Fotos: Filhos do Templo Rosa Branca
O cheiro de milho assado e canela não serve apenas para despertar o apetite. Em Samambaia, no Distrito Federal, esses aromas carregam memória. No dia 18 de julho de 2026, um sábado que marcou o calendário da comunidade, o Templo Rosa Branca Terreiro de Umbanda se transformou em um farol de resistência cultural. Sob a liderança espiritual de Mãe Cícera de Oxum, a tradicional Festa Julhina provou que a alegria também é uma forma de luta.
Não foi apenas uma reunião social. Foi um ato de afirmação. O terreiro, conhecido por ser um espaço de acolhimento e cura, abriu suas portas para que a comunidade pudesse celebrar sua identidade sem máscaras. A tarde cedeu lugar à noite, mas a luz permaneceu. Não vinha dos postes da cidade, mas do brilho nos olhos de quem encontrou ali um refúgio seguro. Entre os presentes, destacava-se a presença firme de Mãe Baiana de Oyá, cuja energia ancestral parecia dialogar diretamente com cada sorriso trocado no salão.
A política também esteve presente, não como discurso vazio, mas como compromisso com a vida. Andrei Lemos, pré-candidato a deputado distrital e defensor incansável da saúde do povo de Axé, circulou entre as barracas de comida típica. Sua presença reforçou a necessidade urgente de políticas públicas que respeitem e protejam as tradições afro-brasileiras, estiveram presentes també: a pré-candidata ao Senado a Deputada Federal Érika Kokai e o pré-cadidato a Deputado Federal, Deputado Distrital Fábio Feliz. Eles não estavam ali apenas para aparecerem. Estavam ali para ouvir, para sentir o pulso da comunidade que tanto defende nos corredores do poder legislativo.
As brincadeiras juninas ecoavam risadas genuínas. O jogo da argola, a pescaria, o correio elegante. Cada atividade era um pretexto para o encontro humano. As mesas transbordavam com pamonha, quentão, bolo de fubá e canjica. Alimentos que nutrem o corpo e a alma. Nos palcos improvisados, cantores locais entregaram suas vozes, transformando o ambiente em uma grande roda de samba e toada. A música não era apenas entretenimento. Era oração cantada. Era celebração da vida.
No centro de tudo, o casal Mãe Cícera e Dago. Eles não apenas organizaram o evento. Eles o viveram. Com uma simplicidade poderosa, receberam cada visitante como se fosse família. A tradição que construíram em Samambaia já não é mais apenas deles. Pertence àqueles que ali encontram paz, pertencimento e força. A festa julhina do Instituto Rosa Branca mostrou que a cultura afro-brasileira não sobrevive apenas na resistência silenciosa. Ela prospera na alegria compartilhada, no abraço apertado, no axé que circula livremente entre todos os presentes.
Enquanto a noite avançava sobre o DF naquele 18 de julho, o terreiro permanecia aceso. Não apenas pelas lâmpadas coloridas, mas pela chama da esperança que Mãe Cícera de Oxum e sua comunidade mantêm viva. Uma esperança que se alimenta de fé, de luta e, acima de tudo, de amor.
Que o axé seja multiplicado.
Axé!
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