Um Escudo de Fé e Lei: O Lançamento Histórico do Guia de Direitos dos Povos de Matriz Africana no DF
Por: Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ
Em tempos onde a fé é testada pelo fogo do preconceito, a informação torna-se a armadura mais sagrada. Na última terça-feira, 21 de janeiro, o Distrito Federal presenciou não apenas um evento literário, mas um verdadeiro ato de restituição civilizatória e fortalecimento espiritual: o lançamento do Guia de Direitos dos Povos de Matriz Africana e Afro Brasileira.
O evento, acolhido pelo Sindicato dos Bancários do DF — um bastião histórico das lutas sociais na capital —, marcou um novo capítulo na batalha contra o Racismo Religioso, uma chaga que tem crescido vertiginosamente no Brasil, mas que agora encontra uma comunidade mais instruída, unida e pronta para o combate jurídico e social.
A Semente Plantada na Conversa entre Irmãos
Grandes revoluções muitas vezes nascem de conversas despretensiosas. A gênese deste documento vital ocorreu em uma lanchonete da Universidade de Brasília (UnB). Ali, entre um café e a urgência da vida real, o Dr. Artur Antônio, renomado advogado e incansável militante das causas do povo negro, partilhou uma inquietação com Ògan Assogbá Luiz Alves, fotojornalista e documentarista de olhar sensível para as dores e belezas de nossa gente.
A ideia era clara: transformar a lei em ferramenta acessível. O que nasceu como o esboço de uma cartilha ganhou corpo e alma quando apresentada a Eduardo Araújo, Presidente do Sindicato dos Bancários do DF. Compreendendo a magnitude do projeto, Araújo não apenas acolheu a ideia, mas mobilizou esforços institucionais para que o papel se tornasse realidade, convocando a Ekédjí Jacira Silva para assumir a editoria deste projeto vital.
A construção do Guia foi um trabalho de muitas mãos e mentes brilhantes: a pesquisa minuciosa de Josefa dos Santos, a identidade visual e diagramação impecável de Daniel Neves Pereira e Ygor Leandro de Carvalho, tudo ilustrado pelas lentes poderosas de Ògan Assogbá Luiz Alves, que eternizou em imagens a força do nosso povo.
Águas de Cheiro e Tambores de Resistência
A noite de lançamento transcendente o protocolo. A entrada do Sindicato foi purificada e abençoada pela presença monumental do Coletivo de Iyás do DF. Em um ato de Lavagem, as matriarcas trouxeram a energia das águas, os cânticos ancestrais e o branco da paz ativa, preparando o solo para que a justiça pudesse florescer. Foi um lembrete visual e espiritual de que, naquele espaço, a ancestralidade caminha de mãos dadas com a política.
A atmosfera cultural foi elevada pelo tradicional Grupo Cultural Asé Dudú. Com mais de três décadas de história em defesa da comunidade negra do DF e Entorno, os tambores do Asé Dudú ecoaram como batidas de um coração coletivo, celebrando a sobrevivência e a alegria de existir.
Para nutrir o corpo, após a nutrição do espírito, foi servido um coquetel repleto de iguarias da culinária de axé, reafirmando que a nossa cultura é sabor, é partilha e é comunhão.
Instrumentalizando a Comunidade
O Guia chega com a missão de instrumentalizar a Comunidade Afro-Religiosa de Brasília e de todo o Brasil. Não é apenas um livro; é uma bússola jurídica para terreiros, ile axés e barracões. É a resposta da lei contra a violência do fanatismo.
Com a presença de diversas autoridades religiosas e personalidades políticas, o lançamento do dia 21 de janeiro enviou uma mensagem clara aos ventos do Planalto: o povo de santo conhece seus direitos, honra seus ancestrais e não recuará. O Guia está nas ruas, e com ele, a certeza de que o respeito não é um favor, é a lei.
Axé, Justiça e Liberdade!
veja abaixo o video e as fotos do evento
Que os Orixás nos iluminem – e nos lembrem sempre que a força do nosso povo está na união.
Axé!
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