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quinta-feira, 9 de abril de 2026

O Axé como Projeto de Futuro


*O Axé nas Urnas: Nossa Ginga Política e o Horizonte de 2026 contra o Racismo Religioso*

Por Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

Para nós, o terreiro é preservação de memória ancestral e centro de apoio comunitário. Chegamos a uma encruzilhada histórica: nossa fé precisa ocupar a política para garantir o direito de existir hoje e nos anos que virão.

*Radiografia da Violência e a Métrica da Impunidade*

Os números são contundentes: entre 2022 e 2023, as denúncias de violência religiosa saltaram *80%*. No Rio de Janeiro, o "narcopentecostalismo" transforma a perseguição em estratégia de domínio territorial. Em São Paulo, o volume de agressões verbais e exclusão institucional lidera as estatísticas. 

Contudo, enfrentamos o *"Funil da Impunidade"*: enquanto 100% das denúncias são registradas, *menos de 5% resultam em condenação*. A justiça brasileira enfrenta o desafio de converter a *Lei 14.532/2023* em punições reais contra o racismo religioso cotidiano.

*O Horizonte de 2026: Planejamento e Resistência*

Não estamos apenas reagindo; estamos planejando o futuro. O governo federal estabeleceu o *Plano de Dados Abertos 2024-2026*, uma ferramenta crucial para que cada ataque a um terreiro saia das sombras da subnotificação e entre nas estatísticas oficiais. Para o ano de 2026, já estão programadas campanhas nacionais de Direitos Humanos e editais de cooperação internacional que visam fortalecer a rede de proteção às comunidades tradicionais.

Este planejamento é o nosso escudo contra retrocessos, como as tentativas de setores fundamentalistas de retirar a *História da África (Lei 10.639/03)* das escolas. O monitoramento contínuo entre *2024 e 2026* será decisivo para avaliar se as políticas de reparação e os programas de proteção a lideranças — majoritariamente mulheres negras e idosas — serão suficientes para frear a violência física e digital.

*O Voto como Mandinga de Transformação*

Participar do processo eleitoral é um ato de sobrevivência. Precisamos de representantes que garantam que os recursos e campanhas previstos até *2026* cheguem à ponta, protegendo o atabaque e o território. 

A política é o instrumento para:

*   *Consolidar o Plano de Dados Abertos*, combatendo a invisibilidade das nossas dores.

*   *Garantir a execução dos editais de 2026*, fomentando a cultura e a segurança nos terreiros.

*   *Fortalecer o SUS*, respeitando nossas práticas de cura tradicionais.

O aumento das denúncias é um sinal de despertar. O racismo religioso tenta silenciar o axé, mas nossa resposta é o fortalecimento das redes e a ocupação das urnas. 

*Nossa ginga é política.* 

Em cada voto, depositamos a esperança de um Brasil onde, em *2026* e além, o branco de nossas vestes brilhe sem medo. O axé resiste, o axé vota, o axé transforma.

Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

ABAIXO UM INFOGRÁFICO SOBRE O RACISMO RELIGIOSO



Axé!

*APOIE, DIVULGUE E INCENTIVE O ONÍBODÊ (O PORTEIRO) por uma comunicação ANTI-FACISTA, ANTI-RACISTA e de apoio à Nossa Comunidade Negra e Afro Religiosa com doações a partir de R$25,00 (vinte e cinco reais)*

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segunda-feira, 23 de março de 2026

Sob o Manto da Paz: Águas Lindas se Veste de Branco em Celebração a Oxalá

 

Por: Ògan Assogbá Luiz Alves/ PROJETO ONÍBODÊ

ÁGUAS LINDAS DE GOIÁS – O último domingo, 22 de março, não foi apenas mais um dia no calendário litúrgico para o povo de santo da região. O Terreiro de Pai Aguein tornou-se o epicentro de uma manifestação de fé que reverberou muito além de seus muros. Em um toque magistral dedicado a Oxalá, o Orixá da criação e da pureza, a comunidade testemunhou o que acontece quando a ancestralidade e o respeito à linhagem se encontram em harmonia.

A cerimônia foi marcada por um simbolismo profundo, reafirmando a força das religiões de matriz africana no coração do Brasil.


A Força da Linhagem e o Encontro de Axé

O ponto alto da celebração foi a condução conjunta do ritual. Pai Aguein, anfitrião e guardião da casa, dividiu o comando com sua Iyálorixá, Vilcilene de Jagum. A presença de Mãe Vilcilene, acompanhada de seus filhos de santo, trouxe uma camada extra de potência energética e fundamento ao toque.

Essa união entre o "filho" e sua "mãe espiritual" reforça o conceito de Egbé (comunidade/família), pilar fundamental da nossa religiosidade. Ver duas gerações de sacerdotes em perfeita sintonia é um lembrete vivo de que o axé não se perde, ele se expande e se fortalece através do respeito mútuo e da continuidade.

Águas Lindas sob o Alá Sagrado

Durante o toque, a atmosfera em Águas Lindas parecia transmutar. A energia de Oxalá — o Orixá Funfun (branco) — trouxe o silêncio necessário para a reflexão e o estrondo necessário para a limpeza espiritual.

"Não foi apenas um evento religioso; foi um ato de resistência e amor. Águas Lindas foi simbolicamente coberta pelo Alá Sagrado, o pano branco que protege, acolhe e traz o refrigério necessário para os dias de luta", destaca a nossa análise técnica.

O som dos couros não apenas marcava o ritmo, mas invocava a paz em um mundo que tanto precisa dela. Os filhos de Vilcilene de Jagum somaram-se aos filhos da casa e outros convidados, formando um mar de branco que dançava sob a regência da ancestralidade.


O Significado do Toque

Um toque para Oxalá exige precisão e uma postura de entrega total. No Terreiro de Pai Aguein, a energia vibrada não foi de passividade, mas de equilíbrio ativo.

  • A Presença: A elegância dos movimentos.

  • O Fundamento: A exatidão dos cânticos e ritmos.

  • O Resultado: Uma comunidade renovada e fortalecida pelo axé do pai da brancura.

Este domingo será lembrado como um marco de empoderamento espiritual, onde o sagrado africano ocupou seu lugar de direito: no topo, com dignidade e sob as bençãos do Alá de Oxalá.

Epa Bàbá!

Veja aqui algumas fotos:





































Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

Axé!

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