Por: Ògan Assogbá Luiz Alves
7 de junho de 2026
Na manhã deste domingo (07), o Setor Av. Camargo foi palco de uma das mais belas e profundas celebrações da religiosidade de matriz africana. Sob as bênçãos dos Orixás, o Ilê Ibú Asé Alámó abriu seus portões para a tradicional cerimônia de "Orúkọ dos Yawós" – o momento sagrado da revelação do nome e a apresentação pública dos novos iniciados no Candomblé.
O dia começou cedo e com uma hospitalidade que é marca registrada do povo de santo. Quem chegava ao endereço na Quadra 11 logo sentia a energia vibrante e acolhedora que emanava do terreiro. A comunidade e os convidados foram recepcionados com um farto e delicioso café da manhã. Esse gesto de comunhão e partilha do alimento não apenas aqueceu a manhã, mas reforçou os laços de irmandade e o sentido de família extensa, tão essenciais na nossa cultura afro-brasileira. Entre abraços, reencontros e sorrisos, o axé já circulava solto antes mesmo de o som dos atabaques ecoar.
À frente dessa grande festividade e zelando por cada detalhe espiritual e material, está a respeitada Mãe Francisca de Oxóssi – consagrada e conhecida no sagrado como Yálórìsá Òdé Táfárayò –, que conduziu o rito de passagem com maestria, juntamente com seu Babalórìsá Obálájò Tí Sàngó.
Com o término do café da manhã, a atmosfera de confraternização deu lugar à reverência. O toque foi iniciado, e os atabaques começaram a chamar a força dos ancestrais, ditando o ritmo do sagrado no barracão. O momento ápice do encontro, regado a cânticos e palmas, foi a aguardada saída dos Iyawós, marcando oficialmente o renascimento espiritual de dois filhos da casa.
A comunidade celebrou com louvor a apresentação de Samuel Tí Ọbalúwàiyé (consagrado ao senhor da terra e da cura, Obaluaiyê) e Gabriel Tí Òsogiyàn (entregue aos cuidados do jovem e guerreiro rei de Ejigbô, Oxaguiã). O ritual de Orúkọ, instante mágico em que o Iyawó brada seu nome de iniciação para o mundo, emocionou os presentes, consolidando a continuidade da tradição e a renovação inesgotável da fé que sustenta os terreiros do Brasil.
O convite do evento já anunciava o espírito da festa com o provérbio iorubá: "Ẹ wá Se ayẹyẹ Ìbí Yawó, kí Òrìsà gbé wa o" ("Venham celebrar o nascimento do Yawó, que o Òrìsà nos eleve"). E foi exatamente essa a sensação de quem esteve presente no Ilê Ibú Asé Alámó: uma elevação coletiva, onde a comida partilhada, o toque dos tambores e o transe místico se encontraram para celebrar a vida.
Mais do que uma festa, a saída de Samuel e Gabriel é a prova viva de que a resistência e a ancestralidade seguem pulsando forte, garantindo que o axé de Mãe Francisca de Oxóssi e de toda a sua comunidade continue dando belos frutos. Aweto!
Salve a Ancestralidade!
Que o axé seja multiplicado.
Axé!
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