terça-feira, 9 de junho de 2026

Título: Axé, Resistência e Fartura: A Força Ancestral no Toque da Vó Maria em Águas Lindas de Goiás


Por: Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

ÁGUAS LINDAS DE GOIÁS — Em uma noite marcada pela devoção, pelo respeito à ancestralidade e por uma energia indescritível de união, o terreiro liderado por Pai Jeferson abriu suas portas no último final de semana para celebrar o grandioso Toque em homenagem à Vó Maria. O evento, que já se consolida como um marco de resistência e fé na região, reuniu dezenas de filhos de santo, simpatizantes e ilustres autoridades afro-religiosas de Águas Lindas e cidades vizinhas.

Sob a saudação inconfundível de "Adorei as Almas!", o som dos atabaques ecoou forte pelo Residencial Boa Vista, anunciando que a noite seria de muita luz e sabedoria. O chão do barracão, forrado com as folhas sagradas, tornou-se o palco onde o sagrado encontrou o profano na mais perfeita harmonia. À luz de velas e sob o olhar atento das imagens dos santos e Orixás no altar, os médiuns trouxeram à terra a sabedoria dos Pretos e Pretas Velhas.

As fotografias do encontro capturam a essência mais pura da Umbanda: a caridade e o acolhimento. Entidades com seus característicos chapéus de palha e cajados sentaram-se em seus banquinhos, oferecendo fumo, passes, palavras de conforto e benzimentos para aqueles que buscavam alento. O ambiente, longe de qualquer estigma, exalava uma atmosfera de paz profunda e empoderamento coletivo, reafirmando a força da cultura afro-brasileira em manter vivas as tradições de seus ancestrais.

A União das Lideranças e a Força do Axé

Um dos pontos altos da celebração foi a expressiva presença de diversas autoridades afro-religiosas. Pais e Mães de Santo de diferentes casas da região do Entorno do Distrito Federal marcaram presença, vestidos com seus trajes brancos, rendas, capulanas vibrantes e guias de proteção. O encontro dessas lideranças não apenas prestigiou o trabalho de Pai Jeferson, mas também enviou uma mensagem poderosa contra a intolerância religiosa: a Umbanda é unida, é rede de apoio e é, acima de tudo, resistência.

A Fartura na Mesa da Vovó


Na tradição de matriz africana, o alimento não nutre apenas o corpo, mas também o espírito. Comer junto é compartilhar axé. E a mesa da Vó Maria foi a materialização desse preceito. Uma verdadeira comunhão se formou ao redor de toalhas brancas estendidas no chão sagrado do terreiro, onde a comunidade serviu uma farta e deliciosa feijoada.

O aroma do feijão preto servido nas tradicionais panelas de barro, acompanhado de arroz branco, farofa rica e fatias suculentas de laranja, tomou conta do espaço. As imagens mostram os próprios filhos da casa, com sorrisos no rosto e gratidão no coração, servindo a refeição abençoada sob os olhares atentos das entidades.

O Toque da Vó Maria foi, sem dúvida, muito mais do que uma festividade religiosa. Foi um ato de empoderamento identitário. Em tempos onde o sagrado afro-brasileiro ainda luta por respeito e visibilidade, noites como a promovida por Pai Jeferson em Águas Lindas nos lembram que a nossa raiz é forte, que a sabedoria dos mais velhos guia os nossos passos e que, onde há o toque do tambor, sempre haverá vida, união e fartura.

Salve a sabedoria dos Pretos Velhos! Adorei as Almas!
































Salve a Ancestralidade! 

Que o axé seja multiplicado.

Axé!

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segunda-feira, 8 de junho de 2026

O Encontro da Ancestralidade com o Futuro: Tenda Pai João da Bahia Inaugura em Águas Lindas de Goiás

 Com forte presença jovem e engajamento da sociedade civil, a nova casa de axé celebra os Pretos Velhos e reafirma a luta estruturada por políticas públicas.

Por : Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

8 de junho de 2026

ÁGUAS LINDAS DE GOIÁS – O último sábado (06) marcou um novo capítulo para a preservação e a vivência da religiosidade de matriz africana no Entorno do Distrito Federal. Com os portões abertos pontualmente às 17h30 e o início da gira às 18h, a grande inauguração da Tenda de Umbanda Pai João da Bahia reuniu fiéis, simpatizantes e lideranças para uma noite de profundo encontro com o sagrado.

O toque, que reverenciou os Orixás e saudou a força dos guardiões Exus e Pombagiras, teve seu ponto de maior emoção no louvor aos Pretos Velhos. O aroma da fumaça dos cachimbos e o som cadenciado dos atabaques ditaram o ritmo de um autêntico resgate ancestral. No entanto, o que tornou a cerimônia um marco visual e social foi a composição do terreiro: uma casa formada em sua esmagadora maioria por jovens. Ver a nova geração vestindo o branco, batendo cabeça e assumindo as responsabilidades do axé nos dá a certeza irrefutável da continuidade e da resistência da nossa trajetória cultural. A sabedoria dos ancestrais africanos e afro-brasileiros encontrou porto seguro nas mãos da juventude.

Para além da beleza litúrgica, o evento se consolidou como um importante espaço de articulação social. A inauguração contou com a presença ilustre do Ògan Professor Felix, criador e atual Vice-Presidente da ATRACAR-GO. Sua participação trouxe para dentro do terreiro o peso e a representatividade da sociedade civil organizada.

A presença do Ògan Professor Felix transcendeu a visita de cortesia; foi um recado claro sobre o papel político e social dos espaços de axé. Em tempos onde a documentação, a defesa e a preservação de nossas comunidades tradicionais exigem ação concreta, sua fala e postura reforçaram a urgência de nos organizarmos institucionalmente. A fé que cura e acolhe precisa caminhar lado a lado com a busca por direitos e políticas públicas que protejam e amparem o povo de terreiro. É através da união entre o conhecimento empírico do barracão e a atuação jurídica e social que se constrói uma trincheira sólida contra a intolerância.

A inauguração da Tenda de Umbanda Pai João da Bahia não foi apenas uma festa espiritual com muito "Saravá e Axé". Foi um documentário vivo da nossa resistência. Ao unir a força da juventude com a articulação de lideranças como o Professor Felix, Águas Lindas de Goiás ganha não apenas um novo templo de oração, mas um polo de força, cultura e cidadania ativa.

Que os Pretos Velhos continuem a guiar os caminhos dessa juventude e que a organização popular seja a nossa ferramenta mais afiada para o futuro. Axé!






Salve a Ancestralidade! 

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domingo, 7 de junho de 2026

O Renascimento na Fé: Ilê Ibú Asé Alámó Celebra a Saída de Novos Iyawós em Manhã de Devoção e Muito Axé

Por: Ògan Assogbá Luiz Alves

7 de junho de 2026

Na manhã deste domingo (07), o Setor Av. Camargo foi palco de uma das mais belas e profundas celebrações da religiosidade de matriz africana. Sob as bênçãos dos Orixás, o Ilê Ibú Asé Alámó abriu seus portões para a tradicional cerimônia de "Orúkọ dos Yawós" – o momento sagrado da revelação do nome e a apresentação pública dos novos iniciados no Candomblé.

O dia começou cedo e com uma hospitalidade que é marca registrada do povo de santo. Quem chegava ao endereço na Quadra 11 logo sentia a energia vibrante e acolhedora que emanava do terreiro. A comunidade e os convidados foram recepcionados com um farto e delicioso café da manhã. Esse gesto de comunhão e partilha do alimento não apenas aqueceu a manhã, mas reforçou os laços de irmandade e o sentido de família extensa, tão essenciais na nossa cultura afro-brasileira. Entre abraços, reencontros e sorrisos, o axé já circulava solto antes mesmo de o som dos atabaques ecoar.

À frente dessa grande festividade e zelando por cada detalhe espiritual e material, está a respeitada Mãe Francisca de Oxóssi – consagrada e conhecida no sagrado como Yálórìsá Òdé Táfárayò –, que conduziu o rito de passagem com maestria, juntamente com seu Babalórìsá Obálájò Tí Sàngó.

Com o término do café da manhã, a atmosfera de confraternização deu lugar à reverência. O toque foi iniciado, e os atabaques começaram a chamar a força dos ancestrais, ditando o ritmo do sagrado no barracão. O momento ápice do encontro, regado a cânticos e palmas, foi a aguardada saída dos Iyawós, marcando oficialmente o renascimento espiritual de dois filhos da casa.

A comunidade celebrou com louvor a apresentação de Samuel Tí Ọbalúwàiyé (consagrado ao senhor da terra e da cura, Obaluaiyê) e Gabriel Tí Òsogiyàn (entregue aos cuidados do jovem e guerreiro rei de Ejigbô, Oxaguiã). O ritual de Orúkọ, instante mágico em que o Iyawó brada seu nome de iniciação para o mundo, emocionou os presentes, consolidando a continuidade da tradição e a renovação inesgotável da fé que sustenta os terreiros do Brasil.

O convite do evento já anunciava o espírito da festa com o provérbio iorubá: "Ẹ wá Se ayẹyẹ Ìbí Yawó, kí Òrìsà gbé wa o" ("Venham celebrar o nascimento do Yawó, que o Òrìsà nos eleve"). E foi exatamente essa a sensação de quem esteve presente no Ilê Ibú Asé Alámó: uma elevação coletiva, onde a comida partilhada, o toque dos tambores e o transe místico se encontraram para celebrar a vida.

Mais do que uma festa, a saída de Samuel e Gabriel é a prova viva de que a resistência e a ancestralidade seguem pulsando forte, garantindo que o axé de Mãe Francisca de Oxóssi e de toda a sua comunidade continue dando belos frutos. Aweto!












































Salve a Ancestralidade! 

Que o axé seja multiplicado.

Axé!

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