Por Ògan Asogba Luiz Alves /PROJETO ONIBODÊ
ÁGUAS LINDAS DE GOIÁS. O calor do cerrado goiano invadiu a Feira Central na noite de quarta-feira, 7 de outubro de 2026. Mas o burburinho que tomou conta dos corredores entre bancas de verduras e barracas de pastel não era apenas sobre preço de tomate ou a movimentação do comércio. Era sobre o futuro do Brasil. E, mais especificamente, sobre como garantir que a classe trabalhadora de Águas Lindas tenha voz ativa na disputa que definirá os rumos do país no segundo turno.
O Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) de Águas Lindas de Goiás promoveu, naquela noite, uma reunião aberta com a comunidade para debater estratégias e ações de campanha pela reeleição do presidente Lula. O local escolhido não foi o auditório de uma sede partidária qualquer, mas o coração pulsante da cidade — a Feira Central, espaço onde a economia popular respira e onde a política precisa, necessariamente, aprender a falar a língua do povo.
E a resposta da comunidade foi à altura do chamado. Trabalhadores autônomos, donas de casa, jovens estudantes, aposentados e lideranças comunitárias lotaram o espaço destinado ao debate. A participação expressiva não apenas superou as expectativas da organização, como demonstrou que a militância petista em Águas Lindas não está disposta a assistir à disputa do segundo turno de camarote. Quer ocupar as ruas, as feiras, as portas de casa. Quer conversar, olhar no olho, reconstruir pontes.
O que estava em jogo: estratégia, escuta e mobilização
A pauta da reunião foi construída com os pés no chão da realidade local. Não se tratava de discurso vazio ou de retórica inflamada, mas de um plano de ação concreto, costurado a partir das necessidades e desafios que a militância identifica no dia a dia da cidade.
Entre os principais pontos debatidos, destacaram-se:
1. A ampliação da divulgação das conquistas dos direitos dos trabalhadores. Os participantes defenderam que não basta listar números ou citar índices macroeconômicos. É preciso traduzir cada conquista em linguagem acessível: o reajuste real do salário mínimo, a valorização da renda, a retomada de obras e investimentos que geram emprego e renda nos municípios. A ideia é que cada voluntário seja capaz de mostrar, com exemplos palpáveis, como as políticas do governo federal chegam ao bolso e à mesa do trabalhador de Águas Lindas.
2. A manutenção e a defesa intransigente dos programas sociais. O Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Mais Médicos, o Gás do Povo — programas que mudaram a vida de milhares de famílias na cidade — precisam ser apresentados não como favor, mas como direito. E, mais do que isso, precisam ser defendidos como conquistas que estão sob risco real caso o projeto adversário prevaleça nas urnas. A militância foi orientada a tratar cada programa como parte de um legado que não pode ser desmontado.
3. Novas formas de abordagem nas panfletagens. A reunião foi enfática: o panfleto sozinho não convence mais. É preciso estabelecer conexão. Os voluntários foram incentivados a adotar uma escuta ativa — perguntar, ouvir, entender a realidade de cada eleitor antes de apresentar propostas. A técnica do "boca a boca qualificado", que combina escuta e argumentação, foi apontada como a mais eficaz para conquistar corações e mentes neste segundo turno.
4. A busca pelos votos indecisos. O cenário político nacional ainda apresenta um contingente significativo de eleitores que não se sentem representados por nenhum dos projetos em disputa. A estratégia debatida em Águas Lindas passa por identificar esses eleitores e apresentar a eles não apenas propostas, mas uma visão de país: um Brasil que inclui, que investe em educação, saúde e infraestrutura, que valoriza o trabalho e a dignidade da população.
5. A reconquista de quem votou nulo ou se absteve no primeiro turno. Este foi um dos pontos mais sensíveis e estratégicos da reunião. Mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas ou anularam o voto no primeiro turno. Em Águas Lindas, essa realidade também se fez presente. A orientação é clara: não se trata de julgar, mas de acolher. Muitos desses eleitores se afastaram por descrença, por desinformação ou por dificuldades concretas de acesso à informação. O trabalho agora é reconstruir a confiança, mostrar que a política — quando feita com seriedade e compromisso — pode transformar vidas.
6. O engajamento de jovens e idosos na campanha. A reunião destacou a importância de integrar diferentes gerações na militância. Os jovens trazem a energia, a linguagem das redes sociais e a capacidade de dialogar com um eleitorado conectado. Os idosos trazem a memória, a credibilidade das lutas históricas e a confiança construída em décadas de relação com a comunidade. A combinação dessas forças foi apontada como essencial para uma campanha vitoriosa.
7. A conexão com o Diretório Nacional da campanha. Nenhuma campanha se vence isoladamente. Os participantes reforçaram a necessidade de manter um canal aberto e permanente com o Diretório Nacional do PT e com a coordenação da campanha de reeleição do presidente Lula. Isso significa alinhar discursos, compartilhar materiais, receber orientações estratégicas e, sobretudo, garantir que a realidade de Águas Lindas — com suas demandas específicas de cidade da periferia metropolitana — seja ouvida e considerada nas decisões nacionais.
A força que vem da base
O que se viu na Feira Central de Águas Lindas não foi apenas uma reunião de partido. Foi um ato de resistência democrática, de afirmação da política como ferramenta de transformação social. Enquanto o país se prepara para o segundo turno — marcado para o próximo dia 25 de outubro —, a militância petista da cidade demonstra que entendeu o recado das urnas: é preciso sair do comodismo, ocupar os espaços, dialogar com quem pensa diferente e, acima de tudo, não permitir que o medo ou a desinformação silenciem a voz do povo trabalhador.
A reunião terminou com uma convocação clara: cada participante se tornará um multiplicador. Cada conversa na fila do pão, cada roda de vizinhos, cada grupo de WhatsApp será espaço de debate e de mobilização. Porque a eleição não se decide apenas nos estúdios de TV ou nas bolhas digitais. Decide-se na feira, na porta de casa, no ponto de ônibus, no balcão do comércio.
Em Águas Lindas, a militância deixou claro: a campanha do segundo turno começou. E começou com o pé no chão, com a orelha atenta e com o coração na comunidade. Como resumiu uma liderança comunitária presente ao encontro: "Não estamos aqui para convencer ninguém com promessas vazias. Estamos aqui para lembrar o que já foi conquistado e para garantir que o povo continue sendo prioridade. O Brasil que queremos se constrói com a força de quem nunca desistiu."
A luta contina. E em Águas Lindas de Goiás, ela tem nome, rosto e voz!
Que o axé seja multiplicado.
Axé!
*APOIE, DIVULGUE E INCENTIVE O ONÍBODÊ (O PORTEIRO) por uma comunicação ANTI-FACISTA, ANTI-RACISTA e de apoio à Nossa Comunidade Negra e Afro Religiosa com doações a partir de R$25,00 (vinte e cinco reais)*
CLIQUE NO LINK ABAIXO PRA APOIAR



Nenhum comentário:
Postar um comentário
Dê sua opnião para que possamos melhorar nosso trabalho.