*Por Ògã Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ
Brasília, 26 de novembro de 2025 — Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres
Na terça-feira, 25 de novembro, a Esplanada dos Ministérios não apenas tremeu pulsou ao ritmo sagrado dos atabaques, do grito ancestral das Iyás, das batidas firmes de milhares de pés que não aceitam mais calar-se diante da banalização da morte de mulheres no Brasil. Sob um céu que parecia carregar o peso de todas as ausentes Marielle, Dandara, Mãe Geni, tantas outras, a capital federal foi tomada por um mar de vozes, panos-da-costa, contas de Oxum e colares de Iansã, em um ato que marcou não só o calendário político, mas o território sagrado da resistência feminina e negra.
Organizado em torno do 25N Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, o ato foi muito mais que uma caminhada: foi um rito de afirmação, cura coletiva e exigência de justiça. A Esplanda se tornou um grande terreiro ao ar livre, onde cada passo era uma prece, cada grito, uma invocação às Ancestrais que guerrearam antes de nós e às que ainda estão por vir.
A Força das Iyás e o Poder da RENAFRO Nacional
A Rede Nacional de Mulheres que compõem a RENANFRO esteve na linha de frente — não como coadjuvante, mas como protagonista política e espiritual. Com seus bastões de comando, lenços brancos simbolizando luto e resistência, e a autoridade ancestral que só a experiência de quem carrega o mundo nas costas pode conferir, as mulheres da RENANFRO Nacional, lado a lado com o Coletivo das Iyás do DF e Entorno, transformaram a Esplanada em um espaço de sagrada insurgência.
“Somos guardiãs da vida, não da dor. Somos mães, filhas, sacerdotisas, guerreiras — e não vamos mais enterrar nossas irmãs em silêncio”, afirmou, com a voz firme como o tronco do Iroko, uma das lideranças presentes, em maio a aplausos e cânticos de “Axé para as Iyás! Vida para as mulheres negras!”.
Axé em Marcha: Coletivos Religiosos como Trincheiras de Resistência
A presença massiva dos terreiros não foi simbólica foi estratégica. Em um país onde a intolerância religiosa se entrelaça com o racismo estrutural e o misoginia, ver o FOAFRO-DF, o COLETIVO DEFENSORES DO AXÉ, o PROJETO ONÍBODÊ, os HOMENS DE AXÉ DA RENAFRO, ATRACAR-GO e terreiros de todo o DF e entorno marchando unidos foi um recado claro ao Estado laico, mas profundamente colonizador em suas práticas: as religiões de matriz africana não estão aqui para pedir espaço, estão aqui para construí-lo, defendê-lo e multiplicá-lo.
A Fundação Cultural Palmares, por sua vez, reforçou o compromisso institucional com a valorização da cultura negra mas a cobrança foi direta: “Não queremos apenas reconhecimento simbólico. Queremos políticas públicas efetivas, proteção aos terreiros, combate à perseguição religiosa e às mortes de mães e filhas de santo em nome da ignorância e do preconceito.”
Feminicídio Não é Crime de Paixão — É Política de Estado
O ato rejeitou veementemente a naturalização do feminicídio como crime passional. “Não existe paixão na faca que corta a garganta de uma mulher. Não existe amor no estupro, na humilhação, na negação de direitos. O que existe é um sistema que tolera, encobre e até celebra a dominação masculina”, bradou uma jovem ativista do COLETIVO DEFENSORES DO AXÉ,
Os números são brutais: a cada 7 horas, uma mulher é assassinada no Brasil. Entre elas, 60% são negras vítimas preferenciais de um Estado omisso e de uma sociedade que ainda insiste em enxergar seus corpos como descartáveis.
Um Ato Político, Espiritual e Irreversível
Apesar da presença de autoridades políticas — algumas aplaudidas, outras nem tanto e cartazes de menos discurso, mais ação o foco permaneceu claro: o poder está nas ruas, nas mãos das mulheres que constroem, curam, lideram e resistem. Este não foi um pedido de atenção. Foi uma declaração de soberania.
> “Enquanto uma mulher for violentada, todas estaremos em luto e em luta.
> Enquanto uma mulher negra for apagada, todas estaremos em guerra.
> Enquanto um terreiro for queimado, todas estaremos em pé.
> Nossa luta é ancestral. Nossa resistência, divina.
> E o Brasil — este Brasil que nega, que mata, que cala — vai ter que aprender:
> Quando as mulheres de Axé marcham, até o chão treme.
> E nada mais será como antes.”
Axé. Asé. Vida. Justiça. Já.
ALGUMAS FOTOS DA MARCHA.
Em Homenagem à todas as mulheres que não puderam estar lá — porque foram ceifadas cedo demais. Que seus nomes sejam lembrados, suas causas, abraçadas, e sua luta, continuada com coragem, fé e fúria sagrada.
Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união.
Axé!
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