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segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Quitanda Cultura e Saberes: Um Ato de Resistência, Afeto e Alegria na Casa Luz de Yorimá

 

Por: Ògan Assogbá Luiz Alves

Brasília, DF — No último sábado, o vento que soprou entre as árvores da Casa Luz de Yorimá trouxe mais do que folhas dançantes: trouxe promessa. A abertura do Projeto Quitanda Cultura e Saberes, conduzida pela sábia e acolhedora Mãe Leila, foi muito mais do que um evento — foi um abraço coletivo, um "aquece coração” em tempos de frio espiritual e distanciamento.

Localizada no 905 Norte, em pleno coração de Brasília, a Casa Luz de Yorimá, terreiro de Umbanda Iniciática, transformou-se, naquela tarde, em território de resistência, memória e celebração. O sol ainda quente beijava os rostos enquanto os primeiros passos marcavam a chegada de pessoas vindas de todas as direções — crianças, jovens, idosos, mães de santo, artistas, ativistas, curiosos e devotos. Todos unidos por um mesmo sentimento: o desejo de pertencer.

A abertura do projeto foi conduzida com a delicadeza que só Mãe Leila sabe imprimir. Sem cerimônia, mas com muita solenidade simbólica, ela acolheu cada visitante como se fosse um filho que volta para casa. “Aqui, a porta é aberta, o coração é grande e o axé é livre”, disse, entre sorrisos e abraços que pareciam curar feridas invisíveis.

Após um delicioso lanche — com quitandas feitas à mão, sabor de memória, bolo de milho, bolos de aipim, pães de queijo e sucos naturais —, o salão social do terreiro foi tomado pela magia do samba. E não foi qualquer magia: foi a magia do povo. Do nada, como se brotasse da própria terra, surgiram pandeiros, surdos, tamborins e agogôs. E então, a música tomou conta. Corpos se levantaram, pés batiam no chão, vozes se entrelaçavam em coro. O samba não apenas ecoou — ele encantou, ele libertou, ele reafirmou.

Foi nesse clima de alegria contagiante que foi apresentada a programação do Quitanda Cultura e Saberes, projeto que promete se tornar um marco na cena cultural afro-brasileira da capital federal.

Uma programação que alimenta a alma

A cada encontro, uma nova surpresa. O projeto se desdobra em uma série de atividades que misturam arte, ancestralidade, reflexão e convivência:



- Exposição e Oficina Fotográfica que revelam olhares potentes sobre a cultura afro-brasileira, mostrando rostos, histórias e resistências que muitas vezes são invisibilizados;

- Sessões de cinema para refletir, se emocionar e se conectar com narrativas que vêm do povo, da raiz, do sagrado;

- Apresentações culturais com jongo, coco de roda, samba de roda, bate-pé e rimas que ecoam a força da palavra ancestral;

- Oficinas que entrelaçam saberes tradicionais — como trança, culinária afro, artesanato e rituais — com experiências contemporâneas;

- Rodas de conversa para escutar, compartilhar e construir pontes entre gerações, religiões e saberes.

Tudo isso com entrada gratuita, porque, como diz Mãe Leila, “a cultura não tem preço — tem valor. E o valor dela é a vida que ela salva”.




Um projeto de raiz, feito com o corpo do povo

O nome “Quitanda” não é escolha à toa. Remete às pequenas vendas de rua, muitas delas mantidas por mulheres negras, que, além de vender quitandas, vendiam cuidado, conversa, conselho, remédio, proteção. A quitanda era — e ainda é — um ponto de encontro, de resistência, de economia popular e afetiva. É esse espírito que o projeto busca resgatar: o de um espaço onde se come, se canta, se cura, se educa, se resiste.

A Casa Luz de Yorimá, sob a direção espiritual e cultural de Mãe Leila, tem se consolidado como um dos mais importantes centros de preservação da religiosidade afro-brasileira no Distrito Federal. Mas vai além: é um espaço de acolhimento, de formação, de arte e de luta. E o Quitanda Cultura e Saberes é mais um passo nessa trajetória de afirmação identitária.

A convocação é para todos

O convite está feito. O chamado é claro: *vem somar*. Vem com sua história, com seu silêncio, com sua dor, com sua alegria. Vem dançar, pensar, comer, rezar, rir. Vem ser parte dessa travessia cheia de afeto e resistência.


As datas dos próximos encontros estão sendo divulgadas com carinho no Instagram [@luzdeyorima](https://www.instagram.com/luzdeyorima), onde cada post é um convite, cada imagem é um axé.


Porque, no fim das contas, o Projeto Quitanda Cultura e Saberes não é apenas um evento. É um movimento. É um lembrete: nossa cultura é viva, nossa tradição é forte, e nosso lugar é aqui.

Casa Luz de Yorimá  

905 Norte, Brasília – DF  

Entrada gratuita  

Siga: [@luzdeyorima](https://www.instagram.com/luzdeyorima)  

Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

Axé!

*APOIE, DIVULGUE E INCENTIVE O ONÍBODÊ (O PORTEIRO) por uma comunicação ANTI-FACISTA, ANTI-RACISTA e de apoio à Nossa Comunidade Negra e Afro Religiosa com doações a partir de R$25,00 (vinte e cinco reais)*

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quarta-feira, 11 de junho de 2025

XÔTERMELÉTRICA: VITÓRIA DA JUSTIÇA E DA ANCESTRALIDADE EM DEFESA DO RIO MELCHIOR

Por Ògan Assogbá Luiz Alves - PROJETO ONÍBODÊ 

Brasília, DF – Em uma decisão histórica, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF) suspendeu as outorgas que permitiriam a captação de água do Rio Melchior pela Usina Termelétrica (UTE) de Brasília. A vitória judicial, conquistada graças à ação do Instituto ARAYARA, não é apenas um triunfo ambiental, mas também uma vitória da sabedoria ancestral que há séculos ensina: a água é vida, e sem ela, não há futuro.  

O Rio que Clama por Socorro

O Rio Melchior, hoje classificado no nível quatro – o pior possível –, já não suporta mais agressões. Proibido para pesca, banho e até irrigação, seu curso agoniza diante da ganância de um projeto energético que, se implantado, consumiria 110 mil litros de água por hora, devolvendo 94% dela ao rio com temperatura elevada, um verdadeiro assassinato ecológico.  


Para as comunidades tradicionais, especialmente os povos de terreiro e quilombolas, a água não é um recurso, mas um Elemento Sagrado. Orixás como Oxum, dona dos rios e cachoeiras, e Nanã, senhora das águas profundas, são a própria manifestação do divino na natureza. Poluir um rio é profanar o altar dessas divindades.  

Dados Ultrapassados, Riscos Atuais

A termelétrica se baseia em estudos hidrológicos de 13 anos atrás, ignorando as atualizações do Plano de Gerenciamento da Bacia do Parnaíba (2020). "Licenciar um projeto com dados defasados é como navegar com um mapa errado: o destino só pode ser o desastre", alerta Juliano Bueno, da ARAYARA.  


E o desastre não seria só ambiental. A fumaça tóxica da termelétrica, somada ao aumento da temperatura do rio, afetaria a saúde pública, especialmente nas periferias, onde vivem muitas famílias negras e pobres – as mesmas que já sofrem com a falta de saneamento e o racismo ambiental.  

A Luta que Não Pode Parar 

A suspensão das outorgas é um alívio, mas a guerra continua. O licenciamento ambiental ainda está em jogo, e o gasoduto que abasteceria a usina ameaça territórios tradicionais. É preciso pressionar para que essa vitória se torne permanente.  

#XôTermelétrica não é só um hashtag, é um grito de resistência. Um chamado para que Brasília, o país e o mundo lembrem: não há energia que valha a destruição da água, da terra e da cultura que nela vive.  

Axé à Justiça, e que os Orixás continuem protegendo nossas águas.  


Acompanhe e compartilhe: #XôTermelétrica  #ÁguaÉVida #JustiçaAmbiental


Que os orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

Axé!

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domingo, 1 de junho de 2025

V Encontro Nacional de Mulheres de Axé da Renafro: Um Grito de Resistência e Luta em Defesa da Vida

 

Por Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

Salvador, Bahia – Nos dias 30 e 31 de maio de 2024, a capital baiana se transformou no epicentro da resistência ancestral e da força feminina quando recebeu o V Encontro Nacional de Mulheres de Axé da Rede Nacional das Mulheres de Axé (Renafro). Com o tema central “É Tempo de Axé, Resistência e Luta!”, o evento reuniu Iyálorixás, ebás, filhas e filhos de santo, ativistas e defensoras dos direitos humanos de todo o Brasil, para discutir e propor soluções para os desafios que afligem não apenas as comunidades religiosas afro-brasileiras, mas toda a sociedade.

Mais do que um encontro, foi uma poderosa manifestação de unidade, sabedoria e coragem diante de um cenário marcado pelo aumento do racismo religioso, pela violência contra os territórios sagrados, pela crise climática e pela retirada de direitos fundamentais. As mulheres de axé, guardiãs das tradições ancestrais, assumiram com orgulho e determinação seu papel histórico como agentes de transformação social e espiritual.

O Matriarcado Ancestral na Linha de Frente


O V Encontro evidenciou a importância do matriarcado ancestral como fonte de resistência cultural e política. Diante de um país onde o racismo religioso ainda persiste de forma violenta e institucionalizada, e onde os terreiros são frequentemente alvos de intolerância e criminalização, as mulheres de axé ocuparam o espaço público não apenas como representantes de uma religião, mas como vozes autoritativas em defesa da democracia, dos direitos humanos, da justiça climática e da dignidade dos povos tradicionais.


Em pauta, estiveram temas urgentes como o racismo religioso e ambiental, a segurança alimentar para os povos tradicionais de terreiros e de Matrizes Africana, a defesa dos territórios sagrados ameaçados por mineradoras e grandes empreendimentos, o direito à saúde e educação com respeito às culturas afro-brasileiras, além da necessidade de políticas públicas afirmativas que garantam visibilidade e proteção a essas comunidades.


Brasília e Territórios Presentes com Força


A representatividade do Centro-Oeste foi marcada pela presença de diversas Iyálorixás de Candomblé e Umbanda, coordenadas por Mãe Baiana de Oyá, responsável pela articulação regional dentro da Renafro. Sua liderança tem sido fundamental para ampliar o alcance político e espiritual da rede, especialmente em contextos onde o avanço de projetos conservadores e neoliberais ameaça diretamente os direitos das comunidades de matriz africana

A participação de Mãe Vilcilene de Jagun, Mãe Zenith, Mãe Fabíola. Mãe Carla de Oyá que participam das MULHERES DE AXÉ de BRASÍLIA E TERRITÓRIOS  destacou a dimensão nacional do movimento e reforçou a necessidade de construção de alianças entre terreiros, movimentos sociais, parlamentares progressistas e organizações da sociedade civil. Ficou claro que a luta das mulheres de axé não é isolada, mas parte de um front mais amplo por justiça social e ambiental.


Axé como Fonte de Sabedoria e Esperança


Ao longo dos dois dias de debates, rodas de conversa, grupos de trabalho e celebrações, ficou evidente que o axé não é apenas energia divina, mas também ferramenta de organização, cura e mobilização. Em meio ao caos social e ambiental que assombra o país, as mulheres de axé apresentaram-se como sujeitas coletivas capazes de tecer redes de solidariedade, preservar conhecimentos ancestrais e propor alternativas sustentáveis e comunitárias para os problemas contemporâneos.


Este encontro não foi apenas um momento de reflexão, mas de ação política consciente. Mostrou que as mulheres de axé não estão dispostas a aceitar passivamente a perseguição, a invisibilidade ou o descaso. Pelo contrário, estão cada vez mais firmes na construção de uma sociedade mais justa, plural e equilibrada — onde a vida, em todas suas formas, seja respeitada.

Conclusão: A Luta Continua

O V Encontro Nacional de Mulheres de Axé da Renafro deixou um legado de resistência e esperança. Ao reunir tantas vozes femininas em torno de causas comuns, reafirmou o poder coletivo das guardiãs da memória ancestral. Não há dúvida de que o caminho será longo e cheio de obstáculos, mas a força simbólica e política dessas mulheres demonstra que a luta está apenas começando — e que ela será travada com axé, coragem e determinação.

É tempo de axé, resistência e luta!

 E enquanto houver mulheres negras, mães de santo e guerreiras ancestrais carregando nas costas a história de um povo, haverá sempre esperança de um futuro mais justo e fraterno.

Que os orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

Axé!

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domingo, 13 de abril de 2025

COMUNIDADE AFRO RELIGIOSA DE ÁGUAS LINDAS DE GOIÁS COMEMORA O ODÚ ÈJÉ DE IARA DE ODÉ

Por Ògan Assogbá Luiz Alves/ PROJETO ONÍBODÊ

Na noite de 12 de abril de 2025, o Ilé Asé Arájinàn realizou um importante toque de candomblé, marcando celebrações que ecoam a força e a espiritualidade da religião de matriz africana. Liderado pelos Babálorixás Ivanildo Ty Sango e Ricardo Ty Omolu, o evento trouxe luz ao Odú Éjé Iara Ty Odé e ao Ajodún Ogun Aty Odé, sendo momentos de reverência, conexão espiritual e celebração das tradições ancestrais.

O encontro, realizado no Jardim Brasília II, Águas Lindas de Goiás, ganhou força ao reunir adeptos e simpatizantes da cultura afro religiosa de diversas localidades, incluindo Brasília e cidades vizinhas. O ILÉ ASÉ ARÁJINAN transformou-se em palco para uma vivência espiritual compartilhada, onde O SAGRADO se fez presente.












Os toques de candomblé são mais do que rituais; representam um vínculo que transcende barreiras geográficas, unindo comunidades sob o manto das crenças e tradições. O evento destacou o papel doILÉ ASÉ ARÁJINAN como um polo de resistência e preservação da religiosidade afro-brasileira, reafirmando sua importância como um espaço de fortalecimento identitário. Também estiveram presentes no toque representantes da ATRACAR-GO, COLETIVO DEFENSORES DO AXÉ, PROJETO ONÍBODÊ, FOAFRO-DF, COLETIVO DAS IYÁS, RENAFRO CENTRO-OESTE, entre outros.





















A comunidade celebrou com grande entusiasmo, demonstrando que a herança africana continua viva e pulsante em Águas Lindas de Goiás, sendo um exemplo para regiões vizinhas. Para mais informações sobre eventos futuros, o ILÉ ASÉ ARÁJINAN está disponível nas redes sociais e por contato direto. 

















































A religiosidade e a cultura afro reverberam com força, destacando que o passado ancestral ainda influencia, inspira e dá sentido ao presente. Um testemunho da rica história cultural que Águas Lindas preserva e projeta ao mundo. 

CONTATOS: DO ILÉ ASÉ ARÁJINAN

@ileasearajinan

Informações (61) 9.9117-4327

QUADRA 49 LOTE 25/27

Jardim Brasilia II-Águas Lindas de Goiás

ileasearajinan@gmail.com

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