Por: Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ
ÁGUAS LINDAS DE GOIÁS — Em uma noite marcada pela devoção, pelo respeito à ancestralidade e por uma energia indescritível de união, o terreiro liderado por Pai Jeferson abriu suas portas no último final de semana para celebrar o grandioso Toque em homenagem à Vó Maria. O evento, que já se consolida como um marco de resistência e fé na região, reuniu dezenas de filhos de santo, simpatizantes e ilustres autoridades afro-religiosas de Águas Lindas e cidades vizinhas.
Sob a saudação inconfundível de "Adorei as Almas!", o som dos atabaques ecoou forte pelo Residencial Boa Vista, anunciando que a noite seria de muita luz e sabedoria. O chão do barracão, forrado com as folhas sagradas, tornou-se o palco onde o sagrado encontrou o profano na mais perfeita harmonia. À luz de velas e sob o olhar atento das imagens dos santos e Orixás no altar, os médiuns trouxeram à terra a sabedoria dos Pretos e Pretas Velhas.
As fotografias do encontro capturam a essência mais pura da Umbanda: a caridade e o acolhimento. Entidades com seus característicos chapéus de palha e cajados sentaram-se em seus banquinhos, oferecendo fumo, passes, palavras de conforto e benzimentos para aqueles que buscavam alento. O ambiente, longe de qualquer estigma, exalava uma atmosfera de paz profunda e empoderamento coletivo, reafirmando a força da cultura afro-brasileira em manter vivas as tradições de seus ancestrais.
A União das Lideranças e a Força do Axé
Um dos pontos altos da celebração foi a expressiva presença de diversas autoridades afro-religiosas. Pais e Mães de Santo de diferentes casas da região do Entorno do Distrito Federal marcaram presença, vestidos com seus trajes brancos, rendas, capulanas vibrantes e guias de proteção. O encontro dessas lideranças não apenas prestigiou o trabalho de Pai Jeferson, mas também enviou uma mensagem poderosa contra a intolerância religiosa: a Umbanda é unida, é rede de apoio e é, acima de tudo, resistência.
A Fartura na Mesa da Vovó
Na tradição de matriz africana, o alimento não nutre apenas o corpo, mas também o espírito. Comer junto é compartilhar axé. E a mesa da Vó Maria foi a materialização desse preceito. Uma verdadeira comunhão se formou ao redor de toalhas brancas estendidas no chão sagrado do terreiro, onde a comunidade serviu uma farta e deliciosa feijoada.
O aroma do feijão preto servido nas tradicionais panelas de barro, acompanhado de arroz branco, farofa rica e fatias suculentas de laranja, tomou conta do espaço. As imagens mostram os próprios filhos da casa, com sorrisos no rosto e gratidão no coração, servindo a refeição abençoada sob os olhares atentos das entidades.
O Toque da Vó Maria foi, sem dúvida, muito mais do que uma festividade religiosa. Foi um ato de empoderamento identitário. Em tempos onde o sagrado afro-brasileiro ainda luta por respeito e visibilidade, noites como a promovida por Pai Jeferson em Águas Lindas nos lembram que a nossa raiz é forte, que a sabedoria dos mais velhos guia os nossos passos e que, onde há o toque do tambor, sempre haverá vida, união e fartura.
Salve a sabedoria dos Pretos Velhos! Adorei as Almas!
Salve a Ancestralidade!
Que o axé seja multiplicado.
Axé!
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a foto diz tudo!!!!!
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