso idealizador deste espaço de comunicação
A Força da União: Autoridades Religiosas em Comunhão
O evento contou com a participação expressiva de diversas autoridades afro-religiosas vindas de Águas Lindas de Goiás, Distrito Federal e cidades da região. A presença de ialorixás, babalorixás, egbômys, ajoyês e ogãs de diferentes nações e tradições reforçou o caráter ecumênico e fraterno do Candomblé, onde a porta de um terreiro de Axé sempre está aberta para quem vem com respeito e fé.
Essa convergência de lideranças religiosas não é apenas uma questão de protocolo; é um ato político de resistência. Em tempos onde a intolerância religiosa ainda ceifa vidas e tenta silenciar vozes ancestrais, a união dos terreiros afirma que a comunidade afro-religiosa está mais viva, organizada e forte do que nunca.
A Presença Palpável de Oxalá
Quem esteve presente no Ilê Asé Odisséia Odé Erinlé naquela noite sabe: a energia era presença palpável. Não se trata de metáfora poética, mas da experiência concreta de quem participa de um ritual bem feito, onde a concentração, a fé coletiva e a competência litúrgica criam um campo vibracional de transformação.
O branco dominava o cenário — nas vestes dos adeptos, nas toalhas de mesa, nas flores e nas oferendas. Oxalá, o Pai maior, o dono da paz e da longevidade, parecia envolver a todos com seu manto de luz. A comunidade comemorou com vigor e com todo o coração, louvando o Orixá que veste branco e traz à humanidade a mensagem de que sempre é possível recomeçar, purificar-se e construir a paz.
O Legado Continua
O Toque em Homenagem a Oxalá realizado no último sábado não foi apenas mais uma festa no calendário religioso local. Foi uma afirmação de existência, uma celebração de identidade e um ato de amor coletivo que ecoará nos corações dos presentes por muito tempo.
Para as Egbomys Penélope e Rose, é o início de uma nova fase em suas jornadas espirituais. Para o Ilê Asé Odisséia Odé Erinlé, é a consolidação de seu papel como farol de tradição e acolhimento na região. Para a comunidade afro-religiosa brasileira, é mais um capítulo de resistência e beleza escrito com sangue, suor e Axé.
Que Oxalá abençoe a todos os caminhos que se abrem a partir deste dia sagrado. Awô!
![]() |
| Foto Ogunifé |
Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união.
Axé!
*APOIE, DIVULGUE E INCENTIVE O ONÍBODÊ (O PORTEIRO) por uma comunicação ANTI-FACISTA, ANTI-RACISTA e de apoio à Nossa Comunidade Negra e Afro Religiosa com doações a partir de R$25,00 (vinte e cinco reais)*
CLIQUE NO LINK ABAIXO PRA APOIAR




















































