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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Fé, Axé e Cidadania: A Alvorada de uma Muzenza no Nzo Nganga Muxitu Junsara em Águas Lindas de Goiás

 

Por : Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

Águas Lindas de Goiás

O chão de terra batida do Nzo Nganga Muxitu Junsara dirigido por Mameto Deia Talamugongo, em Águas Lindas de Goiás, não vibrava apenas com o couro dos atabaques no último final de semana (25-03). Havia algo mais denso e vibrante no ar: a expectativa coletiva pela "nascimento" público de uma nova força. O toque de saída da Muzenza de Zazi não foi apenas um rito de passagem religioso, mas um manifesto de resistência, vida e consciência política.

Desde as primeiras horas, o clima era de uma ansiedade sagrada. Filhos e filhas de santo, visitantes e autoridades religiosas aguardavam o momento em que a Muzenza de Zazi cruzaria o umbral, trazendo consigo a energia do fogo, da justiça e a força ancestral que caracteriza este orixá/inquice.


O Sagrado como Ato Político

Antes que o primeira batida no couro do atabaque ecoasse para anunciar a chegada da Muzenza, o terreiro silenciou para ouvir a voz firme de Mameto Deia Talamugongo. Com a autoridade de quem zela pelo sagrado e pela comunidade, Mãe Deia proferiu uma fala que ecoará para além das paredes do N’Zo.

Em um discurso humanizado e urgente, ela lembrou que o compromisso com os deuses não termina na porta do terreiro. Em pleno ano eleitoral, a Mameto exortou os presentes sobre a importância da ocupação de espaços de poder.

"Nossa fé é nossa identidade, e nossa identidade precisa de voz na política," pontuou a líder."

Mãe Deia foi incisiva ao convocar os frequentadores dos terreiros do Entorno de Brasília a transferirem seus títulos de eleitor para as cidades onde professam sua fé. O objetivo é claro: criar uma massa crítica capaz de exigir políticas públicas que respeitem e fomentem as comunidades de matriz africana. "Precisamos apoiar quem é da nossa casa, de nossa comunidade, quem entende nossas necessidades e quem não tem vergonha de defender o nosso povo," afirmou, sob olhares de aprovação e reflexão.






A Força de Zazi e a Celebração da Vida

Quando a Muzenza de Zazi finalmente surgiu, o ambiente foi tomado por uma energia arrebatadora. O branco das vestes, o brilho dos fios de conta e a dança ancestral emocionaram os presentes. Era a materialização do renascimento, a prova viva de que a tradição banto segue pulsando forte no coração de Goiás. A força de Zazi, senhor da justiça, parecia chancelar as palavras de ordem ditas anteriormente pela Mameto.

O rito fluiu com a harmonia de quem sabe que está construindo o futuro sem esquecer as raízes. Sorrisos, lágrimas de emoção e o som dos cânticos criaram uma atmosfera de acolhimento e renovação espiritual.









O Banquete da Fraternidade

Como todo bom encontro de axé, a celebração culminou em torno da mesa. Um jantar farto e saboroso foi servido, transformando o N’Zo em um grande espaço de confraternização. Entre um prato e outro, o que se via eram conversas animadas e o estreitamento de laços que fortalecem a rede de apoio da religiosidade afro-brasileira na região.

O toque de saída no N’Zo de Mameto Deia Talamugongo deixa uma lição valiosa: o axé é, também, uma ferramenta de transformação social. Saímos de lá não apenas alimentados espiritualmente e fisicamente, mas com a certeza de que nossa reza e nosso voto caminham de mãos dadas em busca de um mundo mais justo e respeitoso para todos os povos de terreiro.

Na ocasião eu, Ògan Assogbá Luiz Alves fiz mais uma distribuição da cartiha "QUEM É DE AXÉ NÃO ASSEDIA!" como mais uma forma de luta contra toda forma de assédios nos Espaços Sagrados


Axé, Águas Lindas! A força de Zazi nos guia!

Que o axé seja multiplicado.

Axé!

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segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Axé e Alegria no Toque em Homenagem ao Seu Boiadeiro Zé da Mata de Mãe Déia Talamungongo

 Por Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

O domingo em Águas Lindas de Goiás foi tomado por uma energia contagiante, um misto de fé, alegria e tradição no Toque em Homenagem ao Seu Boiadeiro Zé da Mata, no Nzo Nganga Muxitu Jussara dirigido pela querida Mãe Déia de Talamungongo. O terreiro, pulsante com o ritmo dos atabaques e o calor da comunidade, recebeu diversas autoridades e filhos de fé da Religião de Matriz Africana de Águas Lindas, Brasília e territórios vizinhos, todos unidos para celebrar a força e a lida desse importante Boiadeiro.

A festa anual, que já se tornou um ponto de convergência da nossa fé, foi mais uma vez um retrato da vitalidade da nossa religiosidade. O clima era de pura celebração, um verdadeiro batuque no pé-de-ogã, onde a reverência se misturava ao sorriso fácil e só ter ao abraço fraterno. A presença maciça de líderes e representantes de diversas casas demonstrou o respeito e a admiração que Mãe Déia e seu Boiadeiro conquistaram ao longo de uma trajetória dedicada ao axé.

E para abrilhantar ainda mais essa noite especial, veio diretamente de São Paulo o talento do renomado Gil da Viola. Coube a ele o toque especial, e que toque! As cordas de sua viola entoaram louvores de uma sonoridade única, dialogando perfeitamente com a cadência dos ilús e a voz do povo, criando uma melodia que ecoava no coração de todos. Foi um momento de pura magia, onde a cultura caipira se encontrou com a ancestralidade africana, mostrando a riqueza e a diversidade das nossas expressões de fé.

Mãe Déia Talamungongo, uma das nossas mais importantes lideranças, que hoje preside a ATRACAR-GO, estava radiante, cercada por muitos de seus filiados, irmãos e amigos que vieram prestigiar o evento, formando como disse em suas palavras "uma grande família, não importa o segmento ou nação, somos todos uma grande família". Sua presença à frente da associação fortalece ainda mais a luta pela liberdade religiosa e pela organização do nosso povo-de-santo em Goiás.

Estive neste local de Grande Axé, representando oficialmente o FOAFRO-DF, o Projeto Oníbodê e, claro, a força virtual do Coletivo de Whatsapp "Defensores do Axé", mostrando que nossa rede de apoio e fé se estende do mundo físico ao digital.

Para coroar o dia tão abençoado, os convidados foram presenteados com um delicioso churrasco, simbolizando a fartura e a generosidade do Seu Boiadeiro Zé da Mata. A comida, partilhada entre irmãos de fé, fortaleceu os laços e aqueceu ainda mais os corações.



O toque foi, acima de tudo, uma afirmação. Afirmação da nossa fé, da nossa cultura e da nossa capacidade de nos reunirmos em alegria e respeito. Que o Seu Boiadeiro Zé da Mata continue abrindo nossas estradas e que o axé de Mãe Déia Talamungongo e de toda a comunidade só aumente!

Ògan Assogá Luiz Alves

Representante do FOAFRO-DF, Projeto Oníbodê e Coletivo "Defensores do Axé"

Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união. 

Axé!

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