segunda-feira, 15 de junho de 2026

Ilê Magbá Biolá se transforma em palco de resistência política e espiritual


No coração pulsante de Brasília, terra onde o poder político se concentra e onde as decisões que moldam o país são tomadas, um encontro histórico aconteceu no Ilê Magbá Biolá, sob a direção das respeitadas Iyá Mãe Djé de Nanã e Iyá Mãe Ruth de Ogun. Lideranças Afro Religiosas da Capital Federal e do Entorno se reuniram em um ato de empoderamento coletivo, colocando em pauta não apenas suas demandas ancestrais, mas traçando novos caminhos para a participação política de suas comunidades no cenário eleitoral que se desenha.

A articulação do encontro foi conduzida por Mãe Baiana, que, em diálogo profundo com Ògan Assogbá Luiz Alves, construiu uma proposta audaz: trazer perspectivas renovadas para a comunidade afro religiosa diante do complexo tabuleiro político da região. O que se viu no Ilê Magbá Biolá foi muito mais do que uma reunião — foi a materialização do axé como ferramenta de transformação social.

A força da união: representatividade que ecoa

O encontro contou com a presença robusta de diversas organizações que compõem a trama viva da resistência afro religiosa no Distrito Federal:

RENAFRO-DF** (Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras)

FOAFRO-DF 

PROJETO ONÍBODÊ

DEFENSORES DO AXÉ

Jovens de Axé da RENAFRO-DF**

Homens de Axé da RENAFRO-

Coletivo As Iyás do DF e Entorno

ATRACAR

Sociedade Civil Organizada

A pluralidade de vozes presentes — desde os jovens que carregam o fogo do axé até as matriarcas que preservam a sabedoria ancestral — demonstrou que o movimento afro religioso de Brasília está maduro para ocupar espaços de poder com a mesma determinação com que ocupa seus terreiros.

Das prioridades comunitárias à estratégia política: o axé como instrumento de cidadania

A pauta do encontro foi construída a partir das prioridades e demandas das comunidades. Longe de serem meros espectadores do processo político, as lideranças presentes assumiram seu papel de protagonistas, mapeando as necessidades concretas de seus terreiros, seus filhos e filhas de santo, e a população negra que sofre com o racismo estrutural e a intolerância religiosa. Entre as discussões ficou decidido a reestruturação do FOAFRO-DF e quanto instrumentos de luta no combate ao RACISMO RELIGIOSO.

A transição para a análise política da conjuntura atual foi natural. As lideranças debateram com rigor o cenário eleitoral, examinando os perfis dos pré-candidatos aos mandatos eletivos no próximo pleito. A proposta foi clara: compreender com profundidade quem são os políticos que se apresentam como representantes do povo, quais suas trajetórias, compromissos e, sobretudo, sua relação com as pautas afro, antirracistas e de respeito às religiões de matriz africana.

Não queremos mais ser apenas objeto de políticas públicas — queremos ser sujeitos que as concebem, exigem e fiscalizam, ecoou entre as conversas no terreiro.

Documento de posicionamento: o axé se torna palavra escrita

Das discussões surgirá um documento oficial que consolidará as decisões e posicionamentos do encontro. Este texto não será apenas um registro interno: será apresentado à Comunidade Afro Religiosa e a todos os interessados no fortalecimento da democracia participativa e na luta contra a intolerância religiosa.

O documento representa um marco. É a materialização do entendimento de que a espiritualidade afro não se separa da cidadania, e que o terreiro é também um espaço de formação política, de conscientização e de organização comunitária.

A confraternização: o axé que alimenta

Nenhum encontro de matriz africana estaria completo sem o momento de partilha. O almoço servido no Ilê Magbá Biolá foi gostoso e farto, fruto de uma colaboração coletiva onde cada participante trouxe um prato e bebidas. Mais do que alimentar o corpo, esse gesto simbolizou a essência do candomblé e das religiões afro-brasileiras: a comunhão, o compartilhamento, a reciprocidade.

Cada prato carregava histórias, sabores de diferentes terreiros, memórias afetivas e a resistência cultural que se mantém viva através da culinária sagrada e da comida de axé. A confraternização selou o compromisso: a luta política é também uma celebração da vida, da ancestralidade e da esperança.

O que vem por aí

O encontro no Ilê Magbá Biolá sinaliza uma nova fase para as lideranças afro religiosas de Brasília e entorno. Longe de se restringirem aos espaços de culto, elas se organizam para intervir ativamente no processo político, exigindo respeito, representatividade e políticas públicas que atendam suas demandas históricas.

Com o documento de posicionamento em construção e a mobilização das diversas frentes organizativas, o movimento afro religioso da capital federal se coloca como ator político indispensável para as eleições que se aproximam. O axé, que há séculos resistiu à escravização, ao racismo e à intolerância, agora também se organiza para conquistar espaços no Congresso Nacional, na Câmara Legislativa e nas câmaras municipais da região.

O Ilê Magbá Biolá, sob a guarda de Mãe Djé de Nanã e Mãe Ruth de Ogun, foi mais um terreiro neste dia: foi um parlamento de ancestralidade, onde o sagrado e o político se encontraram para traçar novos caminhos.

Axé às lideranças, axé à resistência, axé ao futuro que se constrói coletivamente.

Veja aqui as fotos do encontro.

































Laroyê, Seu Tranca Ruas! Ora Yê Yê Ô, Oxum!

Que o axé seja multiplicado.

Axé!

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domingo, 14 de junho de 2026

A Força da Boa Ética e a Consagração da Fé: Ilê de Pai Marcos de Osun Celebra Primeiro Toque Histórico para Seu Tranca Ruas em Águas Lindas de Goiás

Por: Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

Águas Lindas de Goiás – GO

O tambor ecoou com a força ancestral da justiça, abrindo caminhos e lavando a alma de quem crê. Em uma noite marcada pela emoção, pelo resgate de promessas sagradas e por uma forte atmosfera de comunhão, o ILE AṢE TI IWA RERE TI AWỌN ỌMỌ OXUM — cujo próprio nome já anuncia sua fundação: "A Força da Boa Ética dos Filhos de Oxum" — realizou o seu histórico primeiro Toque em Homenagem ao Senhor Tranca Ruas Rei das 7 Encruzilhadas.

Sob a liderança espiritual de Pai Marcos de Osun, o terreiro, localizado em Águas Lindas de Goiás, viveu um momento de pura soberania e empoderamento da nossa cultura de matriz africana. Participar deste rito foi testemunhar a engrenagem do axé se movimentando através do amor, do respeito e da lealdade.

A Profecia da Fartura: O Banquete do Rei

Mais do que uma festividade, a noite selou o cumprimento de um pacto de fidelidade entre a divindade e o seu sacerdote. Há alguns anos, o Exú Tranca Ruas de Pai Marcos havia profetizado: um dia, ele teria a sua própria casa e, nela, banquetearia.

O tempo do sagrado não falha. Após anos de espera, trabalho duro e resiliência, a promessa se materializou. Pela primeira vez, a entidade pôde "comer" em seu próprio solo, sendo reverenciado com as honras de um verdadeiro rei. Tranca Ruas não é apenas uma força de proteção; ele é o amigo, o parceiro de caminhada e o guerreiro de luta que desata nós e nunca, sob hipótese alguma, abandona seus filhos e amigos legítimos.

"Ver Exú reinar em sua própria casa, cercado de fartura e respeito, é a maior resposta contra qualquer intolerância. É a prova viva de que o axé vence", destacou a comunidade presente.

União que Fortalece o Axé: A Confraria dos Ilês

A excelência litúrgica do toque foi um espetáculo à parte, demonstrando a potência da união entre as casas de santo. As funções e os fundamentos da noite foram magistralmente dirigidos por Pai Ricardo de Oxóssi, que trouxe a precisão e a fartura do caçador, caminhando lado a lado com a sabedoria e o acolhimento de Babá Omissilê, da doçura ancestral de Iyá Kinalunguê e do axé vibrante dos demais filhos do Ilê Asé Odé Erinlé.

Essa rede de apoio mútuo reforça o verdadeiro sentido de comunidade dentro das religiões de terreiro: onde um irmão planta o seu axé, a família se une para ajudar a colher.

Nem a Chuva Apagou o Brilho da Fé

Se o destino de Exú é governar as ruas e os caminhos, a própria natureza fez questão de saudar a sua noite. Uma chuva surpresa caiu sobre Águas Lindas de Goiás, mas longe de afastar os fiéis, as águas de Oxum e do tempo chegaram como uma benção cósmica, purificando o solo para o novo Ilê que floresce.

Mesmo sob o temporal, a casa estava completamente cheia. Amigos, irmãos de santo e admiradores lotaram o barracão para prestigiar Seu Tranca Ruas e abraçar Pai Marcos. O ILE AṢE TI IWA RERE TI AWỌN ỌMỌ OXUM nasce sob o signo da "boa ética", mas, acima de tudo, calcado no amor genuíno e na lealdade daqueles que o cercam.

O primeiro toque foi a fundação de uma nova era para a região. Que o Senhor Tranca Ruas Rei das 7 Encruzilhadas continue abrindo as portas da prosperidade, e que as águas doces de Mãe Oxum guiem os passos de Pai Marcos com a firmeza, a ética e a dignidade que o nosso povo preto e de terreiro merece.


VEJAM MAIS FOTOS A SEGUIR:


























Laroyê, Seu Tranca Ruas! Ora Yê Yê Ô, Oxum!

Que o axé seja multiplicado.

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