quinta-feira, 25 de junho de 2026

Brasília Será Palco de Resistência: Seminário Histórico Une Forças Contra o Racismo Religioso nas Religiões de Matrizes Africana

 

Evento promovido pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, nos dias 29 e 30 de junho de 2026, promete transformar dados em ação e fé em política pública.

Por: Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONIBODÊ 

O som dos atabaques ecoa não apenas nos terreiros, mas agora ressoa com força nos corredores do poder. Em um movimento decisivo para a proteção da nossa herança ancestral, a Coordenação-Geral de Promoção da Liberdade Religiosa (CGLIB), vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), convoca a sociedade para um encontro fundamental: o Seminário "Racismo Religioso: Na Perspectiva da Violação de Direitos Humanos".

Realizado em Brasília/DF, nos dias 29 e 30 de junho de 2026, este não é apenas mais um evento institucional. É uma trincheira de defesa da liberdade de crença, um espaço onde a espiritualidade afro-brasileira deixa de ser vista apenas sob a lente do preconceito e passa a ser reconhecida como sujeito de direitos constitucionais inalienáveis.

Do Terreiro à Esfera Pública: Uma Pauta Urgente

O racismo religioso no Brasil tem rosto, nome e, infelizmente, estatísticas alarmantes. As comunidades de matrizes africana — Candomblé, Umbanda e outras tradições — são as principais vítimas de intolerância que vai desde a destruição de espaços sagrados até a violência física e psicológica. Este seminário chega para enfrentar essa realidade de frente, reunindo representantes do poder público, academia, sociedade civil e, crucialmente, as lideranças religiosas.

A programação foi desenhada para ir além do debate teórico. Ela busca estratégias concretas de enfrentamento e prevenção.

Agenda de Resistência e Construção

O evento começa na tarde de 29 de junho, com o Painel 01: "O Brasil da violência dos fatos, dos dados e dos desafios institucionais". Aqui, a realidade nua e crua será exposta: números que doem, mas que precisam ser vistos para serem combatidos.

No dia seguinte, 30 de junho, o Auditório da Controladoria-Geral da União (CGU) se tornará um caldeirão de propostas nos seguintes painéis:

Intolerância e Racismo Religioso: Analisando a violação de direitos humanos sob a ótica dos princípios constitucionais.

Religião, Democracia e Laicidade: Reafirmando que o Estado laico é o guardião da diversidade, não o inimigo da fé.

Justiça Climática e Proteção Emergente: Um olhar inovador que conecta a defesa dos territórios sagrados e a natureza às políticas públicas contra o racismo religioso.

Crimes de Intolerância: Discutindo acolhimento às vítimas e a correta tipificação penal desses crimes.

Por que sua presença é vital?

Para as comunidades tradicionais, ocupar esses espaços é um ato político de empoderamento. É dizer ao Brasil que nossos Orixás, Inquices e Voduns têm direito ao respeito, à segurança e à existência plena. A participação de líderes, ativistas, acadêmicos e cidadãos conscientes é essencial para fortalecer o diálogo e pressionar por políticas públicas que não fiquem apenas no papel.

"Sua participação será muito importante para fortalecer o diálogo, a reflexão e a construção de estratégias voltadas à promoção da liberdade religiosa e ao enfrentamento do racismo religioso no Brasil." — Convite da CGLIB/MDHC.

Informações Práticas

📅 Data: 29 e 30 de junho de 2026

📍 Local: Auditório da Controladoria-Geral da União (CGU) – Edifício Multi Brasil, Térreo, SAUS Quadra 05, Asa Sul – Brasília/DF

⏰ Horários:

29/06: 15h às 18h30

30/06: 8h30 às 17h

🔗 Inscrições: Garanta seu lugar nesta história através do link oficial: Formulário de Inscrição

Não deixe que outros decidam o futuro da nossa liberdade religiosa sem a nossa voz. Vamos juntos transformar indignação em legislação, e fé em justiça. Axé!

Que o axé seja multiplicado.

Axé!

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A Coroa do Saber: Maceió se torna o epicentro da resistência e da sabedoria ancestral com o Encontro de Mestras e Mestres

Por: Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONIBODÊ 

Há um movimento silencioso, mas estrondoso, que não ecoa apenas nos tambores dos terreiros ou nas rodas de capoeira, mas que agora ressoa nas salas de aula, nas políticas públicas e no coração do Estado brasileiro. De 1º a 3 de julho, Maceió, em Alagoas, deixa de ser apenas um ponto no mapa para se tornar o santuário vivo do Notório Saber.

No Centro Cultural Reitor João Sampaio (Cesmac), não estamos falando apenas de um evento. Estamos testemunhando a consagração oficial da nossa memória. O Encontro de Mestras e Mestres do Notório Saber no Brasil, organizado pelo Ministério da Cultura (MinC) em diálogo com o Ministério da Educação (MEC), é a prova contundente de que a nossa voz, antes marginalizada, hoje dita as regras do jogo cultural e educacional.

O Sagrado encontra a Academia

Para nós, filhos e filhas das tradições, saber que universidades, institutos federais e gestores públicos estão sentados à mesma mesa que nossas Ialorixás, Babalorixás, Mestres de Capoeira, Parteiras, Curandeiras e Guardiões das Ervas é uma vitória histórica. Não se trata apenas de "incluir" a cultura popular; trata-se de reconhecer que nós somos a base.

A programação deste encontro vai muito além de debates técnicos sobre direitos autorais e políticas públicas. Ela é um ato de empoderamento coletivo. Ao discutir o reconhecimento dos conhecimentos tradicionais dentro das instituições de ensino superior, estamos dizendo ao mundo que a ciência da vovó tem valor acadêmico, que a cura pelas folhas tem rigor metodológico e que a oralidade é uma biblioteca viva que precisa ser protegida e celebrada.

Uma Rede de Proteção e Poder

Um dos momentos mais vibrantes será a Assembleia de Criação da Rede Nacional de Universidades e Institutos para o Notório Saber. Imagine a força disso? Uma teia nacional que conecta o poder público às raízes. Isso significa mais recursos, mais visibilidade e, principalmente, mais respeito para quem mantém a chama acesa há séculos, muitas vezes na clandestinidade ou sob o peso do preconceito.

Mestras e mestres de todas as regiões do país estarão lá. Não como convidados exóticos, mas como protagonistas. Eles levarão a riqueza das manifestações alagoanas e de todo o Brasil para mostrar que a diversidade cultural não é um acessório, mas a própria essência da identidade brasileira.

Por que isso importa para a nossa comunidade?

Porque cada vez que um conhecimento tradicional é registrado, protegido e valorizado academicamente, estamos blindando nossos terreiros, nossas comunidades quilombolas e nossos grupos culturais contra o apagamento histórico. Estamos garantindo que os jovens possam olhar para seus mais velhos não com vergonha imposta pela sociedade, mas com orgulho e reverência.

Este encontro em Maceió é um grito de liberdade. É a afirmação de que o nosso saber é notório, é necessário e é insubstituível. Que as águas de Oxum banhem este encontro, que Exu abra os caminhos do diálogo e que Ogum proteja esta luta.

Vamos celebrar. Vamos ocupar. Vamos ensinar. Porque o futuro passa, obrigatoriamente, pela sabedoria dos nossos ancestrais.


Que o axé seja multiplicado.

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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Aula Vivencial sobre as Folhas do Sagrado.

 CIÊNCIA E ANCESTRALIDADE: O saberes que brotam da terra.


Por Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

No último final de semana, o Ilê Asé Odé Erinlé Ty Oyá, em Águas Lindas de Goiás, transformou-se em um espaço de diálogo profundo e partilha de saberes. Sob a condução de Pai Ricardo de Odé e organização de Ogunifé (Udi Lyncon), o terreiro acolheu alunos das turmas de Botânica e Antropologia da Universidade de Brasília (@unb_oficial) para uma potente Aula Vivencial sobre as Folhas do Sagrado.

Na tradição de matriz africana, a máxima é ancestral: “Kosi ewe, kosi Orixá”sem folha, não há Orixá. Os estudantes puderam vivenciar a importância vital das plantas na afro-religiosidade, compreendendo suas aplicações litúrgicas, medicinais e os rituais que envolvem seus procedimentos. Uma verdadeira imersão onde o laboratório cedeu espaço ao chão sagrado e à tradição oral.

Muito além da botânica: O encontro não se limitou ao estudo vegetal. Sentados em roda, Pai Ricardo de Odé costurou a sabedoria das folhas com debates urgentes da nossa sociedade. Foram pautados temas fundamentais como:

  • Ancestralidade: A conexão viva com os que nos antecederam.

  • Racismo Religioso: O combate à intolerância por meio do conhecimento.

  • Saúde e Educação: O papel do terreiro como espaço histórico de cura integral, acolhimento e preservação cultural.

Quando a academia se curva ao saber tradicional, a ciência ganha profundidade e a história se repara. O Ilê Asé Odé Erinlé Ty Oyá segue firme como um farol de resistência, educação e preservação do patrimônio imaterial do nosso povo.

Modupé, Pai Ricardo, pela generosidade em partilhar o Axé! 










































Que o axé seja multiplicado.

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