Por: Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ
A última semana foi um verdadeiro testemunho da força da nossa ancestralidade. Entre o toque dos tambores, o cheiro das folhas e o calor dos encontros, a comunidade de terreiro mostrou que o sagrado e o social caminham de mãos dadas. Percorremos territórios de axé para registrar uma jornada de devoção e compromisso político.
Domingo, 03 de Julho: O Brado do Boiadeiro e a Luta por Respeito
A semana começou sob a proteção de Seu Sete Porteiras. No Ilê Axé Oyá Bagã de Mãe Baiana, a festa do Boiadeiro foi um exemplo de como a cultura e o sagrado se fundem em uma só alma. O dia amanheceu com a cadência de uma grande roda de capoeira, preparando o solo para a chegada das entidades.
O ponto alto da espiritualidade deu-se no cortejo de entrega das oferendas na choupana, onde cânticos e aboios ecoaram, emocionando os presentes. Mas o axé também é espaço de consciência. Durante o almoço festivo, embalado por um legítimo pagode, o autor e Ògan Assogbá Luiz Alves distribuiu a cartilha "QUEM É DE AXÉ NÃO ASSEDIA". A obra é um instrumento vital na luta contra todas as formas de abuso, reafirmando que o terreiro é lugar de acolhimento e segurança.
O evento contou com a presença de lideranças civis, como os pré-candidatos a Governador do DF Leandro Grass e Andrey Lemos a Deputado Distrital ambos pelo PT, evidenciando a importância do povo de axé no cenário político do Distrito Federal.
Segunda-feira, 04 de Julho: O Valor do Acolhimento
A segunda-feira foi marcada pela diplomacia do afeto. No Ilê Oyá Bagã, um almoço especial reuniu Pai Nino de Oxumarê e Pai Marco de Omolú. O encontro teve como objetivo o estreitamento de relações e o apoio mútuo, já que Pai Marco está iniciando a montagem de seu novo Ilê em Águas Lindas (GO). É a rede de proteção e irmandade se fortalecendo além das fronteiras.
Sábado, 09 de Julho: O Preparo e a Honra aos Mais Velhos
O sábado foi de trabalho intenso e devoção. Iniciamos com a tradicional "derrubada do boi" de Seu Chapadão, no axé de Mãe Abadia de Ogun, rito essencial para o toque do dia seguinte.
Em seguida, uma comitiva formada pelo Ògan Assogbá Luiz Alves (PROJETO ONÍBODÊ), Odé Somi (Ògan Professor Feliz) e Mãe Déia Talamugongo ( ambos representando a ATRACAR-GO), percorreu diferentes casas para honrar a ancestralidade. Primeiro, a emoção tomou conta do Ilê de Pai Obalajô em homenagem aos Pretos e Pretas Velhas. Logo depois, o grupo seguiu para a casa de Mãe Vilcilene, onde o couro cantou em louvor aos Caçadores, os donos da fartura.
Domingo, 10 de Julho: Casamento, Energia e o Renascimento da Tradição
O fechamento da semana foi um verdadeiro turbilhão de axé. A grande festa de Seu Chapadão, na casa de Mãe Abadia de Ogun, reservou um momento de rara beleza: um casamento emocionante celebrado por Seu Lua Branca (de Tata Kanamburá). A união sob as bênçãos das entidades reforçou os laços de família que sustentam nossas comunidades.
A jornada de domingo ainda nos levou à casa de Pai Becker Ty Oyá, onde a energia vibrante de Seu Boiadeiro Sr. José Mineiro, renovou as forças de todos os presentes. Para encerrar com chave de ouro, visitamos a casa de Pai Kissabuntala. Em uma festa dedicada a Ossãe, o senhor das folhas, tivemos a honra de presenciar o nascimento de uma nova Ekédjí, suspensa para servir à casa. É a continuidade da nossa fé garantida por mais uma geração que se entrega ao sagrado.
Esta cobertura é um registro da nossa resistência cultural e da beleza inabalável da religiosidade afro-brasileira.
Que o axé seja multiplicado.
Axé!
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