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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Axé na Roça, Força na Luta: A Noite que Fez Samambaia Reluzir em Julho

 


Fotos: Filhos do Templo Rosa Branca

O cheiro de milho assado e canela não serve apenas para despertar o apetite. Em Samambaia, no Distrito Federal, esses aromas carregam memória. No dia 18 de julho de 2026, um sábado que marcou o calendário da comunidade, o Templo Rosa Branca Terreiro de Umbanda se transformou em um farol de resistência cultural. Sob a liderança espiritual de Mãe Cícera de Oxum, a tradicional Festa Julhina provou que a alegria também é uma forma de luta.

Não foi apenas uma reunião social. Foi um ato de afirmação. O terreiro, conhecido por ser um espaço de acolhimento e cura, abriu suas portas para que a comunidade pudesse celebrar sua identidade sem máscaras. A tarde cedeu lugar à noite, mas a luz permaneceu. Não vinha dos postes da cidade, mas do brilho nos olhos de quem encontrou ali um refúgio seguro. Entre os presentes, destacava-se a presença firme de Mãe Baiana de Oyá, cuja energia ancestral parecia dialogar diretamente com cada sorriso trocado no salão.

A política também esteve presente, não como discurso vazio, mas como compromisso com a vida. Andrei Lemos, pré-candidato a deputado distrital e defensor incansável da saúde do povo de Axé, circulou entre as barracas de comida típica. Sua presença reforçou a necessidade urgente de políticas públicas que respeitem e protejam as tradições afro-brasileiras, estiveram presentes també: a pré-candidata ao Senado a Deputada Federal Érika Kokai e o pré-cadidato a Deputado Federal, Deputado Distrital Fábio Feliz.  Eles não estavam ali apenas para aparecerem. Estavam ali para ouvir, para sentir o pulso da comunidade que tanto defende nos corredores do poder legislativo.




As brincadeiras juninas ecoavam risadas genuínas. O jogo da argola, a pescaria, o correio elegante. Cada atividade era um pretexto para o encontro humano. As mesas transbordavam com pamonha, quentão, bolo de fubá e canjica. Alimentos que nutrem o corpo e a alma. Nos palcos improvisados, cantores locais entregaram suas vozes, transformando o ambiente em uma grande roda de samba e toada. A música não era apenas entretenimento. Era oração cantada. Era celebração da vida.







No centro de tudo, o casal Mãe Cícera e Dago. Eles não apenas organizaram o evento. Eles o viveram. Com uma simplicidade poderosa, receberam cada visitante como se fosse família. A tradição que construíram em Samambaia já não é mais apenas deles. Pertence àqueles que ali encontram paz, pertencimento e força. A festa julhina do Instituto Rosa Branca mostrou que a cultura afro-brasileira não sobrevive apenas na resistência silenciosa. Ela prospera na alegria compartilhada, no abraço apertado, no axé que circula livremente entre todos os presentes.

Enquanto a noite avançava sobre o DF naquele 18 de julho, o terreiro permanecia aceso. Não apenas pelas lâmpadas coloridas, mas pela chama da esperança que Mãe Cícera de Oxum e sua comunidade mantêm viva. Uma esperança que se alimenta de fé, de luta e, acima de tudo, de amor.





Que o axé seja multiplicado.

Axé!

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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Mosaico de Axé: Uma Semana de Fé, Resistência e Celebração no DF e Entorno



Por: Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

A última semana foi um verdadeiro testemunho da força da nossa ancestralidade. Entre o toque dos tambores, o cheiro das folhas e o calor dos encontros, a comunidade de terreiro mostrou que o sagrado e o social caminham de mãos dadas. Percorremos territórios de axé para registrar uma jornada de devoção e compromisso político.

Domingo, 03 de Julho: O Brado do Boiadeiro e a Luta por Respeito

A semana começou sob a proteção de Seu Sete Porteiras. No Ilê Axé Oyá Bagã de Mãe Baiana, a festa do Boiadeiro foi um exemplo de como a cultura e o sagrado se fundem em uma só alma. O dia amanheceu com a cadência de uma grande roda de capoeira, preparando o solo para a chegada das entidades.

O ponto alto da espiritualidade deu-se no cortejo de entrega das oferendas na choupana, onde cânticos e aboios ecoaram, emocionando os presentes. Mas o axé também é espaço de consciência. Durante o almoço festivo, embalado por um legítimo pagode, o autor e Ògan Assogbá Luiz Alves distribuiu a cartilha "QUEM É DE AXÉ NÃO ASSEDIA". A obra é um instrumento vital na luta contra todas as formas de abuso, reafirmando que o terreiro é lugar de acolhimento e segurança.

O evento contou com a presença de lideranças civis, como os pré-candidatos a Governador do DF Leandro Grass e Andrey Lemos a Deputado Distrital ambos pelo PT, evidenciando a importância do povo de axé no cenário político do Distrito Federal.




















Segunda-feira, 04 de Julho: O Valor do Acolhimento

A segunda-feira foi marcada pela diplomacia do afeto. No Ilê Oyá Bagã, um almoço especial reuniu Pai Nino de Oxumarê e Pai Marco de Omolú. O encontro teve como objetivo o estreitamento de relações e o apoio mútuo, já que Pai Marco está iniciando a montagem de seu novo Ilê em Águas Lindas (GO). É a rede de proteção e irmandade se fortalecendo além das fronteiras.





Sábado, 09 de Julho: O Preparo e a Honra aos Mais Velhos

O sábado foi de trabalho intenso e devoção. Iniciamos com a tradicional "derrubada do boi" de Seu Chapadão, no axé de Mãe Abadia de Ogun, rito essencial para o toque do dia seguinte.

Em seguida, uma comitiva formada pelo Ògan Assogbá Luiz Alves (PROJETO ONÍBODÊ), Odé Somi (Ògan Professor Feliz) e Mãe Déia Talamugongo ( ambos representando a ATRACAR-GO), percorreu diferentes casas para honrar a ancestralidade. Primeiro, a emoção tomou conta do Ilê de Pai Obalajô em homenagem aos Pretos e Pretas Velhas. Logo depois, o grupo seguiu para a casa de Mãe Vilcilene, onde o couro cantou em louvor aos Caçadores, os donos da fartura.





























 











Domingo, 10 de Julho: Casamento, Energia e o Renascimento da Tradição

O fechamento da semana foi um verdadeiro turbilhão de axé. A grande festa de Seu Chapadão, na casa de Mãe Abadia de Ogun, reservou um momento de rara beleza: um casamento emocionante celebrado por Seu Lua Branca (de Tata Kanamburá). A união sob as bênçãos das entidades reforçou os laços de família que sustentam nossas comunidades.

A jornada de domingo ainda nos levou à casa de Pai Becker Ty Oyá, onde a energia vibrante de Seu Boiadeiro Sr. José Mineiro, renovou as forças de todos os presentes. Para encerrar com chave de ouro, visitamos a casa de Bábá Kinssabáuntálá. Em uma festa dedicada a Ossãe, o senhor das folhas, tivemos a honra de presenciar o nascimento de uma nova Ekédjí, suspensa para servir à casa. É a continuidade da nossa fé garantida por mais uma geração que se entrega ao sagrado.









































































Esta cobertura é um registro da nossa resistência cultural e da beleza inabalável da religiosidade afro-brasileira.

Que o axé seja multiplicado.

Axé!

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