CIÊNCIA E ANCESTRALIDADE: O saberes que brotam da terra.
Por Ògan Assogbá Luiz Alves/PROJETO ONÍBODÊ
No último final de semana, o Ilê Asé Odé Erinlé Ty Oyá, em Águas Lindas de Goiás, transformou-se em um espaço de diálogo profundo e partilha de saberes. Sob a condução de Pai Ricardo de Odé e organização de Ogunifé (Udi Lyncon), o terreiro acolheu alunos das turmas de Botânica e Antropologia da Universidade de Brasília (@unb_oficial) para uma potente Aula Vivencial sobre as Folhas do Sagrado.
Na tradição de matriz africana, a máxima é ancestral: “Kosi ewe, kosi Orixá” — sem folha, não há Orixá. Os estudantes puderam vivenciar a importância vital das plantas na afro-religiosidade, compreendendo suas aplicações litúrgicas, medicinais e os rituais que envolvem seus procedimentos. Uma verdadeira imersão onde o laboratório cedeu espaço ao chão sagrado e à tradição oral.
Muito além da botânica: O encontro não se limitou ao estudo vegetal. Sentados em roda, Pai Ricardo de Odé costurou a sabedoria das folhas com debates urgentes da nossa sociedade. Foram pautados temas fundamentais como:
Ancestralidade: A conexão viva com os que nos antecederam.
Racismo Religioso: O combate à intolerância por meio do conhecimento.
Saúde e Educação: O papel do terreiro como espaço histórico de cura integral, acolhimento e preservação cultural.
Quando a academia se curva ao saber tradicional, a ciência ganha profundidade e a história se repara. O Ilê Asé Odé Erinlé Ty Oyá segue firme como um farol de resistência, educação e preservação do patrimônio imaterial do nosso povo.
Modupé, Pai Ricardo, pela generosidade em partilhar o Axé!
Que o axé seja multiplicado.
Axé!
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