Por: Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ
O primeiro toque na nova casa de Pai Marco de Oxum o ILÊ ASÉ TI IWA RERE TI AWON OMO OXUM
Águas Lindas de Goiás, 15 de março de 2026 - Sob o sol generoso do Planalto Central, um domingo histórico se desenhou na cidade de Águas Lindas de Goiás. A comunidade religiosa afro-brasileira testemunhou o nascimento de um novo ponto sagrado, onde a tradição, a gratidão e a ancestralidade se uniram em celebração poderosa. O Toque em Homenagem ao Seu Boiadeiro 7 Laços, primeiro evento realizado na casa a pedido expresso da entidade, marcou não apenas uma festa, mas o início de uma trajetória promissora de fortalecimento espiritual e comunitário.
A Pedra Fundamental: Quando a Entidade Chama
Em religiões de matriz africana, há momentos em que o sagrado se manifesta de forma tão intensa que não podem ser ignorados. Foi assim que aconteceu neste domingo memorável. Pai Marco de Oxum, babalorixá e guardião deste novo axé, recebeu o chamado direto de seu guia espiritual: Seu Boiadeiro 7 Laços, entidade de força imensa na Umbanda, pediu para que a primeira festa na nova casa fosse em sua homenagem.
"Não se deixa pra trás quem sempre esteve contigo, quem lhe amparou e cuidou nos momentos mais difíceis."
Estas palavras, sempre presentes na orientação de Pai Ricardo de Oxóssi, quem dirigiu o toque com maestria, ecoaram como verdade absoluta durante toda a celebração. Para quem conhece a história de Pai Marco, oriundo da Umbanda, a mensagem ressoa com profundidade especial: é preciso respeitar quem sempre esteve presente, honrando as raízes que sustentam nossa caminhada.
A Direção de Pai Ricardo de Oxóssi: Sabedoria e Coerência
A escolha de Pai Ricardo de Oxóssi para dirigir este toque inaugural não foi casual. Sua presença representou a continuidade de uma linha de transmissão de conhecimento que valoriza a fidelidade às origens. Ao conduzir os ritmos, as oferendas e os momentos de incorporação, ele traduziu em prática sagrada aquilo que há muito ensina: a religiosidade afro-brasileira se fortalece quando honra seus caminhos paralelos, sem hierarquias artificiais entre Candomblé e Umbanda.
Sua voz firme e seu tambor assertivo criaram o ambiente perfeito para que as entidades se manifestassem com plenitude, demonstrando que a boa direção ritual é alicerce de toda celebração que pretende ser verdadeiramente transformadora.
A Família do Axé: União que Transcende Tempo
Um dos aspectos mais emocionantes deste toque foi a presença massiva da família do Ilê Asé ODÉ ERINLÉ Ty OYÁ, atual axé de Pai Marco. A casa se encheu de irmãos e irmãs de fé que, através dos caminhos de Odé Erinlé — divindade caçadora, médico e protetor —, reafirmaram seus laços de pertencimento e compromisso com o trabalho espiritual.
Mas o que tornou o momento ainda mais especial foi a presença de membros de antigas famílias de axé de Pai Marco. A reunião de diferentes momentos de sua trajetória religiosa simbolizou a reconciliação e continuidade: o passado não é apagado, mas integrado; as histórias não terminam, se transformam. Esta convergência de afetos e compromissos sagrados demonstrou que uma casa verdadeiramente aberta é aquela que consegue acolher todas as expressões de amor e devoção que construíram sua história.
A Força do Caboclo Ubirajara do Peito de Aço
Entre as manifestações que emocionaram os presentes, destacou-se a incorporação do Caboclo Ubirajara do Peito de Aço, entidade de força guerreira e proteção inabalável, que também se manifesta em Pai Marco. Sua presença reforçou o caráter de resistência e determinação deste novo ponto: assim como o peito de aço que lhe dá nome, a casa se propõe a ser espaço de fortaleza para todos que buscam amparo espiritual.
Outras entidades convidadas também abrilhantaram a festa, como o Seu Boiadeiro Menino entidade de Pai Ricardo de Oxóssi, criando um panteão vivo e diversificado que dialogou com as necessidades e agradecimentos dos frequentadores. O clima de alegria contagiante, típico dos momentos em que o sagrado se faz presente de forma plena, transformou o ambiente em verdadeiro terreiro de celebração coletiva.
A Mesa Farta: Sacrifício e Partilha
Nenhum toque de verdade se completa sem a partilha material que simboliza a abundância prometida pelos Orixás e entidades. E neste aspecto, a organização não economizou esforços para demonstrar gratidão:
- Mocotó delicioso, aquele caldo nutritivo que restaura corpos e almas
- Dobradinha tradicional, símbolo de prosperidade e fartura
- Feijão tropeiro, herança cultural do interior brasileiro que une sabor e significado
-Muitas frutos simbolizando a natureza, base de toda atividade afro religiosa
A mesa farta não foi mero detalhe logístico, mas oferenda concretizada em partilha comunitária, onde todos filhos de santo, frequentadores e visitantes puderam saciar-se fisicamente enquanto nutriam-se espiritualmente. É assim que se constrói religião: na confluência entre o material e o sagrado, entre o corpo que come e a alma que agradece.
O Que Vem Por Aí: Sementes de Futuro
O primeiro toque de uma casa é sempre profecia do que está por vir. As palavras de encerramento desta matéria não poderiam ser outras senão as de quem vislumbra horizontes promissores:
Que venham mais toques! Que esta casa frutifique em trabalhos, em curas, em celebrações e em formação de novos adeptos. Que ela se fortaleça como ponto de encontro entre o céu e a terra, entre os ancestrais e os vivos, entre a tradição e a renovação.
Que os laços com O SAGRADO se multipliquem, se aprofundem e se tornem inquebrantáveis. Que Seu Boiadeiro 7 Laços, Caboclo Ubirajara do Peito de Aço, Odé Erinlé, Oxum e todos os Orixás e Entidades que abençoaram este início continuem à frente, guiando passos, abrindo caminhos e consolidando este axé que nasce forte, porque nasce com a presença de sua Ancestralidade.
RELIGIOSIDADE COM COMPROMISSO SOCIAL:
Durante o toque Ògan Assogbá Luiz Alves distribuiu cartilha: "QUEM É DE AXÉ NÃO ASSEDIA", com o objetivo de lutar contra todas as formas de ASSÉDIOS, que infelizmente tem crescido em nosso meio e demais espaços da sociedade.
Porque quando o sagrado chama, a resposta só pode ser uma: Axé!
Contatos:
Pai Marco de Oxum (61) 99117-4232
Pai Ricardo de Oxóssi (61) 99227-7166
FOTOS DO TOQUE:
Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união.
Axé!
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