sábado, 27 de junho de 2026

O Eco dos Tambores em Águas Lindas: A Noite de Magia e Luta nos 35 Anos de Oxóssi de Pai Ricardo

Por: Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ

Por um Jornalismo de Axé e Resistência

No último dia 20 de junho, as terras de Águas Lindas de Goiás não apenas testemunharam um toque de candomblé; elas vibraram sob o peso da ancestralidade, do amor e de uma história que completa trinta e cinco anos de pura devoção. O Ilé Asé Odé Erinlé abriu suas portas para celebrar os 35 anos de Pai Oxóssi na vida de Pai Ricardo. O que se viu ali foi a manifestação mais pura do Sagrado, uma noite tecida com fios de emoção, realeza preta e compromisso social.

Conduzido com a maestria e o respeito que a tradição exige por Pai Alan Baloni, o toque foi um verdadeiro banquete espiritual. O couro dos atabaques conversava diretamente com os corações presentes, preparando o terreno para uma noite que ficaria marcada na memória de toda a comunidade afro-religiosa da região.

O Altar das Matriarcas: A Força Feminina no Terreiro

A celebração contou com o brilho e a chancela de diversas autoridades civis e religiosas, mas o ponto alto da representatividade institucional e espiritual esteve na presença imponente das Matriarcas. do Ilê Axé Opó Afonjá - RJ. O axé do Rio de Janeiro cruzou fronteiras para abençoar a festa, trazendo a linhagem e o peso histórico do Opó Afonjá através de:

  • Ekédjí Mãe Sandra, a Iyá Obá

  • Iyá Conceição de Ayrá - Iyá Egbé

  • Iyá Marilene de Osun

Ver essas mulheres ocupando o espaço de honra foi um lembrete vivo de que o candomblé é, essencialmente, uma religião de matriz matriarcal, onde o colo, a sabedoria e o rigor dessas mães sustentam o mundo.

Discurso de Resistência: "É Preciso Enegrecer o Candomblé"

Se as lágrimas marejaram os olhos dos presentes pela beleza do rito, as palavras de Pai Ricardo incendiaram as consciências. Em um discurso profundamente emocionado, o babalorixá olhou para trás e agradeceu a cada companheiro, companheira e filho de santo que, com parceria e apoio, ajudou a pavimentar sua caminhada de mais de três décadas.Entre as pessoas que muito ajudaram e ajudam Pai Ricardo em sua jornada podemos citar Mãe Abadia de Ogun, Pai Aguein e Mãe Vilcilene de Jagun que sempre estiveram ao lado de Pai Ricardo em todas as vezes que suas presenças fossem solicitadas ou necessárias, extendendo o sentimento de gratidão aos filhos de suas casas. Presente também membros da diretoria da ATRACAR-GO, FOAFRO-DF, COLETIVO DE WHATSSAP DEFENSORES DO AXÉ e PROJETO ONÍBODÊ.

No entanto, o ápice de sua fala foi o chamado à luta. Pai Ricardo bradou pela urgência de manter os terreiros como portos seguros para o povo preto, transformando cada casa de axé em uma trincheira contra o racismo, a intolerância e o preconceito.

"Não podemos permitir que o negro perca seu espaço em uma religião que é originariamente negra. É preciso enegrecer o candomblé todos os dias!" — declarou o sacerdote, sob aplausos calorosos.

O Rei das Matas Ocupa o Seu Trono

A expectativa pela chegada do dono da festa era quase palpável. Após as saudações das autoridades, o salão silenciou por um milésimo de segundo para, logo em seguida, explodir em pura alegria: Pai Odé se fez presente.

A chegada do caçador trouxe uma atmosfera de intensa magia. Com a generosidade que lhe é cabida, a divindade logo começou a trazer seus convidados para a roda, estendendo a realeza espiritual a todos os presentes.

O Reencontro e o Afeto

Enquanto a corte se preparava nos bastidores para a grande apresentação, o salão viveu um breve e terno intervalo. Foi o momento em que o sagrado deu espaço ao calor humano: abraços apertados, sorrisos largos e lágrimas de reencontro selaram a cumplicidade daqueles que dividem a caminhada na fé.

O Ápice: O Rum de Pai Odé

Ao som dos atabaques ritmados, palmas ritmadas e gritos de louvação que ecoavam até as estrelas de Goiás, Odé ressurgiu lindo, imponente e ladeado por sua corte. O ápice da noite se deu no Rum de Pai Odé com seus convidados — uma dança sagrada que reconectou o visível e o invisível em uma coreografia de pura energia e axé.

Um Banquete para o Rei

Após o encerramento dos ritos religiosos, a celebração da vida e da fartura continuou na mesa. Os presentes foram agraciados com um delicioso jantar preparado com todo o carinho e axé por Pai Marcio de Oyá, que fez questão de presentear o grande caçador e seu irmão de santo com esse banquete inesquecível.

A noite no Asé Odé Erinlé não foi apenas uma festa de aniversário de santo; foi uma afirmação política, um abraço ancestral e a certeza de que, enquanto o tambor ecoar e as lideranças se posicionarem, a cultura afro-brasileira permanecerá viva, preta, altiva e inabalável.

Okê Arô, Pai Oxóssi! Que seus 35 anos de axé continuem apontando a flecha da prosperidade e da justiça para todos nós!

Vejam abaixo algummas fotos do Toque em Homenagem aos 35 anos de Pai Ricardo de Oxóssí:


































































































































Que o axé seja multiplicado.

Axé!

*APOIE, DIVULGUE E INCENTIVE O ONÍBODÊ (O PORTEIRO) por uma comunicação ANTI-FACISTA, ANTI-RACISTA e de apoio à Nossa Comunidade Negra e Afro Religiosa com doações a partir de R$25,00 (vinte e cinco reais)*

CLIQUE NO LINK ABAIXO PRA APOIAR

  https://apoia.se/projetoonibode


3 comentários:

  1. Parabéns pela matéria meu amigo !

    ResponderExcluir
  2. Registros lindos e emocionantes ❤️

    ResponderExcluir
  3. Que momento lindo e maravilhoso, ter o senhor para registrar esses instantes é importantíssimo.

    ResponderExcluir

Dê sua opnião para que possamos melhorar nosso trabalho.