segunda-feira, 2 de março de 2026

Bodas de Prata de Mãe Vilcilene de Jagum marcam reencontro histórico da comunidade afro-religiosa do Entorno


Bodas de Prata de Mãe Vilcilene de Jagum marcam reencontro histórico da comunidade afro-religiosa do Entorno

Por Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

No último sábado, o Ilê Asé Jagum Onigbejá ti Osun, terreiro dirigido pela respeitada Mãe Vilcilene de Jagum, vibrou em festa singular: a celebração de suas Bodas de Prata. Vinte e cinco anos de dedicação ao Axé, de resistência cultural e de acolhimento espiritual foram comemorados com a força que só a comunidade sabe reunir.
Sob o comando ritual da Iyalorixá Luizinha de Nanã, que viajou especialmente de São Paulo com sua comitiva, a cerimônia ganhou contornos de grande encontro sagrado. A presença da liderança paulistana não apenas honrou a trajetória de Mãe Vilcilene, mas simbolizou a rede de afetos e crenças que conecta terreiros de diferentes regiões do país.
A festa reuniu membros da Comunidade Afro-Religiosa de Águas Lindas de Goiás, Brasília e demais cidades do Entorno do Distrito Federal. Foi uma noite de abraços apertados, memórias compartilhadas e renovação dos laços comunitários. Muitos se reencontraram após longos períodos sem se ver, reforçando o papel dos terreiros como espaços de preservação da identidade, da oralidade e do pertencimento.
Entre cantigas, oferendas, comidas de santo e muito axé, a celebração foi também um ato político de visibilidade. Em tempos que ainda exigem coragem para exercer plenamente a liberdade religiosa, celebrar 25 anos é reafirmar a vitalidade das tradições de matriz africana no Planalto Central.
Que o prata de Mãe Vilcilene de Jagum brilhe como farol para as próximas gerações. Que os reencontros deste sábado se multipliquem. E que o Axé continue a nos unir, na festa e na luta.
Ilê Asé Jagum Onigbejá ti Osun: 25 anos de história, fé e resistência.
 
 

Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

Axé!

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O Axé Não É Só Brilho: A Coragem de Escolher o Sagrado

 

Por Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ
 
Para o olhar desatento, a vida no terreiro pode parecer um espetáculo de cores, danças e tecidos vistosos. O brilho das contas, o balançar dos fios de conta e a energia das festas encantam quem vê de fora. Mas, como jornalista que caminha entre os atabaques e observa os bastidores da fé afro-brasileira, preciso dizer: o Axé não é apenas glamour. O Axé é, antes de tudo, uma escola de renúncia.
Ser de Axé é viver em constante estado de decisão. É sexta-feira à noite, o convite para a balada chega, o encontro social está marcado, mas o toque no terreiro chama. Nesse momento, o iniciado descobre que a liberdade espiritual custa caro. Custa o "não" dito a si mesmo. Custa a priorização do coletivo sobre o individual. Ser de Axé é aprender, muitas vezes na marra, que o seu prazer imediato deve, por vezes, ser sacrificado em prol de um compromisso maior com O Sagrado.
Muitos veem o salão arrumado, a roupa impecável, a cerimônia perfeita. Poucos enxergam a "ópera" que foi montada nos bastidores. Para que a grandiosidade da festa se revele, houve limpeza, houve cozimento, houve reza, houve silêncio e houve trabalho duro. Cada peça, do mais jovem abiyã, ogã ou  à mãe pequena, é uma engrenagem vital. Se um falha, a harmonia se quebra.
Aqui reside a verdadeira beleza da religiosidade negra: a compreensão de que o outro é a continuidade do seu próprio ser. No terreiro, não existe "eu" sem o "nós". Entender que o meu irmão de fé precisa que eu faça a minha parte com excelência para que ele possa elevar o seu canto é o ápice da espiritualidade. A unidade não é um discurso bonito; é a condição sine qua non para que o Axé circule.
Portanto, a pergunta que fica não é sobre qual roupa vestir ou qual festa frequentar. A pergunta é sobre a sua disposição interior. O caminho do Orum exige disciplina, exige calar o ego para ouvir o Orixá, exige entender que o brilho externo é apenas reflexo de uma luz interna mantida a base de escolhas difíceis.
Você está disposto ou disposta a dizer "não" a si mesmo para dizer "sim" à sua evolução? Se a resposta for afirmativa, saiba: o caminho é árduo, mas a recompensa é a certeza de pertencer a algo maior. O Axé espera por quem tem coragem de escolher.
Axé a todos e todas.
 

Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

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domingo, 15 de fevereiro de 2026

AXÉ EM MOVIMENTO: Rum Black transforma Quilombo Mesquita em templo vivo da ancestralidade em ensaio para o carnaval.

Por Ògan Assogbá Luiz Alves  Brasília, DF — Fevereiro de 2026

Sob a bênção das árvores centenárias e o canto sagrado dos pássaros que guardam a memória da terra, o Quilombo Mesquita, nas cercanias de Brasília, pulsou na última semana com a força ancestral do Axé. Ali, entre raízes expostas e chão batido por gerações de resistência, o Grupo Cultural Rum Black realizou ensaio histórico — não apenas uma preparação para as festas do Rei Momo, mas um ato de reexistência que transformou o espaço em templo vivo da cultura de matriz africana.

Comandados por Pai Ògan Cezinha de Xangô — cada batida firme no timbal ecoa a justiça do orixá das pedreiras — e sua companheira Luanda de Oxum, cuja doçura dourada fluía nos movimentos como as águas doces da cachoeira, o grupo dançou, cantou e respirou em uníssono. Não havia ensaio técnico ali; havia encontro. Encontro de corpos que carregam a memória do tambor, de vozes que entoam toques como prece, de pés que batem na terra não como coreografia, mas como diálogo com os ancestrais.

"O Axé não se ensaia — ele se recebe", afirmou Pai Cezinha entre um toque ancestral e outro, enquanto os atabaques vibravam em frequência capaz de mover até as folhas das arvores. E foi exatamente isso que se viu: uma energia positiva tão densa que parecia visível — um manto dourado envolvendo cada participante, cada criança que corria entre os dançarinos, cada idoso que balançava o corpo na cadência do ijexá.

Em meio à efervescência rítmica, um gesto de profunda conexão com a terra: Lidi, simpática agente ambiental e guardiã das plantas do espaço, regava mudas de ervas sagradas — alecrim, espada-de-ogum, manjericão — que serão distribuídas durante o evento como bênção verde. Ali, religiosidade e ecologia se fundiam: cuidar da terra é cuidar do Orixá; plantar é rezar com as mãos.

Ao final do ensaio, momento de responsabilidade social e ética comunitária: Ògan Assogbá Luiz Alves distribuiu exemplares da cartilha "QUEM É DE AXÉ NÃO ASSEDIA!", material educativo que circulará em todas as atividades do grupo. A iniciativa reforça um princípio ancestral esquecido por muitos: quem carrega Axé carrega também respeito, limites e zelo pelo próximo — especialmente pelas mulheres, crianças e vulneráveis nos espaços religiosos e culturais.

O Rum Black leva para as ruas não apenas dança, mas uma proposta de existência: a cultura afro-brasileira como força transformadora, como política de corpo, como resistência alegre. Sua apresentação na próxima segunda-feira (16), em Valparaízo de Goiás — GO, durante as festividades do Rei Momo, será mais que espetáculo: será manifesto vivo de que o carnaval, em suas origens, é território sagrado da negritude.

Enquanto os tambores esfriavam, o canto de um sabiá fechou o encontro. Naquele quilombo, por algumas horas, o tempo dobrou: passado, presente e futuro se encontraram na batida do mesmo tambor. E o Axé — esse fogo que não queima, mas ilumina — seguiu viagem, pronto para incendiar as ruas com a chama da ancestralidade em movimento.

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Serviço
-Apresentação do Grupo Cultural Rum Black  Quando:** Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026  

Onde: Desfile de Carnaval de Valparaíso de Goiás — GO  

Destaque: Distribuição de mudas de ervas sagradas durante o cortejo

Contato: Luanda 61 98369-3697 






































 


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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

As Publicações Guia de Direitos dos Povos de Matriz Africana e Afro-Brasileira e a Cartilha "QUEM É DE AXÉ NÃO ASSEDIA" em Goiânia

Em 10 /02 a Comunidade Afro Religiosa em Goiânia tomou conhecimento das publicações Guia de Direitos dos Povos de Matriz Africana e Afro-Brasileira e a Cartilha "QUEM É DE AXÉ NÃO ASSEDIA". Nesta noite aconteceu o evento do PSB (Partido Socialista Brasileiro) que recebia em seus quadros a Vereador Ava Santiago com a presença de diversas figuras ilustres do partido entre eles o Vice-Pres. da República Geraldo Alckmim, eu (Ògan Assogbá Luiz Alves) e Odé Somi (Professor Felix) fomos até lá e aproveitamos para divulgarmos e distribuirmos o guia e a cartilha para os afro religiosos presentes na solenidade, fechamos também algumas visitas em algumas casas para uma roda de conversa sobre os temas abordados nas publicações. Mais uma vez a aceitação foi total e todos falavam da importância e da necessidade das mesmas. 





 

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