Por: Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ
No último domingo, 8 de fevereiro, o solo de Águas Lindas de Goiás não foi apenas terra; tornou-se solo sagrado de resistência e cura. O Terreiro Sol do Oriente dirigido por Mãe Bete de Iansan, abriu suas porteiras para uma celebração que transcendeu o rito religioso, transformando-se em um marco histórico de aliança entre o axé e a ancestralidade indígena. O toque em homenagem a Oxóssi e aos Caboclos foi o cenário de um reencontro potente: a união entre os herdeiros dos quilombos e os guardiões da floresta.
O Reencontro de Parentes: Cura e Tradição
A tarde foi marcada pela presença ilustre de representantes das etnias Huni-hui e Huni-kuim, vindos diretamente do Acre. Em um momento de profunda conexão espiritual, os indígenas realizaram a Dança da Cura e ministraram a medicina do Rapé aos presentes.
Presenciar essa interação foi como folhear as páginas ocultas da história do Brasil Colonial. Ali, no centro do barracão, reviveu-se a aliança ancestral de quando escravizados e povos originários se uniam nas matas para combater a opressão e o sistema escravagista. A fumaça do rapé e o som dos maracás ecoaram como um grito de liberdade que nunca se calou.
"É a retomada de um pacto antigo. Onde o arco de Oxóssi encontra a flecha do parente indígena, não há espaço para a dor, apenas para a cura", comentou um dos presentes.
Além do intercâmbio espiritual, a economia solidária se fez presente através da venda de artesanatos produzidos nas aldeias acreanas, reforçando o sustento das comunidades que resistem na Amazônia.
Educação e Combate ao Racismo Religioso
A espiritualidade no Sol do Oriente caminha de mãos dadas com a consciência política. Durante o evento, figuras proeminentes da luta antirracista, como Odé Somí (Professor Félix - ATRACAR) e o Ògan Assogbá Luiz Alves (Projeto Oníbodê), realizaram uma ação fundamental de instrumentalização jurídica e social.
Foram distribuídos materiais educativos produzidos com o apoio crucial do Sindicato dos Bancários do DF:
Guia de Direitos dos Povos de Matriz Africana: Um manual de combate ao racismo religioso, que orienta as comunidades sobre como se proteger e denunciar a intolerância que atinge níveis alarmantes no país.
Cartilha "Quem é de Axé não Assedia": Um material corajoso que aborda o assédio dentro e fora dos terreiros, ensinando a identificar abusos e fortalecer a rede de proteção nas relações cotidianas.
A aceitação foi unânime. Relatos de fiéis que já sofreram abusos em seus locais de trabalho ou círculos sociais reforçaram a urgência dessas publicações, que rapidamente se esgotaram com pedidos de exemplares extras para serem levados a outros terreiros.
OBS. : QUEM QUISER A CARTILHA E O GUIA PODERÁ PEGAR NA LOJA ZÉ DA MATA ARTIGOS RELIGIOSOS.
O Axé que Alimenta: A Chegada dos Caboclos
Após o protocolo cultural, o couro do atabaque chamou os donos da casa. Os Caboclos e Caboclas tomaram o terreiro com sua energia vibrante, realizando passes e trazendo o axé das matas para os corpos cansados. A fartura, característica de Oxóssi, se fez notar na generosa distribuição de frutas pelas entidades, um símbolo de que, sob a regência do Rei das Matas e dos Encantados, a fome de justiça e de alimento sempre será saciada.
O Terreiro Sol do Oriente reafirma, assim, sua posição como um farol de resistência cultural e espiritual no Entorno do Distrito Federal.
Serviço:
Local: Terreiro Sol do Oriente
Endereço: Quadra 46, Rua 05, Lote 10 – Águas Lindas de Goiás.
FONE: 61 99637-5549
Vejam as fotos:
Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união.
Axé!
*APOIE, DIVULGUE E INCENTIVE O ONÍBODÊ (O PORTEIRO) por uma comunicação ANTI-FACISTA, ANTI-RACISTA e de apoio à Nossa Comunidade Negra e Afro Religiosa com doações a partir de R$25,00 (vinte e cinco reais)*
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Lindo comentário .vc sempre nos trazendo alegria e muito axé .gratidão .seja sempre bem vindo sua benção .
ResponderExcluirBelas palavras! A festa foi linda mesmo.
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