Por Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ
Para o olhar desatento, a vida no terreiro pode parecer um espetáculo de cores, danças e tecidos vistosos. O brilho das contas, o balançar dos fios de conta e a energia das festas encantam quem vê de fora. Mas, como jornalista que caminha entre os atabaques e observa os bastidores da fé afro-brasileira, preciso dizer: o Axé não é apenas glamour. O Axé é, antes de tudo, uma escola de renúncia.
Ser de Axé é viver em constante estado de decisão. É sexta-feira à noite, o convite para a balada chega, o encontro social está marcado, mas o toque no terreiro chama. Nesse momento, o iniciado descobre que a liberdade espiritual custa caro. Custa o "não" dito a si mesmo. Custa a priorização do coletivo sobre o individual. Ser de Axé é aprender, muitas vezes na marra, que o seu prazer imediato deve, por vezes, ser sacrificado em prol de um compromisso maior com O Sagrado.
Muitos veem o salão arrumado, a roupa impecável, a cerimônia perfeita. Poucos enxergam a "ópera" que foi montada nos bastidores. Para que a grandiosidade da festa se revele, houve limpeza, houve cozimento, houve reza, houve silêncio e houve trabalho duro. Cada peça, do mais jovem abiyã, ogã ou à mãe pequena, é uma engrenagem vital. Se um falha, a harmonia se quebra.
Aqui reside a verdadeira beleza da religiosidade negra: a compreensão de que o outro é a continuidade do seu próprio ser. No terreiro, não existe "eu" sem o "nós". Entender que o meu irmão de fé precisa que eu faça a minha parte com excelência para que ele possa elevar o seu canto é o ápice da espiritualidade. A unidade não é um discurso bonito; é a condição sine qua non para que o Axé circule.
Portanto, a pergunta que fica não é sobre qual roupa vestir ou qual festa frequentar. A pergunta é sobre a sua disposição interior. O caminho do Orum exige disciplina, exige calar o ego para ouvir o Orixá, exige entender que o brilho externo é apenas reflexo de uma luz interna mantida a base de escolhas difíceis.
Você está disposto ou disposta a dizer "não" a si mesmo para dizer "sim" à sua evolução? Se a resposta for afirmativa, saiba: o caminho é árduo, mas a recompensa é a certeza de pertencer a algo maior. O Axé espera por quem tem coragem de escolher.
Axé a todos e todas.
Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união.
Axé!
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