domingo, 15 de fevereiro de 2026

AXÉ EM MOVIMENTO: Rum Black transforma Quilombo Mesquita em templo vivo da ancestralidade em ensaio para o carnaval.

Por Ògan Assogbá Luiz Alves  Brasília, DF — Fevereiro de 2026

Sob a bênção das árvores centenárias e o canto sagrado dos pássaros que guardam a memória da terra, o Quilombo Mesquita, nas cercanias de Brasília, pulsou na última semana com a força ancestral do Axé. Ali, entre raízes expostas e chão batido por gerações de resistência, o Grupo Cultural Rum Black realizou ensaio histórico — não apenas uma preparação para as festas do Rei Momo, mas um ato de reexistência que transformou o espaço em templo vivo da cultura de matriz africana.

Comandados por Pai Ògan Cezinha de Xangô — cada batida firme no timbal ecoa a justiça do orixá das pedreiras — e sua companheira Luanda de Oxum, cuja doçura dourada fluía nos movimentos como as águas doces da cachoeira, o grupo dançou, cantou e respirou em uníssono. Não havia ensaio técnico ali; havia encontro. Encontro de corpos que carregam a memória do tambor, de vozes que entoam toques como prece, de pés que batem na terra não como coreografia, mas como diálogo com os ancestrais.

"O Axé não se ensaia — ele se recebe", afirmou Pai Cezinha entre um toque ancestral e outro, enquanto os atabaques vibravam em frequência capaz de mover até as folhas das arvores. E foi exatamente isso que se viu: uma energia positiva tão densa que parecia visível — um manto dourado envolvendo cada participante, cada criança que corria entre os dançarinos, cada idoso que balançava o corpo na cadência do ijexá.

Em meio à efervescência rítmica, um gesto de profunda conexão com a terra: Lidi, simpática agente ambiental e guardiã das plantas do espaço, regava mudas de ervas sagradas — alecrim, espada-de-ogum, manjericão — que serão distribuídas durante o evento como bênção verde. Ali, religiosidade e ecologia se fundiam: cuidar da terra é cuidar do Orixá; plantar é rezar com as mãos.

Ao final do ensaio, momento de responsabilidade social e ética comunitária: Ògan Assogbá Luiz Alves distribuiu exemplares da cartilha "QUEM É DE AXÉ NÃO ASSEDIA!", material educativo que circulará em todas as atividades do grupo. A iniciativa reforça um princípio ancestral esquecido por muitos: quem carrega Axé carrega também respeito, limites e zelo pelo próximo — especialmente pelas mulheres, crianças e vulneráveis nos espaços religiosos e culturais.

O Rum Black leva para as ruas não apenas dança, mas uma proposta de existência: a cultura afro-brasileira como força transformadora, como política de corpo, como resistência alegre. Sua apresentação na próxima segunda-feira (16), em Valparaízo de Goiás — GO, durante as festividades do Rei Momo, será mais que espetáculo: será manifesto vivo de que o carnaval, em suas origens, é território sagrado da negritude.

Enquanto os tambores esfriavam, o canto de um sabiá fechou o encontro. Naquele quilombo, por algumas horas, o tempo dobrou: passado, presente e futuro se encontraram na batida do mesmo tambor. E o Axé — esse fogo que não queima, mas ilumina — seguiu viagem, pronto para incendiar as ruas com a chama da ancestralidade em movimento.

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Serviço
-Apresentação do Grupo Cultural Rum Black  Quando:** Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026  

Onde: Desfile de Carnaval de Valparaíso de Goiás — GO  

Destaque: Distribuição de mudas de ervas sagradas durante o cortejo

Contato: Luanda 61 98369-3697 






































 


Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

Axé!

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

As Publicações Guia de Direitos dos Povos de Matriz Africana e Afro-Brasileira e a Cartilha "QUEM É DE AXÉ NÃO ASSEDIA" em Goiânia

Em 10 /02 a Comunidade Afro Religiosa em Goiânia tomou conhecimento das publicações Guia de Direitos dos Povos de Matriz Africana e Afro-Brasileira e a Cartilha "QUEM É DE AXÉ NÃO ASSEDIA". Nesta noite aconteceu o evento do PSB (Partido Socialista Brasileiro) que recebia em seus quadros a Vereador Ava Santiago com a presença de diversas figuras ilustres do partido entre eles o Vice-Pres. da República Geraldo Alckmim, eu (Ògan Assogbá Luiz Alves) e Odé Somi (Professor Felix) fomos até lá e aproveitamos para divulgarmos e distribuirmos o guia e a cartilha para os afro religiosos presentes na solenidade, fechamos também algumas visitas em algumas casas para uma roda de conversa sobre os temas abordados nas publicações. Mais uma vez a aceitação foi total e todos falavam da importância e da necessidade das mesmas. 





 

Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

A Força da Mata em Águas Lindas: Encontro Ancestral Une Povos Originários e Matriz Africana no Entorno

  

Por: Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

No último domingo, 8 de fevereiro, o solo de Águas Lindas de Goiás não foi apenas terra; tornou-se solo sagrado de resistência e cura. O Terreiro Sol do Oriente dirigido por Mãe Bete de Iansan, abriu suas porteiras para uma celebração que transcendeu o rito religioso, transformando-se em um marco histórico de aliança entre o axé e a ancestralidade indígena. O toque em homenagem a Oxóssi e aos Caboclos foi o cenário de um reencontro potente: a união entre os herdeiros dos quilombos e os guardiões da floresta.


O Reencontro de Parentes: Cura e Tradição

A tarde foi marcada pela presença ilustre de representantes das etnias Huni-hui e Huni-kuim, vindos diretamente do Acre. Em um momento de profunda conexão espiritual, os indígenas realizaram a Dança da Cura e ministraram a medicina do Rapé aos presentes.

Presenciar essa interação foi como folhear as páginas ocultas da história do Brasil Colonial. Ali, no centro do barracão, reviveu-se a aliança ancestral de quando escravizados e povos originários se uniam nas matas para combater a opressão e o sistema escravagista. A fumaça do rapé e o som dos maracás ecoaram como um grito de liberdade que nunca se calou.

"É a retomada de um pacto antigo. Onde o arco de Oxóssi encontra a flecha do parente indígena, não há espaço para a dor, apenas para a cura", comentou um dos presentes.

Além do intercâmbio espiritual, a economia solidária se fez presente através da venda de artesanatos produzidos nas aldeias acreanas, reforçando o sustento das comunidades que resistem na Amazônia.


Educação e Combate ao Racismo Religioso

A espiritualidade no Sol do Oriente caminha de mãos dadas com a consciência política. Durante o evento, figuras proeminentes da luta antirracista, como Odé Somí (Professor Félix - ATRACAR) e o Ògan Assogbá Luiz Alves (Projeto Oníbodê), realizaram uma ação fundamental de instrumentalização jurídica e social.

Foram distribuídos materiais educativos produzidos com o apoio crucial do Sindicato dos Bancários do DF:

  • Guia de Direitos dos Povos de Matriz Africana: Um manual de combate ao racismo religioso, que orienta as comunidades sobre como se proteger e denunciar a intolerância que atinge níveis alarmantes no país.

  • Cartilha "Quem é de Axé não Assedia": Um material corajoso que aborda o assédio dentro e fora dos terreiros, ensinando a identificar abusos e fortalecer a rede de proteção nas relações cotidianas.

A aceitação foi unânime. Relatos de fiéis que já sofreram abusos em seus locais de trabalho ou círculos sociais reforçaram a urgência dessas publicações, que rapidamente se esgotaram com pedidos de exemplares extras para serem levados a outros terreiros.

OBS. :    QUEM QUISER A CARTILHA E O GUIA PODERÁ PEGAR NA LOJA ZÉ DA MATA ARTIGOS RELIGIOSOS.


O Axé que Alimenta: A Chegada dos Caboclos

Após o protocolo cultural, o couro do atabaque chamou os donos da casa. Os Caboclos e Caboclas tomaram o terreiro com sua energia vibrante, realizando passes e trazendo o axé das matas para os corpos cansados. A fartura, característica de Oxóssi, se fez notar na generosa distribuição de frutas pelas entidades, um símbolo de que, sob a regência do Rei das Matas e dos Encantados, a fome de justiça e de alimento sempre será saciada.

O Terreiro Sol do Oriente reafirma, assim, sua posição como um farol de resistência cultural e espiritual no Entorno do Distrito Federal.

Serviço:

  • Local: Terreiro Sol do Oriente

  • Endereço: Quadra 46, Rua 05, Lote 10 – Águas Lindas de Goiás.

    FONE: 61 99637-5549 

    Vejam as fotos:



























  • Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

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