Por: Ògan Assogbá Luiz Alves
Nos dias 24 e 25 de janeiro, o Ilê Axé Oyá Bagã, localizado na Zona Rural do Córrego do Tamanduá, em Lago Norte, abre suas portas para mais uma edição do Encontro Inter-religioso agora em sua décima edição. O evento, conduzido sob a liderança espiritual de Mãe Baiana de Oyá, marca não apenas uma década de diálogo inter-religioso, mas também os 10 anos do ataque incendiário que, em 2016, tentou apagar o sagrado espaço de culto e resistência afro-brasileira.
A história desse encontro nasce de um gesto simbólico e profundo: após o incêndio criminoso que destruiu parte do terreiro, o então Bispo de Brasília, sensibilizado com a violência sofrida pela comunidade, perguntou a Mãe Baiana o que poderia fazer. A resposta foi clara: “Traga uma muda de pau-brasil.” Daquela árvore plantada surgiu um novo tempo — um espaço vivo de encontro, escuta e convivência entre tradições religiosas diversas, consolidando-se como um dos mais importantes atos de resistência espiritual e cultural da capital federal.
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Este ano, o tema central gira em torno da 10° Encontro Inter-religioso de Saúde Mental. A juventude está viva! Cura, ancestralidade e saúde mental., articulando ancestralidade, fé e bem viver. A programação se estende por dois dias de acolhimento, trocas e celebração, com a presença tradicional de lideranças religiosas de Brasília e Entorno, representando umbanda, candomblé, catolicismo, espiritismo, budismo, judaísmo, protestantismos e outras tradições.
No domingo inicia com rodas de conversa, seguidas pelo cortejo ritualístico de oferendas ao Caboclo 7 Flechas, figura Ancestral que encarna a proteção dos caminhos e dos povos da floresta. No domingo, após as mesas de abertura e debates, todos se reúnem em torno da já frondosa árvore de pau-brasil, símbolo da reconstrução e da união. Ali, em roda, discutem-se ações concretas contra todas as formas de racismo, com ênfase no combate ao racismo religioso, ainda persistente e violento no Brasil contemporâneo.
A cultura é protagonista em cada momento. A Feira Afro, presente durante todo o evento, valoriza a economia criativa de base comunitária. A roda de capoeira ecoa memórias de luta e liberdade, . O ajeum (almoço) comunitário, regado com sabores da culinária de terreiro, reforça o princípio da partilha, pilar fundamental da espiritualidade afro-brasileira.
Mais do que um encontro, o Ilê Oyá Bagã se afirma como casa aberta, corpo coletivo e território de cura compartilhada. Neste 10º Encontro, o evento reafirma que a fé, quando tecida em rede, é antídoto contra o ódio e semente de um futuro mais justo, plural e compassivo.
Serviço:
Ilê Axé Oyá Bagan | 10° Encontro Inter-religioso de Saúde Mental
A juventude está viva! Cura, ancestralidade e saúde mental.
Sábado, 24.01.26
Seminário | Ilê Axé Oyá Bagan de Portas Abertas: Musealização e Biointeração
10h | Mesa 1 - Inventário de plantas do Ilê Axé Oyá Bagan: extensão universitária, musealização e biointeração
11h15 | Mesa 2 - Confluências, saberes e atravessamentos no envolvimento do inventário de plantas do Ilê Axé Oyá Bagan
12h30 | Lançamento de livro
Inventário de plantas do Ilê Axé Oyá Bagan: musealização e biointeração
13h | Ajeum
Domingo, 25.01.26x
09h | Café da manhã | acolhimento de participantes e convidados
10h | Cortejo de berimbaus
Balaio Escola de Capoeira Angola (BECA) + Cortejo Caboclo 7 Flechas
10h30 | Mesa de abertura
11h30 | Roda de Conversa Inter-religiosa
Tema: Juventude Neurodivergente
13h30 | Almoço comunitário
Apresentação cultural:
Martinha do Coco e Banda convidam: Nóz Marias
15h | Toque de Caboclo 7 Flechas
15h30 | Lanche da tarde
Durante todo o evento | Feira Afro
Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união.
Axé!
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