segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Fronteiras Inexistentes: A Potência Ancestral e Política do 10º Encontro Inter-religioso do Ilê Oyá Bagan



Por Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

Oníbodê O Porteiro, por um jornalismo de Axé e Resistência

Se o sábado foi o prelúdio, o domingo (25) consagrou o 10º Encontro Inter-religioso do Ilê Oyá Bagan como um marco histórico na luta pela liberdade de fé e pela ocupação política do povo de santo no Distrito Federal. Sob a liderança magnética de Mãe Baiana de Oyá, o evento transcendeu a ideia de uma simples reunião para se tornar um manifesto vivo de resistência, cultura e cidadania.

O Despertar da Ancestralidade

O dia raiou sob a vibração das cordas e cabaças. Uma orquestra de berimbaus recepcionou os convidados, anunciando que aquele solo é território negro, de capoeira e de orixá. Após um café da manhã que aqueceu o corpo, o espírito foi alimentado: em cortejo, o povo seguiu para entregar a oferenda ao guardião da casa, o Caboclo de Pena Seu Sete Flexas. Ali, no contato com a terra e com o verde, reafirmou-se o compromisso com a natureza sagrada.

Uma Mesa de Peso e a Conquista da Terra

A mesa de abertura não foi apenas cerimonial; foi uma demonstração de força política. O terreiro se encheu de autoridades do Estado, da sociedade civil e de diversas vertentes religiosas, provando que o diálogo é a arma mais poderosa da democracia.

A bancada religiosa e civil brilhou com a presença da anfitriã Mãe Baiana, ao lado de Mãe Vilcilene de Jagum (Instituto Rosa dos Ventos), Mãe Fabíola de Oxum (Coletivo das Yás do DF), Mãe Cícera de Oxum (Renafro), Elianildo Nascimento (Iniciativa das Religiões Unidas) e Jacy Afonso (Sindicato dos Bancários).

A esfera federal e jurídica marcou presença massiva, validando a importância do Ilê Oyá Bagan como ponto de cultura e saúde pública:

  • Vitória Genuíno (Secretária Nacional de Juventude);

  • Rosi Santos (Ministério da Saúde - População Negra);

  • Representantes da Ministra Macaé Evaristo (MDH): Valdir Saboia e Miria Gomes Alves;

  • Dra. Angela (Delegada da DECRIM)

  • Sr, Jaci Afonso.representante do Sindicato dos Bancários -DF

  • Babá Toby  Sacerdote afro-religioso e empresário

Um marco histórico : Um dos momentos mais celebrados foi a presença do Dr. Ronan Ferreira Figueiredo, Defensor Público do DF. Sua atuação foi fundamental para a regularização fundiária do Ilê, finalizada nesta semana através do uso de moeda social. Uma vitória que garante que o chão onde se pisa o Axé é, de direito e de fato, do povo de santo.

A diversidade religiosa se completou com o Sheik Ali Reza Mijalili (Cônsul do Irã), Sr. Sayd Tenório, Monge Sato, além da irmã Pastora Wal e do Pastor Wilson, mostrando que o amor divino não tem placa de igreja.

Educação e Futuro: A Juventude e o Combate ao Assédio

Enquanto as autoridades falavam, o futuro acontecia no salão menor: a Juventude da Renafro-DF realizava rodas de conversa e dinâmicas, garantindo a renovação das lideranças.

O evento também foi palco de lançamentos literários essenciais, patrocinados pelo Sindicato dos Bancários: o Guia de Direitos dos Povos de Matriz Africana e a cartilha "QUEM É DE AXÉ NÃO ASSEDIA", de autoria de Ògan Assogbá Luiz Alves. Uma ferramenta pedagógica vital para identificar, denunciar e erradicar o assédio dentro e fora das comunidades.

A Chuva como Bênção e a Lição do Monge

Após a mesa, o grupo se dirigiu ao pé do Pau-Brasil para uma roda de conversa. Foi quando a natureza respondeu: a chuva caiu, não para dispersar, mas para abençoar e unir. Todos correram para o salão principal, criando um ambiente intimista e acolhedor. Enquantos todos se dirigiam para o salão o Sheik Ali Reza Mijalili (Cônsul do Irã) entoava a primeira Sutra do Alcoorão, dando um significado muito especial ao cortejo.

Foi neste cenário que o Monge Budista Sr. Sato proferiu a frase que sintetizou o encontro:

"NÃO EXISTE FRONTEIRAS PARA A RELIGIOSIDADE!"

Cultura, Sabor e Encerramento Espiritual

Ninguém faz comunidade de barriga vazia. O almoço foi um espetáculo à parte, com uma cabritada e um cozidão que exalavam o tempero de terreiro. A cultura popular tomou conta com a força de Martinha do Côco e a presença do grupo Nós Marias (SP).

O encerramento não poderia ser diferente: girando. A tradicional roda para o Caboclo Seu Sete Flexas trouxe entidades amigas à terra. Em um grande batimento de folhas, realizou-se um descarrego coletivo, lavando a alma dos presentes e recarregando o Axé para as lutas que virão.

O 10º Encontro do Ilê Oyá Bagan provou que quando o povo de santo se une, a política se transforma, o preconceito recua e a vida se renova.

Vejam abaixo algumas fotos e vídeo do evento




Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

Axé!

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4 comentários:

  1. Muito lindo maravilhoso evento.
    Ase amor, fe é união juntos em uma só voz. 👏👏

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  2. Parabéns mãe baiana pelo e ogã Luiz pela cobertura sucesso total

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