Por Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ
Águas Lindas de Goiás, 11 de Janeiro — Há momentos em que o tempo sagrado se sobrepõe ao tempo profano, e o solo de um terreiro deixa de ser terra para se tornar o próprio Orun (céu) entre nós. Foi exatamente essa a atmosfera que tomou conta do Asé Odisséia no último dia 10 de janeiro. Em um dia memorável, o sagrado se fez presente através da saída de um novo barco de Iyáwos, reafirmando que a tradição afro-brasileira não apenas sobrevive, mas floresce com vigor e dignidade.
Um Barco de Força e Paz
Sob a condução zelosa e firme de Pai Ricardo de Oxóssí, o barracão foi palco do renascimento de três novos filhos de santo. O barco, marcado pelo equilíbrio perfeito entre a guerra necessária e a paz almejada, trouxe ao mundo dois filhos de Ògun e um de Oxaguian.
A energia foi descrita pelos presentes como "palpável". Quando os atabaques soaram e o cortejo adentrou o salão, o ar vibrou. A junção da força impetuosa do Senhor dos Caminhos e do Ferro com a serenidade estratégica do Guerreiro Branco de Ejigbô encheu o espaço sagrado de uma alegria contagiante. Não era apenas uma festa; era a confirmação da continuidade.
O Futuro tem apenas 8 anos
Outro momento grande comoção, que levou muitos às lágrimas, foi a entrada triunfal do Dofono de Ògun. Com apenas 8 anos de idade, o pequeno gigante marchou à frente do barco, provando que o Orixá não escolhe idade, mas escolhe o coração.
A presença dessa criança, iniciada e consagrada, é um símbolo poderoso. Ver um menino de 8 anos vestindo o kelê e incorporando a altivez de Ògun é a garantia de que nossos ancestrais continuam vivos nas novas gerações. Ali, naquele corpo miúdo, reside a promessa de que o tambor nunca parará de tocar.
A Fé como Ato Político e de Resistência
O evento no Asé Odisséia transcende a ritualística. O brilho que resplandeceu por toda Águas Lindas de Goiás carrega uma mensagem urgente e necessária: A afro-religiosidade é, e sempre será, um ato de resistência política e social.
Em tempos onde a intolerância tenta silenciar nossos tambores, o nascimento destes novos filhos é a nossa resposta mais eloquente. Nossa fé é a resiliência em sua forma mais digna e latente. Cada Adura cantada, cada Ilá soltado pelos novos iniciados, é um grito de liberdade que ecoa não só pelo estado de Goiás, mas por toda a história de luta do povo negro neste país.
O Asé Odisséia, através das mãos de Pai Ricardo de Oxóssí e da comunidade que o sustenta, provou mais uma vez que o Candomblé é uma fortaleza de amor, cultura e identidade.
Aos novos Iyáwos, que os caminhos de Ògun sejam abertos e que a paz de Oxaguian seja o sustento. O Axé de Águas Lindas vive, resiste e vence.
Na ocasião também comemorou-se o Ajodun de Pai Ricardo de Oxóssí em seus 35 anos de vida dedicado Ao Sagrado reforçando seu amor aos Oríxás.
Motumbá!
Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união.
Axé!
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Sua bença? Que lindo registro. Obrigado por compartilhar.
ResponderExcluirlindo!
ResponderExcluirQue lindo registro pai. Sua benção?!
ResponderExcluirIncrível pai Luiz 💙
ResponderExcluirO Senhor sempre atento e com a escrita afiada.
ResponderExcluirOgun é vivo meu motumbá ao Senhor do ferro,Senhor da tecnologia!
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